O mês de maio é um mês especial para a Igreja, pois é considerado o mês mariano. Celebramos três festas marianas: dia 13 de maio, Nossa Senhora de Fátima; dia 24, Nossa Senhora Auxiliadora; e dia 31 de maio, a visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel. Além do Dia das Mães, que é celebrado no segundo domingo do mês de maio — neste ano, será no dia 10.
Diante disso, a Igreja recomenda que, ao longo desse mês, rezemos o terço todos os dias, contemplando os mistérios da vida de Jesus, desde o seu nascimento até a sua paixão, morte e ressurreição. Durante a reza do terço, é possível contemplarmos o “sim” de Nossa Senhora nos mistérios gozosos, as dores que Nossa Senhora sentiu ao ver o seu Filho ser condenado à morte nos mistérios dolorosos e Nossa Senhora recebendo o Espírito Santo junto com os apóstolos no Cenáculo, quando Jesus aparece ressuscitado e os envia em missão.
Por isso, não podemos rezar o terço de maneira rápida, automática nem sem prestar atenção naquilo que estamos rezando. É preciso meditar cada mistério e rezar o Pai-Nosso e as Ave-Marias de maneira pausada, saboreando cada palavra e entendendo aquilo que se reza. Em cada mistério do terço, rezamos um Pai-Nosso e dez Ave-Marias; em cada mistério, podemos oferecer intenções por alguém que precisa de oração ou por nós mesmos. Por isso, rezemos de maneira pausada, sem pressa.
Meus irmãos, além do mês de maio, a Igreja recomenda que rezemos o terço no mês de outubro, por ser o mês do Rosário e das missões; e, aqui no Brasil, celebramos Nossa Senhora Aparecida. É claro que não devemos rezar o terço somente nesses dois meses, mas o ideal seria que rezássemos todos os dias do ano. Nós, cristãos católicos, devemos levar o terço no bolso e, ao longo do dia, na medida do possível, rezá-lo. O terço é a “arma do cristão”, no bom sentido, e, quando nos sentirmos aflitos, devemos rezá-lo.
Ao longo deste mês de maio, as paróquias costumam propor, em algum horário, a reza do terço, por volta das seis da tarde, antes da missa da noite ou após a Santa Missa, além dos grupos habituais que já rezam o terço em nossas paróquias, como, por exemplo, o Terço dos Homens, o Terço das Mulheres e o Apostolado da Oração. Se não for possível rezar na paróquia, procure rezar o terço ao levantar-se, indo para o trabalho, no retorno ou, ainda, à noite, em casa, junto com a família, amigos ou vizinhos. O importante é não deixar de rezar.
Ao rezarmos o terço, podemos apresentar algumas intenções a Deus e a Nossa Senhora: rezar pela Igreja, pelo Papa, pelos bispos, presbíteros e diáconos, pelas vocações, pela conversão dos pecadores, pelos doentes, pelos falecidos e pela paz mundial. Nossa Senhora, inclusive, quando apareceu em Fátima, recomendou aos pastorinhos que rezassem o terço todos os dias, pedindo pela paz. Podemos ainda rezar por nós mesmos, apresentando as intenções que trazemos em nosso coração.
Sempre que nos sentirmos aflitos e angustiados e quando nos depararmos com uma situação difícil que pareça não ter solução, rezemos o terço. Recorramos sempre à Mãe de Jesus e peçamos que ela passe à frente e nos ajude a atravessar essa situação complicada. É claro que não devemos rezar o terço somente nessas situações, mas, principalmente nesses momentos, devemos intensificar a nossa vida de oração.
A reza do terço não demora muito, cerca de vinte minutos, e ainda podemos concluir a oração meditando a Palavra de Deus. Aproveitemos este tempo de graça e o mês especial de maio para rezarmos o terço. Podemos rezá-lo no ônibus ou no carro, indo ou voltando do trabalho, na hora do almoço e até na rua. E, ainda, em casa, antes de dormir ou antes de sair para o trabalho — basta nos organizarmos, pois, como vimos, a oração não dura muito. Tudo o que pedirmos com fé a Nossa Senhora será atendido, conforme ela mesma disse aos serventes nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Tudo o que pedirmos à Mãe, o Filho atende. Apresente a Nossa Senhora os seus pedidos e necessidades, e ela, com amor de Mãe, intercederá em nossa causa.
Ao final da reza do terço diário, após rezarmos a Salve-Rainha, podemos fazer a oração de consagração a Nossa Senhora e sempre renovar a nossa consagração a ela, para que todas as nossas ações tenham a proteção de Maria. Consagremos sempre a nossa família a Nossa Senhora, para que ela cresça e se edifique sob a proteção da Virgem Maria.
Para cada dia da semana há um mistério específico do terço que devemos contemplar. Os mistérios são baseados no Evangelho e na vida e missão de Jesus e de Nossa Senhora. Às segundas-feiras e aos sábados, contemplam-se os mistérios gozosos, que se referem à concepção, ao nascimento e à infância de Jesus. Às terças e sextas-feiras, contemplam-se os mistérios dolorosos, que se referem à paixão e morte de Jesus. Às quartas-feiras e aos domingos, contemplam-se os mistérios gloriosos, que se referem à ressurreição de Jesus; e, por fim, às quintas-feiras, contemplam-se os mistérios luminosos, que se referem à instituição da Eucaristia.
Quando rezamos o terço, são cinquenta Ave-Marias e cinco Pai-Nossos. São contemplados cinco mistérios e, em cada mistério, reza-se um Pai-Nosso e dez Ave-Marias. Pode-se ainda rezar o rosário, que consiste na oração de quatro terços.
O Rosário surgiu em meados do século IX, na Irlanda. Na época, era uma das formas de oração mais usadas pelos monges. Atualmente, o Rosário contém duzentas Ave-Marias e contempla todos os mistérios da vida de Cristo Jesus. Já o terço contém cinquenta Ave-Marias, intercaladas por um Pai-Nosso.
Em 1202, o Papa Inocêncio III deu a São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, a missão de ir até a França para lutar contra a heresia albigense. Passados seis anos de missão, São Domingos de Gusmão não conseguiu grandes resultados e, tomado por esse sentimento, dirigiu-se a um bosque para rezar, chorar e suplicar a Nossa Senhora um instrumento espiritual eficaz para vencer essa batalha.
Depois de três dias, Nossa Senhora aparece a São Domingos, acompanhada de três anjos, e diz a ele que a melhor forma de vencer aquela batalha era rezando o Saltério Angélico, que hoje conhecemos como o terço. A missão de São Domingos era difundir o Saltério Angélico entre as pessoas, que consistia na saudação do Anjo a Maria: “Ave, cheia de graça”. A partir de então, São Domingos difundiu a devoção ao terço, na época chamado de Saltério da Bem-Aventurada Virgem Maria.
Passados alguns anos, Nossa Senhora volta a aparecer ao Beato Alano de Rupe, também da Ordem de São Domingos, para pedir-lhe que retome o entusiasmo pela reza do Santo Terço. Alano, então, organizou as agrupações de cinquenta Ave-Marias e acrescentou o Pai-Nosso no início de cada dezena. Por volta de 1700, São Luís Maria Grignion de Montfort propôs a prática de reflexões a cada dezena da Ave-Maria; assim surgiram os mistérios do terço.
Portanto, a oração do terço é uma oração muito antiga e tem base na Palavra de Deus, ao contemplar os mistérios da vida de Jesus. Além disso, o Pai-Nosso é a oração universal, ensinada pelo próprio Cristo, e a Ave-Maria tem fundamentação bíblica. Sem contar que a oração do terço tem estreita ligação com os salmos da Bíblia.
Que possamos rezar o terço ao longo deste mês de maio e obter muitas graças para nós e para nossa família. Que a Virgem Maria interceda por cada um de nós e abra os caminhos para alcançarmos a paz e a salvação.
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ