Mensagem do Papa Leão XIV para o 6º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos
Comemoramos, no domingo, 26 de julho, o 6º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. Nessa data, a Igreja celebra também a memória litúrgica de Sant’Ana e São Joaquim, avós de Jesus e pais de Nossa Senhora. O Dia dos Avós sempre foi celebrado em 26 de julho e, inclusive, foi o tema da reflexão do Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013, na sacada do Palácio São Joaquim.
Mais tarde, há cinco anos, o Papa Francisco instituiu para toda a Igreja o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, a ser celebrado no quarto domingo de julho, o domingo mais próximo do dia 26. A celebração acontece dentro da liturgia do Tempo Comum e, neste ano, coincide com o 17º Domingo do Tempo Comum. Providencialmente, o quarto domingo de julho cai exatamente no dia 26, unindo a memória litúrgica de Sant’Ana e São Joaquim, o tradicional Dia dos Avós e o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos.
Lembremo-nos, neste dia, de nossos avós. Se já partiram para a Casa do Pai, elevemos a Deus uma prece por suas almas. Se ainda estão entre nós, façamos uma visita ou, ao menos, uma ligação. Ensinemos também aos filhos, afilhados e sobrinhos a importância do respeito aos avós e aos idosos, pois eles são, antes de tudo, a voz da experiência e têm muito a nos ensinar.
Supliquemos ainda ao Senhor para que toda a sociedade respeite os idosos e rejeite a cultura do descarte, que tantas vezes os abandona, isolando-os em instituições de longa permanência sem o devido acompanhamento e carinho de seus familiares.
Que toda a sociedade coloque em prática o quarto mandamento da Lei de Deus: “Honrar pai e mãe”. Cuidemos de nossos pais até a velhice, especialmente quando estiverem fragilizados ou até mesmo perdendo a lucidez. Nesses momentos, somos chamados a demonstrar ainda mais paciência, carinho e dedicação.
O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é muito mais do que uma celebração: é um convite à reflexão para que toda a sociedade volte seu olhar para os idosos com respeito, gratidão e ternura. Mais importante do que distribuir presentes é oferecer atenção, rezar uma Ave-Maria por eles e, se possível, visitá-los.
Todos os anos, o Santo Padre prepara uma mensagem para esta data, ajudando toda a Igreja a refletir sobre sua importância. Assim fez o Papa Francisco e, agora, o Papa Leão XIV nos presenteia com sua primeira mensagem para esta celebração.
O tema escolhido neste ano é “Eu nunca te esquecerei”, retirado do livro do profeta Isaías. Pela boca do profeta, o Senhor promete que jamais se esquecerá de cada um de nós. Ainda que, na velhice, uma pessoa possa experimentar o abandono ou o esquecimento por parte de familiares e amigos, Deus jamais se esquece de seus filhos. Seu amor é maior do que o amor de uma mãe por seu filho.
Na mensagem, o Papa Leão XIV recorda que, sobretudo na velhice, é comum algumas pessoas sentirem-se abandonadas, chegando até a imaginar que Deus também as esqueceu. No entanto, Deus é amor, misericórdia e fidelidade; jamais abandona aqueles que confiam n’Ele. Infelizmente, esse sentimento de abandono é vivido por muitos idosos que permanecem sozinhos em casa ou vivem em instituições de longa permanência sem receber visitas. Diante dessa realidade, o Santo Padre convida todos a renovarem a confiança na misericórdia de Deus, que nunca falha.
O Papa prossegue afirmando que o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, instituído pelo Papa Francisco, expressa o acolhimento da Igreja, que é mãe para todos. A Igreja manifesta, por meio dessa celebração, o amor de Deus, que jamais abandona os avós e os idosos.
“Que este Dia seja, portanto, um estímulo para todos, em particular os mais jovens, retomarem o bom hábito de visitar os seus avós, os idosos da família e também aqueles que não recebem nenhuma visita. Levai-lhes, com esta mensagem e com a vossa presença, a proximidade e o carinho do Papa.”
Por fim, o Papa Leão XIV convida todos nós a colocarmos em prática o tema da mensagem: “Eu nunca te esquecerei”. Que essas palavras se traduzam em gestos concretos de proximidade, afeto e cuidado. A cultura digital facilita a comunicação, mas nada substitui o encontro pessoal, o abraço e a presença junto daqueles que amamos.
Os dados demográficos mostram que a população está envelhecendo e continuará envelhecendo cada vez mais. As famílias têm tido menos filhos e, em muitos casos, optam até por não constituir descendência. Felizmente, ainda encontramos famílias numerosas, testemunhando a beleza da abertura à vida e da transmissão da fé.
Os jovens de hoje precisam olhar para o futuro. Com a graça de Deus, também serão idosos e certamente desejarão viver cercados pelo amor de seus familiares, e não pela solidão.
Em minhas visitas pastorais, procuro dedicar especial atenção aos idosos, sobretudo aos doentes e aos esquecidos. Faço questão de visitá-los para manifestar a gratidão da Arquidiocese e da Igreja pelo belo testemunho que oferecem como transmissores da fé católica e apostólica. Da mesma forma procedem os bispos auxiliares durante as visitas pastorais que realizam ao longo do ano.
Cabe também aos pais preparar os filhos para o futuro, ensinando-os a respeitar os mais velhos, a cuidar da família, a valorizar o matrimônio e a acolher os filhos como dom de Deus. Assim, nossas famílias continuarão sendo sinais do amor de Deus no mundo.
Inspirados pelas palavras do Santo Padre, cuidemos de nossos idosos e procuremos estar sempre próximos deles, não apenas neste dia comemorativo, mas durante todo o ano. Lembremo-nos de que os jovens de hoje serão os idosos de amanhã.
Todo fiel batizado que honra seus pais, seus avós, os idosos e os doentes testemunha a caridade cristã e será abençoado por Deus. Neste 6º Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, procuremos visitar uma instituição de longa permanência para idosos, levando nossa presença, nossa oração, nosso carinho e nossa escuta. Os idosos precisam ser amados, compreendidos e valorizados nesta etapa da vida.
Lembremo-nos de que todo o bem que praticamos neste mundo produz frutos para a vida eterna. Que jamais nos falte a caridade para com aqueles que tanto fizeram por nós.
Amém.
Sant’Ana e São Joaquim, rogai por nós!
Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ