Criado na Igreja Católica pelo Papa Francisco, o Tempo da Criação, que começa no dia 1º de setembro e termina no dia 4 de outubro, na festa de São Francisco de Assis, tem como objetivos:
- Aumentar o nosso louvor ao Criador por tudo aquilo que Ele criou e colocou em nossas mãos para ser administrado com cuidado e responsabilidade;
- Tomar consciência da grandeza da obra da Criação e da importância da Aliança feita pelo Criador com todas as criaturas (Gn 9,8-17);
- Reencantar-nos com a presença do Espírito Santo na singularidade de cada ser criado, revelando-nos mistério e fascínio em tudo o que habita na Casa Comum planetária;
- Rezar e agradecer ao Criador pela beleza de sua obra, lembrando-nos das instituições e pessoas que lutam pelo equilíbrio climático, pela conservação da natureza e pela ecologia integral;
- Fazer gestos concretos para melhorar a vida das pessoas, preservar os biomas, diminuir o consumo, promover a reciclagem e aumentar as áreas verdes nas cidades;
- Mudar a mentalidade, por meio da conversão e de mudanças de hábitos e costumes que são insustentáveis;
- Trazer a temática da Criação para as nossas liturgias, sobretudo agora que temos a Missa pela Proteção da Criação, estabelecida pelo Papa Leão XIV.
Na mensagem do Papa Leão XIV em 2026, o Pontífice faz alusão à paz que começa no coração humano e se estende ao cuidado da Criação, convidando-nos a contemplar o dom da vida e a valorização da terra que a sustenta, sobretudo em um contexto mundial marcado por crises, sofrimentos e pelo agravamento do desequilíbrio da Criação. Recorda-nos que os conflitos não apenas ceifam vidas e separam famílias, mas deixam uma destruição social e ecológica que pode perdurar por gerações. Conflitos armados e degradação ambiental destroem ecossistemas, contaminam o ar e as águas, comprometem a segurança alimentar e aumentam a pobreza e a desigualdade.
Diante desse fato, lembra o Papa, é necessária uma conversão que atinja as estruturas e o próprio coração humano. A verdadeira conversão ecológica nasce do encontro com Cristo e se manifesta na relação com as pessoas e com toda a Criação. Finalmente, o Papa Leão XIV nos encoraja a sermos colaboradores da obra de Deus, permitindo que a transformação interior se traduza no cuidado com a Criação e na construção da paz.
Para que este Tempo da Criação seja uma realidade em nossa Arquidiocese do Rio de Janeiro, algumas ações concretas estão sendo planejadas, a saber: inauguração dos novos jardins na Catedral Metropolitana; conclusão dos estudos e plantio de espécies da Mata Atlântica no Centro de Estudos do Sumaré; lançamento do segundo número da revista do Vicariato para o Meio Ambiente e Sustentabilidade; publicação do livro “Natureza inteligente: temos muito que aprender”, de minha autoria; e uma Santa Missa no dia 4 de outubro, às 10h, na Catedral, encerrando o Tempo da Criação e as homenagens pelos 800 anos da morte de São Francisco de Assis, patrono da Ecologia.
Pe. Josafá Carlos de Siqueira, SJ
Vigário Episcopal para o Meio Ambiente e Sustentabilidade da Arquidiocese do Rio de Janeiro