A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro promoverá, entre os dias 27 e 31 de julho de 2026, a terceira edição do Seminário Patrimônio Histórico e Cultural Católico do Rio de Janeiro, iniciativa que reafirma o compromisso da Igreja com a preservação de seu patrimônio histórico, artístico, cultural e religioso.
O seminário será realizado na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Centro da capital fluminense — antiga Capela Real e Imperial e quarta Catedral da cidade —, um dos mais importantes monumentos históricos do país e espaço privilegiado para o diálogo entre fé, cultura, memória e preservação.
Promovido pela Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese, o seminário terá como tema “A Igreja, a cidade e a memória: preservação e futuro do patrimônio histórico no Rio de Janeiro”, propondo uma reflexão ampla sobre o patrimônio histórico católico como parte inseparável da formação da cidade, da memória do estado do Rio de Janeiro e da própria história do Brasil.
Ao longo de cinco dias, a programação contará com conferências, mesas-redondas, visitas técnicas e momentos de diálogo que abordarão temas como salvaguarda do patrimônio, restauração de igrejas e acervos, financiamento de projetos, gestão cultural, políticas públicas, patrimônio religioso, museologia, arte sacra, pesquisa acadêmica, revitalização de centros históricos, educação patrimonial e cooperação entre a Igreja, universidades e órgãos públicos. O objetivo é fortalecer uma agenda permanente de preservação do patrimônio histórico e cultural católico, reconhecendo a Igreja como guardiã de um dos mais relevantes legados artísticos, religiosos e culturais do país.
Preservar a beleza que a fé produziu ao longo dos séculos
Para o padre Silmar Alves Fernandes, pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé e curador da Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, o seminário é resultado de um trabalho que vem sendo construído ao longo dos últimos anos, com responsabilidade e visão pastoral.
“O III Seminário do Patrimônio Histórico e Cultural Católico nasce como fruto de um caminho que a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro vem percorrendo com muito zelo e responsabilidade. A criação da Comissão Arquidiocesana de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural representou um passo importante para fortalecer a consciência de que preservar o patrimônio da Igreja não significa apenas conservar edifícios antigos ou obras de arte, mas proteger a memória viva da fé de um povo.”
Segundo o curador da Comissão, a preservação do patrimônio eclesiástico vai muito além da conservação física dos edifícios e objetos religiosos. Ela está diretamente ligada à identidade espiritual e histórica das comunidades cristãs.
“Cada igreja, cada imagem, cada documento, cada objeto litúrgico e cada sítio histórico contam a história da evangelização em nossa cidade. São testemunhos concretos da presença de Deus ao longo dos séculos e, por isso, constituem um legado que recebemos das gerações passadas e que temos a responsabilidade de transmitir às gerações futuras.”
A terceira edição do seminário amplia essa missão ao reunir especialistas de diferentes áreas do conhecimento para promover um diálogo interdisciplinar sobre a preservação do patrimônio religioso.
“O seminário chega agora à sua terceira edição, reunindo especialistas de diversas áreas — historiadores, arquitetos, restauradores, conservadores, arqueólogos, museólogos, juristas, representantes do poder público, pesquisadores e agentes da pastoral — para refletir sobre os desafios da preservação do patrimônio religioso em diálogo com a sociedade contemporânea.”
Para o padre Silmar, um dos diferenciais do encontro está justamente na integração entre a produção acadêmica, a experiência pastoral e a atuação técnica dos profissionais envolvidos.
“Durante cinco dias, teremos conferências, mesas-redondas, visitas técnicas e momentos de diálogo, sempre procurando integrar conhecimento acadêmico, experiência pastoral e compromisso com a cultura. Nosso objetivo é oferecer formação qualificada, promover a troca de experiências e incentivar novas iniciativas de preservação em nossas paróquias e instituições.”
Outro aspecto enfatizado pelo curador da Comissão é que o patrimônio histórico da Igreja possui dimensão pública e pertence também à sociedade brasileira, por representar parte significativa da construção da identidade nacional.
“É importante recordar que o patrimônio histórico da Igreja pertence à sociedade. Embora esteja confiado aos cuidados da Igreja, ele faz parte da identidade cultural do povo brasileiro. Preservá-lo significa preservar nossa história, nossa arte, nossa memória e também os valores espirituais que ajudaram a construir a nossa cidade.”
Nesse sentido, o seminário reafirma a importância da cooperação entre diferentes instituições e profissionais, reconhecendo que a preservação do patrimônio exige esforços compartilhados.
“Este seminário também manifesta a disposição da Arquidiocese de dialogar com universidades, museus, órgãos públicos, instituições culturais e profissionais especializados. A preservação do patrimônio é uma missão que exige colaboração, competência técnica e sensibilidade pastoral.”
Mais do que um encontro acadêmico, o evento pretende despertar uma verdadeira cultura de preservação nas comunidades eclesiais, incentivando novas iniciativas de conservação e valorização dos bens culturais da Igreja.
“Esperamos que esta terceira edição fortaleça uma verdadeira cultura da preservação. Que cada participante retorne à sua comunidade com um olhar renovado para reconhecer que cuidar do patrimônio histórico é também evangelizar. Quando preservamos a beleza que a fé produziu ao longo dos séculos, ajudamos as pessoas de hoje a encontrar-se com Deus por meio da arte, da memória e da história.”
Padre Silmar destaca o apoio do arcebispo do Rio de Janeiro e agradece a todos os envolvidos na realização do seminário.
“Nossa gratidão dirige-se ao Cardeal Dom Orani João Tempesta pelo constante incentivo a esta iniciativa e a todos os conferencistas, parceiros e participantes que tornam possível este encontro. Que este seminário seja mais um passo na missão de fazer da Igreja uma fiel guardiã da memória, servidora da beleza e anunciadora da esperança.”
Missão da Igreja na preservação da memória
A programação terá início na segunda-feira, 27 de julho, com a Santa Missa Solene, às 10h, presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. Na parte da tarde, o padre Silmar Alves Fernandes ministrará a conferência de abertura, intitulada “Guardiões da memória, servidores da beleza: a Comissão de Patrimônio na missão de conservar, formar e transmitir a cultura da fé”, refletindo sobre o patrimônio eclesiástico como instrumento de evangelização e de transmissão da identidade cristã.
Na sequência, Dom Edney Gouvêa Mattoso apresentará a conferência magna “A trajetória de um bispo através da arte sacra: memória, fé e patrimônio cultural”. O primeiro dia será encerrado com o painel “O Rio de Mestre Valentim e o futuro do patrimônio católico”, reunindo o procurador da República, Dr. Sérgio Suiama, e a professora Lydia de Carvalho Coelho, sob a mediação da Dra. Claudine Dutra.
Igrejas históricas e compromisso público
Na terça-feira, 28 de julho, o seminário voltará sua atenção para as igrejas históricas do Rio de Janeiro. O professor Flávio Alencar apresentará a conferência “Antiga Sé, redescoberta da Catedral do Brasil”, destacando os 436 anos de história da antiga Catedral dedicada a Nossa Senhora do Carmo.
Em seguida, o arquiteto Helder Magalhães Viana apresentará o projeto de restauração dos vitrais históricos da Igreja da Candelária, mostrando a importância da preservação desse patrimônio artístico e religioso.
À tarde, o painel “Patrimônio histórico, representação parlamentar e compromisso público” discutirá políticas públicas e mecanismos de apoio à preservação do patrimônio histórico.
Universidades e museus na preservação do patrimônio
O terceiro dia do seminário, em 29 de julho, será dedicado ao papel das universidades, dos museus e dos centros de pesquisa na salvaguarda dos bens culturais.
O painel “Preservação, gestão e valorização de acervos de arte” contará com a participação do padre Fernandes Elias, diretor artístico do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra do Rio de Janeiro, e do padre José Antônio da Silva, vigário-geral da Diocese de Valença.
Na sequência, os representantes do IPHAN, Breno de Faria e Rafael Azevedo, abordarão os desafios relacionados à circulação, à proteção e à recuperação de bens culturais.
Encerrando o dia, professores da PUC-Rio, da UFRJ e da UNIRIO apresentarão experiências acadêmicas voltadas à pesquisa, à documentação, à conservação e à formação de profissionais especializados na preservação do patrimônio cultural.
Patrimônio, cidade e grandes eventos
Na quinta-feira, 30 de julho, os debates abordarão a convivência entre o patrimônio histórico e os grandes eventos urbanos.
Participarão representantes do IPHAN, do INEPAC, do IRPH, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e da Secretaria Municipal de Cultura, discutindo planejamento urbano, políticas culturais, proteção dos bens históricos e revitalização de centros históricos.
Também haverá painéis sobre a recuperação de bens culturais, com peritos da Polícia Federal e da Polícia Civil, além de debates sobre a revitalização de irmandades, igrejas e centros históricos.
Caminhos para a recuperação do patrimônio
Na sexta-feira, 31 de julho, a programação será dedicada aos instrumentos concretos de preservação do patrimônio histórico.
O restaurador Raimundo Nonato da Silva apresentará o processo de restauro do painel “Incêndio do Recolhimento do Parto”, atribuído a Leandro Joaquim e pertencente ao acervo do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra do Rio de Janeiro.
Na sequência, Daisy Ketzer fará um balanço das ações desenvolvidas pela Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro entre 2023 e 2025.
Encerrando as atividades acadêmicas, Marcus Paullus Guimarães Passos ministrará a conferência “Caminhos de apoio para a recuperação do patrimônio histórico”, apresentando possibilidades de financiamento por meio de leis de incentivo, editais públicos, emendas parlamentares e parcerias institucionais.
O encerramento contará, ainda, com uma apresentação da Orquestra Sinfônica Jovens do Rio de Janeiro, seguida de um almoço de confraternização entre participantes e palestrantes.
Visitas mediadas integram a programação
Como atividade complementar, o seminário oferecerá visitas mediadas a importantes igrejas históricas do Centro do Rio de Janeiro, incluindo a Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, a Igreja da Candelária, a Igreja São Francisco de Paula, a Igreja Santa Cruz dos Militares e a Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores.
As visitas serão conduzidas por alunos da Escola de Museologia da UNIRIO, sob a coordenação da professora Dra. Márcia Valéria Teixeira Rosa, permitindo aos participantes conhecer de perto os acervos, a arquitetura e a história desses monumentos que fazem parte da memória religiosa e cultural da cidade.
Inscrições abertas
As inscrições para o III Seminário Patrimônio Histórico e Cultural Católico do Rio de Janeiro já estão abertas e podem ser realizadas pelo endereço: https://sun.eduzz.com/8WPNX83E0P.
O credenciamento será realizado no local do evento, e os participantes que cumprirem os critérios mínimos de presença receberão certificado de participação.
Carlos Moioli