Paróquia Santa Teresa de Jesus será elevada a Santuário Arquidiocesano e reforça vocação de acolhida, espiritualidade e evangelização

Celebração presidida pelo Cardeal Orani João Tempesta marcará os 110 anos da comunidade paroquial e abrirá um novo capítulo na história da Igreja em Santa Teresa.

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro viverá mais um momento histórico no próximo dia 2 de agosto, às 10h30, quando a Igreja Matriz da Paróquia Santa Teresa de Jesus, localizada no tradicional bairro de Santa Teresa, será elevada à categoria de Santuário Arquidiocesano durante Santa Missa presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta.

A celebração coincide com as comemorações dos 110 anos da comunidade paroquial, iniciada em 29 de julho de 1916, e dos 65 anos da criação da paróquia, instituída em 15 de outubro de 1961.

Mais do que uma mudança de título, a elevação reconhece uma vocação que, segundo o pároco, padre Vitor Aguillar da Silva, já vinha sendo construída ao longo de décadas. A igreja, dedicada a Santa Teresa de Jesus, também conhecida como Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja, reformadora do Carmelo e padroeira dos professores, consolida-se agora como um espaço privilegiado de peregrinação, oração, acolhida e evangelização.

“A transformação em santuário vem coroar todo o trabalho que já estava sendo feito, mas também dar um novo impulso. Ainda temos muito a avançar e muito a fazer”, afirma o sacerdote.

Um sonho antigo que agora ganha reconhecimento canônico

Embora o reconhecimento oficial aconteça agora, a ideia de ver a igreja transformada em santuário possui raízes profundas na própria história da paróquia. Padre Vitor recorda que esse desejo remonta ao saudoso monsenhor Joaquim Nabuco, figura marcante da Arquidiocese do Rio de Janeiro, perito no Concílio Vaticano II e protonotário apostólico.

Segundo o pároco, nos registros históricos da comunidade, monsenhor Joaquim já se referia carinhosamente à igreja matriz como um santuário, mesmo sem que ela possuísse, juridicamente, essa condição.

“Essa ideia já vinha do saudoso monsenhor Joaquim Nabuco, que carinhosamente apelidava a nossa igreja matriz de santuário. Nós sabemos que, juridicamente, um santuário precisa de um estatuto. Aproveitando que outras igrejas da Arquidiocese do Rio de Janeiro vêm sendo elevadas a essa categoria, pensamos: por que não também a nossa?”

Após elaborar toda a fundamentação canônica e preparar o estatuto exigido pela legislação da Igreja, o pedido foi encaminhado ao Cardeal Orani João Tempesta, que acolheu prontamente a proposta.

“Fizemos o estatuto, e ele imediatamente encaminhou o processo para a Cúria Metropolitana. Certamente é um desejo do coração dele que nossas igrejas se tornem locais de peregrinação, acolhida e evangelização.”

Um santuário no alto do monte

Para o padre Vitor, diversos fatores justificam a elevação da igreja à condição de santuário. Além da história centenária da comunidade, a localização geográfica possui forte simbolismo espiritual.

Situada no alto do bairro de Santa Teresa, a igreja recorda o próprio Cristo, que frequentemente subia aos montes para rezar ao Pai. O templo também já recebe, espontaneamente, inúmeros visitantes brasileiros e estrangeiros que percorrem um dos bairros mais emblemáticos da cidade.

“Por conta da sua posição geográfica, por estar no alto do monte. Nós sabemos que o próprio Cristo subia ao monte para orar ao Pai. Também já é um local de peregrinação, ainda que informal, e recebe muitos estrangeiros que visitam o bairro.”

Apesar desse fluxo constante de turistas, o sacerdote observa que muitos cariocas ainda desconhecem a igreja matriz.

“Embora seja um local visitado por muitos estrangeiros, para muitos cariocas a nossa igreja ainda é desconhecida. Queremos impulsionar esse local também como espaço de visitação e de espiritualidade.”

Espiritualidade teresiana como caminho de encontro com Deus

A escolha de Santa Teresa de Jesus como padroeira revela a identidade espiritual da comunidade. Reconhecida como uma das maiores místicas da história da Igreja, Santa Teresa de Ávila permanece como referência para todos aqueles que buscam aprofundar a vida de oração.

Segundo o padre Vitor, a espiritualidade teresiana já desperta o interesse de muitos fiéis que procuram a igreja em busca de silêncio, direção espiritual, confissão e participação na Eucaristia.

“Temos percebido que muitas pessoas procuram a igreja para as missas votivas. Isso demonstra uma busca sincera por espiritualidade e já aproxima a nossa igreja das características próprias de um santuário.”

Acolhida aos peregrinos

Com a nova condição jurídica, a expectativa é ampliar significativamente a oferta pastoral. Entre as prioridades estão o aumento dos horários de confissões e das celebrações eucarísticas.

A chegada de um vigário paroquial – Padre Hygo do Nascimento –, e a presença de seminaristas também fortalecem esse novo momento vivido pela comunidade.

“Pretendemos ampliar os horários de confissões. Também já aumentamos a quantidade de missas e, graças a Deus, agora contamos com um vigário paroquial, que poderá nos ajudar ainda mais nesse trabalho.”

O pároco ressalta ainda que a comunidade vive um tempo fecundo no despertar vocacional, com jovens ingressando no Seminário Menor e no Grupo Vocacional Arquidiocesano.

Acolher pessoas de todas as línguas

A vocação turística de Santa Teresa também inspira uma pastoral voltada aos visitantes internacionais.

Padre Vitor conta que alguns membros da comunidade dominam idiomas estrangeiros e procuram acolher os turistas em sua própria língua. Contudo, destaca que existe uma linguagem universal muito mais importante.

“Sempre procuramos falar também o idioma da acolhida, que é o idioma de Cristo. É a linguagem do amor, da caridade e da misericórdia.”

Além da acolhida durante as celebrações, a paróquia trabalha continuamente na formação dos leigos para fortalecer a Pastoral da Acolhida, tornando o futuro santuário cada vez mais receptivo aos peregrinos.

Santa Teresa de Jesus inspira a missão junto aos educadores

Como padroeira dos professores, Santa Teresa de Ávila inspira diversos trabalhos sociais desenvolvidos pela comunidade.

Entre eles destacam-se a alfabetização de adultos, o reforço escolar oferecido gratuitamente por professores voluntários e a tradicional bênção concedida aos educadores durante a festa da padroeira.

“Temos um trabalho antigo de alfabetização de adultos, além de professores voluntários que oferecem reforço escolar. Todos os anos, na festa da padroeira, realizamos uma bênção especial para os professores.”

A proposta, agora como santuário, é “oferecer mensalmente uma bênção especial aos educadores durante a Missa Votiva de Santa Teresa, celebrada na primeira sexta-feira de cada mês”, disse.

Evangelização nos morros fortalece a presença missionária

A missão da paróquia ultrapassa os limites da igreja matriz. Atualmente, três capelas integram a comunidade paroquial, localizadas nos morros do Fallet-Fogueteiro, Pau da Bandeira e Prazeres.

São regiões marcadas por desafios sociais, onde a presença da Igreja acontece por meio da celebração regular da Santa Missa, de grupos de espiritualidade e de ações de solidariedade.

“O que não faltam são locais desafiadores. Temos três capelas em três morros diferentes. São locais de evangelização exigentes, mas onde a Igreja permanece presente com celebrações, grupos de espiritualidade e trabalho social.”

Padre Vitor destaca ainda a recente visita do Cardeal Orani João Tempesta às comunidades com a imagem peregrina de São Sebastião, iniciativa que fortaleceu a fé dos moradores e renovou o entusiasmo missionário.

Um legado construído por gerações de sacerdotes

À frente da paróquia desde 12 de junho de 2023, padre Vitor faz questão de reconhecer a contribuição de todos os sacerdotes que marcaram a história da comunidade ao longo dos seus 110 anos.

Ele cita nomes como monsenhor Joaquim Nabuco, monsenhor Castelo Branco, monsenhor José de Barros Mota, Dom Pedro Cunha, Dom Paulo Romão, padre Jonas Gomes da Silva, padre Silmar Alves Fernandes, padre José Brito Terceiro, padre Gabriel de Moraes Coelho e padre Pedro Li, entre tantos outros que deixaram marcas na evangelização, na formação dos jovens, no trabalho com as famílias e nas reformas pastorais e estruturais da paróquia.

“Procuro valorizar o trabalho dos padres que me antecederam e, ao mesmo tempo, impulsionar para que a Igreja de Santa Teresa continue sendo instrumento de evangelização, onde muitas pessoas sejam transformadas, curadas e tocadas pelo amor de Deus.”

Novo santuário fortalece a missão da Arquidiocese

Para o sacerdote, a criação do Santuário Arquidiocesano representa também um gesto concreto da proximidade da Arquidiocese com a comunidade paroquial.

Segundo ele, a constante presença do Cardeal Orani João Tempesta e dos bispos auxiliares demonstra ao povo de Deus o cuidado pastoral da Igreja e fortalece a esperança da comunidade.

“Quando o povo percebe o carinho dos pastores para com a paróquia, sente-se novamente motivado. Temos recebido muitas visitas do nosso cardeal e dos bispos auxiliares, e isso confirma o povo na fé e impulsiona ainda mais a evangelização.”

A nova condição também deverá favorecer o fortalecimento das obras sociais, ampliar o número de peregrinos e consolidar ainda mais a presença evangelizadora da Igreja em um dos bairros mais tradicionais do Rio de Janeiro.

Carlos Moioli

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