Dom Orani celebra 29 anos de episcopado durante a ordenação de 19 padres para a Igreja

A Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro do Rio de Janeiro, acolheu, no dia 25 de abril, memória do evangelista São Marcos, a Santa Missa de ordenação de 19 novos sacerdotes, presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Dom Orani João Tempesta. A celebração ocorreu na véspera do 4º Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, e reuniu bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas, familiares e fiéis.

 

Novos sacerdotes

Formados no Seminário Arquidiocesano de São José, os candidatos ao presbiterato escolheram como lema “Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei” (Hb 5,5), expressando a consciência da vocação como dom de Deus e missão a serviço da Igreja.

Durante a celebração, foram ordenados os diáconos Bruno Fernandes Carvalho, Cainan Espinosa Gimenes, Carlos Eduardo Hemeto, Felipe Mesquita da Silva, Gabriel de Jesus de Almeida, Gabriel de Souza Gomes, Igor do Nascimento, Joanderson Henrique, João Pedro Xavier da Silva, Josimar Soares da Silva, João Bittencourt Santos, Lucas Matheus Moraes, Luiz Gustavo Nascimento, Marcos Antônio Malaquias Joia, Nicolás Campos de Moura, Pedro Ivo Abreu de Freitas, Vinícius Rocha Brum, Wais Lucas Barbosa Coelho e William Oliveira de Sá.

 

Jubileus

A ordenação ocorreu também em data significativa para o arcebispo, que celebrou 29 anos de ordenação episcopal, e no contexto do Ano Jubilar Arquidiocesano – os 450 anos da Prelazia do Rio de Janeiro e os 350 anos de sua elevação como diocese –, que recorda importantes marcos históricos da Igreja no Rio de Janeiro.

 

Unidade

Junto com Dom Orani, estiveram presentes 14 bispos, entre auxiliares da arquidiocese e bispos diocesanos eméritos residentes na cidade, e Dom Paulo Renato Fernandes Gonçalves de Campos, bispo de Barra do Garças (MT).

 

Rezar pelas necessidades da Igreja e do mundo

No início da celebração, Dom Orani destacou o significado do momento para a Igreja e a importância da oração pelas vocações. “Neste fim de semana que celebramos o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, bendizemos a Deus pela nossa caminhada vocacional e pedimos por todos aqueles que hoje são ordenados presbíteros, para que exerçam com alegria a sua bela e importante missão.”

Durante a celebração, também foram elevadas preces pela Igreja, pelo Papa Leão XIV, pela paz no mundo e pela realidade social do país e da cidade do Rio de Janeiro. Dom Orani convidou os fiéis a rezarem pelas vocações e pela missão da Igreja, reforçando a unidade do clero e a missão essencial da formação nos seminários.

 

Rito de ordenação

A celebração seguiu os ritos próprios da ordenação presbiteral, com a imposição das mãos e a oração consecratória, além das promessas de obediência, da unção das mãos e da entrega dos paramentos sacerdotais. Os gestos litúrgicos evidenciaram a missão dos novos presbíteros de anunciar o Evangelho, presidir os sacramentos e servir ao povo de Deus com espírito de caridade e dedicação pastoral.

A proclamação do Evangelho foi feita pelo diácono Lucas Moreira, e o pedido de ordenação, conforme o rito, foi apresentado pelo reitor do Seminário Arquidiocesano de São José, cônego Jorge André Pimentel Gouvêa.

 

Ser sinais da presença de Cristo no mundo

Em seguida, na homilia, Dom Orani destacou a centralidade da vocação sacerdotal como resposta ao chamado de Deus e como serviço ao povo, ressaltando a missão evangelizadora na cidade.

Inspirando-se no Evangelho, Dom Orani recordou o diálogo de Jesus com Pedro, sublinhando que o ministério sacerdotal nasce do amor a Cristo. “Os que são chamados a cuidar do povo de Deus devem amar Jesus Cristo de coração sincero e não ter nada nem ninguém acima do Senhor na sua vida. Com disponibilidade, generosidade e alegria, ajudar o povo de Deus a se santificar através da missão, dos sacramentos, das palavras e do testemunho”. A partir dessa perspectiva, o arcebispo enfatizou que o pastoreio exige entrega total, testemunho coerente e proximidade com o povo.

Ao dirigir-se aos novos presbíteros, Dom Orani recordou o caminho formativo vivido ao longo dos anos, destacando a convivência com os seminaristas durante o período em que atuaram como cerimoniários na arquidiocese.

“Esses irmãos que estão sendo ordenados presbíteros tiveram comigo durante um ano em encontros celebrativos por toda a arquidiocese, o que proporcionou conhecer bem e conviver em momentos, muitas vezes difíceis dessa cidade, mas também muita alegria de ver a caminhada paroquial através da missão que exercem os nossos seminaristas. Louvo a Deus pelas suas vidas, pela caminhada, pelos passos dados e por aquilo que o Senhor vem fazendo no coração de cada um”.

O arcebispo também ressaltou que a vocação sacerdotal é um dom que brota da ação de Deus e se desenvolve com o acompanhamento da Igreja. Ele destacou a importância do discernimento e da formação integral, envolvendo dimensões humana, espiritual, pastoral e acadêmica, até o momento da ordenação, quando a Igreja confirma e envia os escolhidos para a missão de conduzir, servir e testemunhar Cristo ressuscitado no meio do povo.

Dom Orani evidenciou ainda o caráter missionário da Igreja, recordando que o crescimento das vocações implica maior responsabilidade evangelizadora. “Quanto mais ganhamos vocações, somos chamados a enviar nossos diáconos e presbíteros em missão no Brasil e no exterior, abrindo-nos cada vez mais ao trabalho missionário que faz parte da identidade da Igreja. Jesus disse: ‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura’, e quanto mais somos abertos à missão e às necessidades da Igreja, mais o Senhor vai nos cumulando de dons e graças”. Segundo ele, a disponibilidade para a missão amplia a ação evangelizadora e fortalece a presença da Igreja nos diversos contextos sociais.

Ao abordar a realidade da cidade do Rio de Janeiro, o arcebispo destacou a missão dos sacerdotes como presença de esperança em meio aos desafios sociais. “Pedimos ao Senhor que nos ajude a ser uma presença que leve as pessoas a terem esperança e confiança na Igreja. Ela é a única que entra em todos os lugares da cidade para anunciar Jesus Cristo, a paz, a fraternidade e a solidariedade”. Para Dom Orani, a atuação dos padres, inseridos nas comunidades, é sinal concreto da proximidade de Deus com o seu povo.

Por fim, o arcebispo incentivou os novos sacerdotes a manterem Cristo como centro de suas vidas, vivendo o ministério com generosidade, alegria e fidelidade à missão recebida. A ordenação dos 19 presbíteros foi apresentada como um dom para toda a Igreja, que, por sua vez, é chamada a sustentar as vocações com oração e apoio constante, para que os novos padres exerçam seu ministério como verdadeiros sinais da presença de Cristo no mundo.

 

Mensagem da turma de presbíteros

Ao final da Santa Missa, o padre Lucas, em nome da turma, dirigiu uma mensagem de agradecimento marcada pela gratidão, pela memória da caminhada vocacional e pela comunhão com toda a Igreja. O discurso destacou a ação de Deus ao longo do processo formativo e o apoio recebido de diversas pessoas e instituições.

Logo no início, os novos presbíteros manifestaram reconhecimento a Dom Orani João Tempesta, saudando-o pelos 29 anos de episcopado e por sua presença pastoral. “Muito obrigado por todo o bem realizado, pela presença paterna e pela acolhida constante. Damos graças a Deus por tê-lo como nosso arcebispo”, afirmou.

A mensagem também evidenciou a unidade do clero e o papel dos formadores, seminaristas, religiosos e leigos no caminho vocacional, destacando que a ordenação é fruto de um processo vivido em comunhão. Em tom de gratidão, o padre Lucas ressaltou a contribuição dos seminários, formadores e benfeitores: “Os senhores foram e continuam sendo instrumentos preciosos nas mãos de Deus. Suas vocações sustentaram as nossas”.

Ao recordar a trajetória da turma, o sacerdote destacou que a ordenação representa mais do que um número, mas a história de vidas conduzidas pela graça divina. “Somos hoje 19 novos sacerdotes. Não números, mas histórias. Vidas tecidas pacientemente pela graça no cotidiano da formação”, disse, sublinhando a ação de Deus mesmo nas fragilidades e desafios enfrentados ao longo do caminho.

A experiência comunitária também foi lembrada como elemento essencial da formação, marcada pela partilha de alegrias e sofrimentos. Nesse contexto, reafirmaram a confiança na ação de Deus: “Reconhecemos: foi o Senhor quem nos conduziu. E é Ele quem hoje nos configura mais profundamente a Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote”.

Os novos padres destacaram ainda o chamado à unidade e à missão, assumindo o compromisso de viver o sacerdócio como serviço ao povo de Deus. “Pedimos a Deus a graça de termos um só coração e uma só alma […] reunidos n’Aquele que nos ama e nos congrega”, expressaram, reafirmando o desejo de anunciar com fidelidade a presença viva de Cristo.

Ao concluir, dirigiram uma palavra especial ao arcebispo, reconhecendo nele um testemunho de doação e fidelidade à Igreja. “O senhor é, para nós, sinal concreto da presença de Deus em nossa Arquidiocese e permanecerá para sempre em nossa história e em nossos corações”, declararam, sintetizando o sentimento de gratidão e comunhão vivido naquele momento.

 

Servir com generosidade à edificação do Reino

Ao final da Santa Missa, o bispo animador dos seminários, Dom Hiansen Vieira Franco, dirigiu uma mensagem marcada pela gratidão e pela alegria diante do dom das vocações na arquidiocese. Em tom de ação de graças, destacou o significado daquele momento para toda a Igreja local: “A nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro se enche de júbilo por tantas bênçãos. Louvado seja Deus pela vida e vocação de cada um dos novos padres”.

Dom Hiansen agradeceu o “sim” generoso dos novos sacerdotes e desejou fecundidade no ministério que assumem, ressaltando a importância da fidelidade à missão recebida. Também reconheceu o trabalho formativo realizado ao longo dos anos, destacando a dedicação dos responsáveis pelos seminários e de todos os que contribuíram nesse processo.

O bispo estendeu ainda sua gratidão aos familiares, benfeitores, membros da Obra das Vocações Sacerdotais (OVS), Serra Clube e professores, sublinhando o papel essencial de cada um no caminho vocacional dos novos presbíteros. Ao concluir, convidou os fiéis a permanecerem em oração pelos ordenados, para que, sustentados pela graça de Deus, sirvam com generosidade à edificação do Reino.

 

Eleitos de Deus

Na sua mensagem, o reitor do Seminário Arquidiocesano de São José, cônego Jorge André Pimentel Gouvêa, dirigiu uma mensagem de gratidão e encorajamento, destacando a importância das vocações para a vida da Igreja e reconhecendo o testemunho do pastor que inspira novos chamados.

O reitor ressaltou o impacto do ministério episcopal na promoção das vocações e agradeceu ao arcebispo pela proximidade e dedicação ao povo de Deus. “Se hoje o senhor está ordenando 19 presbíteros é porque a sua presença em Cristo trouxe o fascínio para que esses jovens também se dedicassem à sua vida ao Senhor”, afirmou, sublinhando que o testemunho do pastor desperta nos jovens o desejo de seguir o caminho sacerdotal.

Dirigindo-se aos novos presbíteros, o cônego Jorge André recordou a necessidade de confiança em Deus ao longo do ministério, mesmo diante dos desafios. “Não tenha dúvida de que o Senhor vai estar com vocês todos os dias. Vocês vão ser sempre aqueles que foram eleitos por Deus”, disse, incentivando-os a permanecerem firmes na fé, sustentados pela ação do Espírito Santo e pela intercessão de Nossa Senhora.

 

Viver com fidelidade e amor a Cristo

Na conclusão, Dom Orani recordou os 29 anos de sua ordenação episcopal, celebrados na mesma ocasião. “Agradeço a Deus pela vocação sacerdotal e à Igreja pelo chamado episcopal que hoje completa 29 anos”, afirmou, recordando sua caminhada desde a Diocese de São José do Rio Preto, passando por Belém do Pará, até sua missão no Rio de Janeiro. Ele manifestou gratidão pelo dom da vocação e renovou o pedido de orações do povo de Deus para continuar servindo à Igreja.

Dom Orani fez memória do trabalho de animação vocacional desenvolvido por muitos anos no tempo de Dom Eugênio de Araújo Sales, destacando a contribuição de Dom Karl Josef Romer. “O trabalho de animação vocacional foi importante no passado e temos frutos até hoje”, ressaltou, evidenciando a continuidade e os resultados dessa missão na vida da arquidiocese.

O arcebispo agradeceu ainda aos formadores, diretores espirituais, familiares e comunidades que acompanharam o processo formativo dos novos sacerdotes, reconhecendo o papel de cada um na promoção das vocações. Também destacou o envio missionário dos novos sacerdotes, que passam a servir em diferentes paróquias e realidades, conforme as necessidades da Igreja.

Ao concluir, Dom Orani reafirmou a alegria da Igreja diante do dom das vocações e a importância do testemunho dos novos padres, chamados a viver com fidelidade e amor a Cristo.

 

Carlos Moioli

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