O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, localizado no subsolo da Catedral Metropolitana de São Sebastião, na Avenida República do Chile, 245, Centro, apresenta a exposição “A face de Cristo – Uma experiência de fé e amor pela arte na via dolorosa”.
Sob a direção artística do padre Fernandes Elias Junior, a mostra propõe um mergulho na espiritualidade da Quaresma através de um acervo diversificado que retrata os últimos momentos da vida de Jesus.
A exposição foi concebida com base no Sermão das Sete Palavras, explorando as diferentes representações iconográficas de Cristo durante sua crucificação. Segundo o padre Fernandes, a intenção foi montar algo que unisse simplicidade e profundidade teológica: “Quando nós pensamos em fazer a exposição, tínhamos como temática o Sermão das Sete Palavras, as últimas palavras de Cristo na Cruz. Foi fácil organizar, pois temos essas iconografias de Cristo em nosso acervo.”
O diretor artístico menciona que o acervo inclui imagens de Cristo com e sem cruz, o Senhor da Cana Verde e o Cristo de latão.
Segundo o padre Fernandes Elias, o Cristo de latão é uma das peças mais peculiares da exposição, com cerca de 1,80 m de altura, e possui um significado teológico profundo relacionado ao pecado.
O aspecto “espinhoso” da obra e o fato de seu rosto estar escondido remetem à ideia de que o pecado torna as coisas feias. Dessa forma, a imagem simboliza que foram os pecados da humanidade que tornaram Cristo daquela forma durante o seu sofrimento.
Embora a leitura teológica passe pela falta de beleza estética da representação para ilustrar o peso das faltas humanas, o diretor artístico ressalta que a peça é “bonita de ver pela questão da composição”, destacando a forma como o material foi trabalhado para transmitir essa mensagem.
A motivação para a mostra surgiu da necessidade de oferecer um conteúdo catequético e evangelizador para o período da Quaresma, após o encerramento da exposição de presépios. O objetivo é sensibilizar o visitante para o sofrimento de Cristo e promover a compaixão pelo próximo.
Para o padre Fernandes, o impacto visual das obras deve gerar uma reflexão interna: “É uma forma de olhar e rever também os nossos erros. Não tem como ver um crucificado e continuar do mesmo jeito, sem a possibilidade de mudar de vida, de conversão”.
O acervo inclui imagens iconográficas de Nossa Senhora, como as de Piedade (Pietás), das Dores e da Angústia. As diferenças entre as imagens de Nossa Senhora residem principalmente nos elementos simbólicos (como o número de espadas) e na forma de confecção das peças:
- Nossa Senhora das Dores (ou Dolorosa): esta iconografia é identificada pela presença de sete espadas. Além disso, o museu possui uma imagem específica de Nossa Senhora das Dores que é “de roca” ou “de armar”, o que significa que ela é vestida com roupas de tecido e possui cabelo natural.
- Nossa Senhora da Angústia: diferencia-se por apresentar apenas uma espada.
- Nossa Senhora da Piedade (Pietás): ela é listada como uma das variações iconográficas que retratam Maria no contexto do sofrimento de Cristo.
Essas representações variadas têm como objetivo mostrar as diferentes formas de retratar a participação de Nossa Senhora na Via Dolorosa e sua compaixão.
A exposição pode ser visitada até o dia 10 de abril. O museu funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 16h; aos sábados, das 9h às 12h; e aos domingos, das 10h às 13h. O valor dos ingressos é de R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada para idosos, estudantes e grupos paroquiais). Estão sendo organizadas visitas guiadas para grupos de catequese, movimentos pastorais e outras associações religiosas, mediante agendamento prévio.
Carlos Moioli