A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro viveu um momento histórico na tarde do dia 21 de junho de 2026 com a celebração da Santa Missa de criação do Santuário São João Batista, localizado no bairro do Anil, na Zona Sudoeste do Rio. A celebração, presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist., também marcou os 15 anos de criação e instalação da paróquia, erigida em 2011.
Todos que participaram da celebração histórica foram acolhidos pelo pároco, padre Renato Lima da Silva. A Eucaristia foi concelebrada pelos padres Marco Aurélio Soares Diniz e Vittorio Baderacchi, respectivamente pároco e vigário paroquial do Santuário Nossa Senhora do Loreto, na Freguesia. Também participou da celebração o diácono José Paulo da Silva.
Na saudação inicial, Dom Orani recordou a história da comunidade, destacando o trabalho missionário iniciado pelos padres barnabitas, quando a região ainda pertencia ao território do Santuário Nossa Senhora do Loreto. O arcebispo ressaltou a trajetória de crescimento da comunidade, que, ao longo dos anos, superou desafios geográficos e sociais para se consolidar como uma referência de evangelização, acolhimento e serviço pastoral na região de Rio das Pedras.
“Agradecemos a Deus pelos 15 anos da paróquia, pelos passos que foram dados e, ao mesmo tempo, pela presença da Igreja vigorosa e animada em toda esta região”, afirmou o arcebispo, ao recordar a celebração realizada há exatos 15 anos, quando, no então CIEP da localidade, foi criada a paróquia e nomeado seu primeiro pároco, padre Marcos Vinício Miranda Vieira, falecido em 14 de junho de 2020.
Dom Orani destacou a força e a perseverança do povo de Deus diante das dificuldades enfrentadas pela região. “Sabemos das dificuldades que existem em relação à segurança e à violência, mas sabemos que vocês são um povo forte, que se alimenta pela Palavra de Deus, que caminha e participa, mesmo diante das dificuldades”, ressaltou.
O arcebispo também recordou o crescimento estrutural e pastoral da comunidade, desde a antiga capela dedicada a São João Batista até a construção da atual igreja matriz, dos salões pastorais e das demais capelas espalhadas pelo território paroquial.
Ao proclamar oficialmente a criação do Santuário São João Batista, Dom Orani explicou que a nova condição amplia a missão da comunidade, que passa a assumir também uma dimensão arquidiocesana de acolhida aos peregrinos e devotos do Precursor do Senhor.
“Além do trabalho paroquial, que já é realizado junto ao povo desta região, acrescenta-se agora a missão própria de um santuário: receber aqueles que vêm de longe por devoção a São João Batista, acolhê-los, evangelizá-los, celebrar as peregrinações, oferecer o sacramento da reconciliação e enviá-los de volta às suas comunidades renovados e fortalecidos na fé”, explicou.
O arcebispo recordou ainda que os santuários desempenham um importante papel evangelizador na vida da Igreja e anunciou que, ainda neste ano, será realizada uma reunião com todos os reitores dos santuários arquidiocesanos para aprofundar a missão e a identidade desses espaços de fé.
Criação do santuário
Após a leitura do decreto de criação do Santuário São João Batista, feita pelo padre Marco Aurélio, o arcebispo proclamou oficialmente a instalação do novo santuário arquidiocesano, destacando a importância da nova missão evangelizadora confiada à comunidade.
“Com a leitura desse decreto da nossa Cúria Metropolitana está criado o Santuário Arquidiocesano de São João Batista. Deus seja louvado e que produza muitos frutos para a evangelização não só da região, mas da Arquidiocese do Rio”, afirmou.
Dom Orani explicou ainda que, conforme prevê a legislação eclesiástica, será elaborado futuramente um estatuto próprio para o santuário. Até que isso aconteça, o atual pároco, padre Renato Lima da Silva, acumulará também a função de reitor do santuário, sendo responsável não apenas pela ação pastoral no território paroquial, mas também pela acolhida e acompanhamento dos peregrinos.
O arcebispo ressaltou o significado histórico da celebração, que coincidiu com o aniversário de criação da paróquia. “Nesse dia em que a paróquia completa 15 anos de sua criação e instalação, foi criado também este santuário arquidiocesano. A paróquia está de parabéns pelos passos dados e por essa nova missão de levar adiante o trabalho de evangelização”, concluiu.
Ser uma presença próxima do povo de Deus
Na homilia, Dom Orani agradeceu a todos os que contribuíram para a consolidação da comunidade, desde os primeiros anos de sua existência até os dias atuais, e destacou a trajetória de crescimento da comunidade ao longo dos últimos 15 anos, ressaltando a importância da missão evangelizadora confiada à nova realidade eclesial. Segundo o arcebispo, a elevação da paróquia à categoria de santuário é fruto de uma caminhada de fé, perseverança e compromisso missionário.
Ao recordar a criação da paróquia, em 2011, Dom Orani ressaltou que a expansão pastoral da Arquidiocese do Rio tem como objetivo aproximar cada vez mais a Igreja do povo. “Quanto mais cresce a cidade, mais somos chamados a fazer com que a presença da Igreja fique próxima do povo de Deus”, afirmou.
O arcebispo destacou que a comunidade São João Batista ultrapassou os limites geográficos paroquiais, tornando-se um centro de espiritualidade e peregrinação para toda a Arquidiocese do Rio. “Hoje a Igreja reconhece que esta comunidade ultrapassou as fronteiras geográficas da paróquia para tornar-se um santuário, com toda a responsabilidade que tem um santuário arquidiocesano”, declarou. “O território já não é mais apenas o território geográfico de uma paróquia, mas o território de toda a Arquidiocese do Rio que tem devoção a São João Batista”, acrescentou.
Ser um povo missionário e evangelizador
Ainda na homilia, refletindo sobre as leituras litúrgicas do dia, do 12º Domingo do Tempo Comum, Dom Orani recordou que a missão evangelizadora da Igreja é frequentemente acompanhada por dificuldades, incompreensões e perseguições, mas ressaltou que os cristãos não devem desanimar diante dos desafios. Inspirado nas palavras do Evangelho (Mt 10,26-33), enfatizou diversas vezes a necessidade de confiar em Deus e testemunhar a fé com coragem. “Não tenham medo de falar de Jesus Cristo no meio das pessoas”, exortou. “Quem testemunhar Jesus diante dos homens, Ele também o testemunhará diante do Pai que está nos céus”, destacou.
Dom Orani também chamou os fiéis a assumirem, como batizados, a responsabilidade de anunciar o Evangelho nos diversos ambientes da sociedade, tornando-se verdadeiros discípulos missionários. “Não só o padre, não só o diácono, mas todo o povo de Deus deve ser um povo missionário e evangelizador”, afirmou. Segundo o arcebispo, o papel da paróquia e, agora, do santuário, é fazer resplandecer a luz de Cristo em meio às dificuldades do mundo contemporâneo. “É papel do santuário anunciar cada vez mais essa luz de Cristo ao mundo”, ressaltou.
Ao concluir a homilia, Dom Orani exortou a comunidade a permanecer unida ao pároco, às pastorais e à Igreja, perseverando na missão de evangelizar. “Nunca desanimemos de pregar o Evangelho, a tempo e fora do tempo, anunciando a vida em Jesus Cristo nosso Senhor”, concluiu.
Uma comunidade que reza, canta e trabalha em unidade
Ao final da celebração, Dom Orani conduziu a oração a São João Batista diante da imagem do padroeiro, confiando ao santo precursor a missão evangelizadora do recém-criado Santuário Arquidiocesano e a caminhada de fé da comunidade local. O momento foi marcado por intensa devoção e participação dos fiéis, que se uniram em prece, agradecendo a Deus pelos 15 anos de criação e instalação da paróquia e pela nova etapa iniciada com a elevação da igreja à categoria de santuário.
Em seguida, os presentes acompanharam a exibição de um vídeo produzido pela equipe da Pastoral da Comunicação (Pascom), retratando a história da comunidade desde seus primeiros passos até a consolidação da atual estrutura pastoral e evangelizadora. O material, disponível no YouTube, destacou momentos marcantes da trajetória da paróquia, o trabalho missionário desenvolvido ao longo dos anos e o crescimento da presença da Igreja na região.
Houve também a apresentação musical realizada por adolescentes e jovens participantes do projeto social ASM. Por meio da execução de três músicas nos instrumentos de violino e violoncelo, os jovens emocionaram a assembleia e ofereceram um momento de beleza artística e espiritual, coroando as celebrações com uma expressão de fé, cultura e esperança.
Todas as obras são feitas pela Providência de Deus
Na sua mensagem, ao final da Santa Missa que marcou a criação do Santuário Arquidiocesano São João Batista e celebrou os 15 anos de criação e instalação da paróquia, no bairro do Anil, o pároco e primeiro reitor do santuário, padre Renato Lima da Silva, recordou a trajetória da comunidade e homenageou todos aqueles que contribuíram para a construção e o fortalecimento da missão evangelizadora ao longo dos anos.
Padre Renato ressaltou que a história da Paróquia São João Batista foi edificada não apenas por estruturas físicas, mas sobretudo pela fé e pela generosidade de inúmeras pessoas que se colocaram a serviço do Reino de Deus. “Esta história não foi escrita apenas com tijolos, concreto ou documentos. Ela foi construída com joelhos dobrados, mãos estendidas, corações generosos e incontáveis ‘sins’ dados ao longo dos anos”, afirmou.
O sacerdote destacou que cada pastoral, comunidade, celebração e serviço desenvolvido na paróquia testemunha a presença constante de Deus na caminhada do povo. “Cada gesto de amor tornou-se um tijolo vivo na construção desta comunidade de fé”, declarou, agradecendo a todos que contribuíram com trabalho, orações, doações e dedicação pastoral.
Padre Renato manifestou especial gratidão a Dom Orani pela proximidade e apoio dispensados à comunidade desde sua criação. Segundo ele, “seu pastoreio, sempre marcado pela simplicidade, firmeza e amor à Igreja, foi fundamental para o fortalecimento da missão evangelizadora em nossa paróquia”.
Em um dos momentos mais emocionantes de sua mensagem, o pároco fez memória do saudoso padre Marcos Vinício, primeiro pároco da comunidade, recordando seu testemunho de fé e dedicação pastoral. “Seu testemunho de amor ao Evangelho, dedicação pastoral e zelo pela comunidade deixaram marcas que o tempo jamais apagará”, afirmou, acrescentando que seu legado permanece vivo “em cada pastoral, em cada família evangelizada e em cada pessoa que teve a graça de conviver com ele”.
O novo reitor também expressou gratidão aos Padres Barnabitas, responsáveis pelo cuidado pastoral da região antes da criação da paróquia, reconhecendo a importância do trabalho missionário desenvolvido ao longo dos anos. Da mesma forma, agradeceu ao padre Marco Aurélio pela amizade fraterna e colaboração pastoral, além de recordar com carinho a memória de João Cadena e do senhor Menezes, reconhecendo neles importantes colaboradores da obra evangelizadora.
Padre Renato estendeu ainda sua gratidão aos sacerdotes, diáconos, seminaristas, religiosos, agentes de pastoral, ministros, catequistas, músicos, benfeitores e voluntários que ajudaram a escrever a história da comunidade. “Muitos talvez jamais tenham ocupado um lugar de destaque, mas ocuparam um lugar privilegiado no coração de Deus”, destacou.
Ao concluir sua mensagem, o pároco e reitor do Santuário São João Batista reafirmou que a comunidade é fruto da fidelidade divina e da resposta generosa de um povo que escolheu caminhar unido na fé. “Hoje compreendemos que a Paróquia São João Batista é muito mais do que um templo. Ela é formada por pessoas, histórias, lágrimas, sorrisos, reencontros, conversões e milagres cotidianos”, afirmou. E concluiu: “Que as futuras gerações possam reconhecer que tudo o que aqui foi realizado nasceu da fé de um povo simples, da coragem de seus pastores e, sobretudo, da infinita providência de Deus, que continua fazendo novas todas as coisas”.
História escrita pela graça de Deus e a fé de um povo que caminha
Uma mensagem de gratidão e esperança foi feita pelos paroquianos Pietro e Wagna, recordando a trajetória da comunidade e destacando os frutos da caminhada evangelizadora construída ao longo dos anos.
Eles ressaltaram que a história da Paróquia São João Batista é marcada pela ação providente de Deus e pela dedicação de inúmeras pessoas que se colocaram a serviço da evangelização. “São 15 anos de uma história construída pela fé, pela dedicação de inúmeros servos e pela ação constante da providência de Deus, que conduziu cada passo desta comunidade ao longo de sua caminhada evangelizadora”, afirmaram.
Pietro e Wagna recordaram que, desde sua criação, a comunidade nasceu com a missão de ser presença viva da Igreja junto ao povo, anunciando o Evangelho, celebrando os sacramentos e formando discípulos missionários. Segundo eles, ao longo desses anos, a paróquia consolidou-se como “uma verdadeira casa espiritual, lugar de acolhida, oração e encontro com Cristo”.
Pietro e Wagna também destacaram o empenho de sacerdotes, diáconos, religiosos, lideranças, agentes de pastorais, movimentos e famílias, que contribuíram para o crescimento da comunidade. “A história da paróquia foi construída com o esforço e a generosidade de homens e mulheres que, movidos pelo amor a Deus, dedicaram seu tempo, seus dons e sua vida ao serviço da evangelização”, declararam.
Ao recordar as diversas iniciativas pastorais desenvolvidas ao longo dos últimos quinze anos, eles ressaltaram que a comunidade tornou-se referência de comunhão, participação e promoção humana, por meio de missões, formações, retiros, ações sociais e eventos evangelizadores. Para eles, a fecundidade pastoral da comunidade manifesta-se também na intensa vida sacramental e no surgimento de novas vocações.
Um dos pontos centrais da mensagem foi a criação do Santuário São João Batista, considerada pelos paroquianos como o coroamento de toda a caminhada vivida pela comunidade. “Como coroamento desta caminhada de fé e de tantas graças derramadas ao longo de sua história, a data de hoje torna-se ainda mais significativa ao marcar um novo capítulo na vida de nossa comunidade: a Paróquia São João Batista é elevada à dignidade de Santuário”, afirmaram.
Ao refletir sobre o significado dessa nova realidade eclesial, Pietro e Wagna destacaram que ser santuário representa uma responsabilidade ainda maior para toda a comunidade. “Mais do que um título, ser Santuário é assumir uma missão ainda maior: ser uma casa aberta para todos, um lugar de acolhida, peregrinação, reconciliação e encontro profundo com Deus”, ressaltaram.
Por fim, Pietro e Wagna exortaram a comunidade a viver este novo tempo com espírito missionário e fidelidade ao Evangelho. “Que esta dignidade não represente um ponto de chegada, mas um novo envio para anunciar o Evangelho com ainda mais zelo.” Encerrando a mensagem, Pietro e Wagna confiaram os próximos anos da comunidade à intercessão de São João Batista e à ação do Espírito Santo, desejando que a história do novo santuário continue sendo escrita “pela graça de Deus e pelo testemunho de um povo que acredita, serve e caminha unido rumo ao Reino dos Céus”.
Exercer a missão de olho no futuro
Antes da bênção final, Dom Orani manifestou sua gratidão pela caminhada realizada pela comunidade, recordou momentos marcantes da história da paróquia e destacou a trajetória do atual pároco e reitor do santuário, padre Renato Lima da Silva, lembrando seu início na comunidade ainda como cerimoniário. “Deus nos conduziu até aqui e vai nos conduzir para frente também”, afirmou Dom Orani, ressaltando a continuidade da missão evangelizadora da comunidade.
O arcebispo também agradeceu aos Padres Barnabitas, que acompanharam a região antes da criação da paróquia, recordando especialmente o padre Michele (Miguelito) Ferrara, responsável por apresentar-lhe a realidade local quando o terreno onde hoje está a igreja ainda era apenas um morro. “Louvamos a Deus pelos passos dados e que, cada vez mais, com renovado ardor, possamos caminhar para o futuro”, disse.
Ao concluir, Dom Orani felicitou o padre Renato, o diácono, as lideranças e todos os fiéis pela caminhada realizada até aqui. “Que esta bênção seja um novo envio para que, dando esse passo, olhemos para o futuro e levemos adiante a bela e importante missão”, exortou o cardeal.
Texto: Carlos Moioli
Fotos: Daniele Araújo / Pascom