Dia do Padre reúne clero e marca posse das diretorias da Irmandade de São Pedro e da Casa do Padre

A memória litúrgica de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, padroeiro dos sacerdotes, reuniu o clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro, no dia 4 de agosto, para a celebração do Dia do Padre. A Santa Missa foi realizada na Igreja da Irmandade de São Pedro, no Rio Comprido, e presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, com a concelebração dos bispos auxiliares e eméritos e de numerosos sacerdotes. Diáconos, seminaristas, autoridades civis e fiéis também participaram da celebração.

Além de homenagear os sacerdotes e recordar a vida e o testemunho de São João Maria Vianney, a celebração foi marcada pelo rito de juramento e posse da nova diretoria da Irmandade de São Pedro para o triênio 2026-2029 e pela recomposição da diretoria da Casa do Padre Cardeal Câmara. Os dois momentos reforçaram a dimensão da fraternidade sacerdotal e do cuidado com os presbíteros, especialmente aqueles que, em razão da idade ou de enfermidades, necessitam de maior acompanhamento.

No início da celebração, Dom Orani recordou o significado da data e manifestou gratidão pelo ministério exercido pelos sacerdotes na Arquidiocese do Rio de Janeiro. O arcebispo também ressaltou a importância da oração pelas vocações sacerdotais e pela perseverança daqueles que dedicam a vida ao serviço do povo de Deus.

“Bendizemos a Deus pelas vocações sacerdotais também em nossos seminários, para que possamos, ainda mais nesta nossa grande cidade, levar adiante a grande missão”, afirmou o arcebispo.

Mês Vocacional e o chamado aos ministérios ordenados

A celebração aconteceu no contexto do Mês Vocacional, período em que a Igreja no Brasil dedica especial atenção às diferentes formas de chamado e serviço. Na primeira semana de agosto, a reflexão é direcionada aos ministérios ordenados — diaconato, presbiterato e episcopado. Dom Orani destacou que a presença conjunta de diáconos, sacerdotes, bispos e seminaristas expressava concretamente essa realidade vocacional.

“Contemplamos hoje aqui a presença dos diáconos, dos sacerdotes e dos bispos, justamente os ministérios ordenados, e nós bendizemos a Deus pela vocação de cada um, pelo chamado de cada um, pelos que já foram ordenados e pelos que estão no caminho da ordenação”, destacou durante a homilia.

O arcebispo também recordou as demais vocações celebradas ao longo do mês de agosto: a vocação matrimonial, a vida consagrada e a vocação dos leigos. Ao abordar o tema “Comunidades vocacionais: encontro, testemunho e missão”, Dom Orani ressaltou que a reflexão realizada durante o Mês Vocacional também contribuirá para o V Congresso Vocacional do Brasil, previsto para setembro, em Aparecida.

Missão e exemplo do Cura d’Ars

Ao refletir sobre a vida de São João Maria Vianney, Dom Orani apresentou o Cura d’Ars como exemplo de perseverança diante das dificuldades encontradas no exercício do ministério sacerdotal. Enviado para uma pequena comunidade marcada pelo afastamento da vida religiosa, o santo francês não se deixou vencer pelas limitações ou pelo desânimo. Por meio da oração, da penitência, da pregação e da dedicação ao Sacramento da Reconciliação, transformou a realidade da comunidade que lhe havia sido confiada.

Para Dom Orani, o testemunho do padroeiro dos sacerdotes continua atual diante das diferentes situações encontradas pelos padres nas paróquias e comunidades do Rio de Janeiro.

“São João Maria Vianney, cuja festa celebramos, é para nós um belo exemplo. Ele não desanima diante das várias situações e, com oração, penitência e perseverança, não só contagia a população de Ars, como ultrapassa as suas fronteiras”, afirmou.

Segundo o arcebispo, também hoje os sacerdotes encontram realidades desafiadoras e são chamados a permanecer próximos do povo, anunciando o Evangelho e ajudando as comunidades a percorrer um caminho de conversão e santidade. Ele lembrou que a missão evangelizadora alcança uma cidade marcada por diferentes situações sociais e humanas e exige dos ministros ordenados disponibilidade para servir.

“A Palavra de Deus nos coloca com muita clareza a nossa grande missão de ir pelo mundo inteiro pregando o Evangelho a toda criatura. Essa é a missão de todo cristão, de todo católico, mas é muito mais ainda dos ministérios ordenados, que são os primeiros responsáveis por essa missionariedade”, ressaltou.

Dom Orani também chamou os sacerdotes a recuperarem constantemente o entusiasmo que marcou o início de suas vocações. Para ele, a celebração do Dia do Padre deve ser ocasião de renovação do compromisso assumido com Deus e com a Igreja.

“Hoje é um dia de retomar o entusiasmo inicial, recomeçar com renovado ardor a nossa vida”, afirmou.

Ao abordar os desafios contemporâneos da evangelização, o arcebispo citou as transformações tecnológicas, a inteligência artificial, as divisões e diferentes questões presentes na sociedade. Apesar das mudanças, ressaltou que permanece a mesma necessidade de uma vida marcada pela oração, conversão, testemunho e anúncio do Evangelho.

“O Senhor não nos desampara. Além de nos dar um sinal e um belo exemplo na figura do Cura d’Ars, também nos dá a força da ação do Espírito Santo para que nós, no meio de tantas situações, possamos levar adiante a nossa bela e importante missão”, afirmou.

Fraternidade e cuidado com os sacerdotes

O bispo auxiliar e referencial da Pastoral Presbiteral, Dom Roque Costa, também dirigiu uma mensagem aos sacerdotes e à nova diretoria da Irmandade de São Pedro. Em sua reflexão, destacou São João Maria Vianney como modelo de sacerdote dedicado à oração, à Eucaristia, à penitência e, especialmente, ao atendimento das confissões.

Para Dom Roque, o ministério sacerdotal exige disponibilidade para ouvir e acolher. O bispo chamou a atenção para a necessidade de reservar tempo para a escuta, não apenas no Sacramento da Reconciliação, mas também na direção espiritual e no acompanhamento das pessoas.

“São João Maria Vianney é para nós esse modelo de homem dedicado à penitência e ao momento de atender as confissões. Um homem de oração, um homem da Eucaristia. Que seja para nós esse modelo a ser seguido”, afirmou.

Dom Roque também enfatizou a importância da unidade entre os sacerdotes diante das fragilidades e dificuldades próprias do ministério.

“É na unidade do presbitério que nós iremos nos fortalecer para servir melhor. Cultivarmos a amizade entre nós para sermos, nas nossas comunidades, amigos dos fiéis e das famílias”, destacou.

O bispo referencial da Pastoral Presbiteral recordou ainda a importância do acompanhamento vocacional e do acolhimento daqueles que procuram discernir o chamado ao sacerdócio. Nesse trabalho, ressaltou a atuação conjunta da Pastoral Presbiteral, da Pastoral Vocacional, dos seminários e dos promotores vocacionais dos vicariatos.

Nova diretoria da Irmandade de São Pedro

Um dos momentos significativos da celebração foi o rito de juramento e posse da nova diretoria da Irmandade de São Pedro para o triênio 2026-2029. Os integrantes foram eleitos em assembleia para compor a Mesa Administrativa, o Conselho da Irmandade e o Conselho Fiscal, além dos procuradores nomeados para a nova gestão.

A Mesa Administrativa passou a ser formada pelo provedor, cônego Alberto Gonzaga de Almeida; vice-provedor, padre José Brito; primeiro-secretário, padre José Ricardo dos Santos Pastura; segundo-secretário, padre Gabriel da Cunha Stilpen; primeiro-tesoureiro, padre Isaac Freire de Deus; segundo-tesoureiro, cônego Júlio César Costa da Silva; e arquivista, padre Iago Deodato Abreu.

Foram nomeados ainda como primeiro procurador o cônego Valtemário Silva Frazão Júnior e, como segundo procurador, o cônego William Bernardo da Silva.

O Conselho da Irmandade ficou constituído pelos padres Alessandro Manuel dos Santos, Anderson Batista Monteiro, Edson Barreto Bezerra, Fábio Macerro dos Santos, Flávio Ramos Vital, Gabriel Pimentel Batista, Heber Tiqueiroz Borges e Wagner Toledo Moreira, além dos cônegos Elias Isaías e José Rosa Afonso.

Para o Conselho Fiscal foram escolhidos os padres Caio Dias Pessoa, Tiago Sardinha de Jesus e Valnei de Moura Antunes. Como suplentes, foram designados os padres Leandro da Silva Moreira e Vanderson de Oliveira.

Ao assumir a função de provedor, o cônego Alberto Gonzaga de Almeida destacou a responsabilidade de conduzir uma instituição quase tricentenária e marcada pela atuação de gerações de sacerdotes. Para ele, o fato de a posse acontecer tradicionalmente na memória de São João Maria Vianney reforça o sentido de serviço que deve orientar a nova gestão.

“Recebo hoje a missão de assumir a função de provedor da Irmandade de São Pedro, bem como diretor da Casa do Padre, com um profundo sentimento de gratidão, humildade e responsabilidade. É uma irmandade quase tricentenária, com uma belíssima história de grandes sacerdotes que sedimentaram esta irmandade com seus testemunhos de vida e de amor à nossa arquidiocese”, afirmou.

O novo provedor ressaltou que a autoridade na Igreja deve ser compreendida a partir do serviço, da caridade, da proximidade e da busca pelo bem comum.

“Não considero esta posse como um reconhecimento pessoal, mas como um chamado ao serviço, inspirado nas próprias palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: ‘Quem quiser ser o primeiro, seja o servo de todos’”, destacou.

Casa do Padre Cardeal Câmara

Durante a celebração, também foi lido o decreto de recomposição da diretoria da Casa do Padre Cardeal Câmara para um período de três anos. A instituição tem como finalidade oferecer moradia e hospedagem aos sacerdotes e constitui uma das expressões concretas do cuidado da Arquidiocese com os padres.

A nova diretoria tem como diretor-presidente o cônego Alberto Gonzaga de Almeida; diretor-secretário, cônego José Li Gonzão; e diretor-tesoureiro, cônego Valtemário Silva Frazão Júnior. Integram ainda a direção, como conselheiros, o cônego Álvaro José Assunção e os padres Tiago Azevedo Pereira e Flávio Ramos Vital.

Ao falar sobre a instituição, o cônego Alberto ressaltou que a Casa do Padre deve ser compreendida para além de sua estrutura física, como expressão concreta da fraternidade sacerdotal.

“A Casa do Padre, mais do que um patrimônio material, é um verdadeiro lar, um espaço onde nossos irmãos sacerdotes devem encontrar acolhida, respeito, cuidado e dignidade”, afirmou.

O sacerdote também destacou que a condução das duas instituições dependerá do trabalho conjunto da diretoria, dos conselhos, dos membros da Irmandade e do clero arquidiocesano.

“Desejo exercer esta missão com espírito de diálogo, transparência, respeito e comunhão, buscando aquilo que melhor glorifique a Deus e fortaleça a nossa Igreja”, disse.

Compromisso com a fraternidade presbiteral

Ao final da celebração, Dom Orani parabenizou o cônego Alberto e os demais integrantes das novas diretorias e ressaltou a tradição da Irmandade de São Pedro no cuidado com os sacerdotes. O arcebispo recordou que as necessidades do clero se modificaram ao longo do tempo e que a atenção aos presbíteros exige hoje a atuação articulada da Irmandade, da Casa do Padre, da Pastoral Presbiteral e de outras iniciativas arquidiocesanas.

“Que possamos servir ainda mais aos nossos sacerdotes, que é a grande missão da Irmandade de São Pedro, para que todos possam conviver com dignidade e experimentar toda a força que vem do alto”, afirmou.

Dom Orani também chamou a atenção para os sacerdotes idosos, enfermos ou com dificuldades de locomoção, ressaltando que a fraternidade presbiteral deve se manifestar de forma concreta no acompanhamento daqueles que dedicaram a vida ao serviço da Igreja.

A celebração do Dia do Padre reuniu, assim, diferentes dimensões da vida sacerdotal: a gratidão pelo ministério dos presbíteros, a oração por novas vocações, a renovação do ardor missionário e o compromisso com o cuidado daqueles que envelhecem ou enfrentam enfermidades. Ao mesmo tempo, a posse das novas diretorias da Irmandade de São Pedro e da Casa do Padre Cardeal Câmara reafirmou a responsabilidade institucional de manter viva a fraternidade entre os membros do clero.

No encerramento de sua homilia, Dom Orani sintetizou esse chamado a partir dos três eixos propostos para o Mês Vocacional: encontro, testemunho e missão.

“Por esta nossa Eucaristia, a nossa bênção a Deus pelos nossos sacerdotes, pelas nossas vocações sacerdotais e, unidas às demais vocações celebradas neste mês de agosto, nós pedimos que possamos encontrar o Senhor, testemunhá-Lo e levá-Lo em missão aos nossos irmãos e irmãs”, concluiu.

 

Carlos Moioli

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