Concerto pela Paz reúne música, fé e fraternidade no encerramento do Seminário de Comunicação

A música como instrumento de encontro, diálogo e construção da paz marcou o encerramento do 13º Seminário de Comunicação Social da Arquidiocese do Rio de Janeiro. No dia 21 de agosto, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, situada no complexo da PUC-Rio, na Gávea, recebeu o Concerto pela Paz, sob a regência do compositor e maestro monsenhor Marco Frisina. A apresentação reuniu músicos, cantores, representantes da Igreja e participantes do seminário em uma noite dedicada à beleza, à fé e à esperança diante dos conflitos que atingem diferentes partes do mundo.

Realizado no Centro de Estudos do Sumaré, de 18 a 21 de agosto, o 13º Seminário de Comunicação Social reuniu 120 comunicadores de várias partes do Brasil. O concerto integrou a programação de encerramento do encontro e evidenciou a proximidade entre comunicação e arte como linguagens capazes de criar vínculos, aproximar pessoas e contribuir para uma cultura de paz.

Organizador do seminário e prefeito da Igreja do Sagrado Coração de Jesus da PUC-Rio, padre Arnaldo Rodrigues destacou justamente essa dimensão. “A música, assim como a comunicação, tem a capacidade de reunir, tocar os corações, aproximar pessoas e construir pontes. E não poderia haver maneira mais bela de concluir o seminário de comunicação com esta comunidade, transmitindo por meio da música uma mensagem tão necessária e urgente para o nosso mundo: essa mensagem de paz.”

O concerto também colocou em evidência a colaboração entre orquestras sociais, corais universitários e a Igreja. Vozes e instrumentos diferentes se encontraram em uma mesma apresentação, transformando a diversidade em harmonia. Mais do que uniformidade, a experiência musical apontou para uma convivência em que as diferenças são preservadas, mas encontram na escuta e na cooperação a possibilidade de construir uma obra comum.

Essa compreensão foi ressaltada por monsenhor Marco Frisina. Para o compositor italiano, a música possui uma dimensão profundamente humana e espiritual. “A música nos ensina a ser família, ensina-nos a viver. Ensina-nos também a ser Igreja na nossa diversidade, porque a Igreja é feita de pessoas diferentes, cabeças diferentes e vozes diferentes, mas que juntas fazem uma única sinfonia. O mundo deveria ter mais música e menos guerra, menos violência.”

Monsenhor Marco Frisina também relacionou sua passagem pelo Rio de Janeiro à imagem do Cristo Redentor, que inspirou uma nova composição apresentada pela primeira vez durante o concerto. “Vocês têm a graça e a sorte de viver nesta cidade e ter, de maneira solene no Corcovado, o Salvador com o Seu coração aberto sobre a cidade, que é um sinal de amor e de braços abertos para acolher. Isso me inspirou a escrever: Ele não é só o Salvador do Rio de Janeiro, mas o Salvador do mundo. Canto a Jesus Salvador para que o mundo possa reencontrar a fraternidade que está desaparecendo.”

A estreia da composição dedicada ao Cristo Redentor conferiu ainda um significado histórico à noite, diante da preparação para o centenário do monumento, que será celebrado em 2031. O arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, chamou a atenção para esse marco. “Além disso, a primeira exibição da música do Cristo Redentor, primeira vez que é exibida e que, de certa forma, prepara o centenário do Redentor. Já estamos começando a celebrar, a comemorar, a preparar os 100 anos.”

Dom Orani recordou também a relação entre o monumento e a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, presente desde sua concepção. “O Redentor foi inaugurado pelo Cardeal Sebastião Leme, que, inclusive, tem tudo a ver com o Coração de Jesus, pois ele era muito devoto e quis que, no Redentor, o único sinal que também tem por dentro seja o coração, que tem fora e dentro. Vamos pedir para que essa música seja muito bem cantada nesse centenário, nessa preparação para o centenário do Cristo Redentor.”

O reitor da PUC-Rio, padre Anderson Antônio Pedroso, ressaltou a relação entre a obra do compositor italiano e as Sagradas Escrituras. Segundo ele, a produção do compositor nasce de um profundo conhecimento bíblico e transforma a Palavra em expressão musical. “As composições e tudo o que o Monsenhor Frisina faz vêm da Palavra de Deus, do conhecimento profundo da Palavra de Deus. Ele atualiza a Palavra através da música, e essa fonte de inspiração nos coloca no centro da nossa fé, que é a encarnação do Verbo de Deus: a Palavra se faz carne e, com o monsenhor Marco Frisina, a Palavra se faz música.”

Um dos organizadores do concerto, o maestro Vito Nunziante, que também interpretou como solista “Anima Christi”, destacou o trabalho de preparação realizado pelos diferentes grupos envolvidos. Para ele, participar novamente de uma apresentação conduzida por Marco Frisina representou uma experiência especial. “O Concerto pela Paz foi um motivo de muita alegria, de um privilégio, de uma honra de estar ao lado de uma das grandes referências da música sacra do mundo, que é o monsenhor Marco Frisina.”

Vito Nunziante também ressaltou a mensagem que a apresentação procurou transmitir. “Nós esperamos que esse concerto seja um grande clamor, um grande grito pela paz através das músicas doces e serenas do monsenhor Marco Frisina, que encanta sempre a gente com essas melodias contemplativas.” Ao recordar o encerramento com “Jesus Christ, You Are My Life”, composição conhecida internacionalmente e ligada às Jornadas Mundiais da Juventude, o maestro sintetizou o espírito da noite: “Foi um privilégio, mais uma vez, uma grande honra, uma grande bênção estar nesse momento tão especial, inesquecível, trazendo uma mensagem de fé e de esperança para todos nós.”

Ao reunir universidade, Igreja, músicos, comunicadores e diferentes projetos artísticos em torno de uma mesma mensagem, o Concerto pela Paz encerrou o seminário apontando para um dos grandes desafios da comunicação contemporânea: transformar diferenças em diálogo. Assim como em uma orquestra ou em um coral, a harmonia não nasce do silêncio das diferentes vozes, mas da capacidade de escutá-las e integrá-las. Em um mundo atravessado por guerras, violência e divisões, a apresentação reafirmou a beleza como caminho de humanização e a música como linguagem capaz de fazer da diversidade uma única sinfonia de esperança, fraternidade e paz.

Carlos Moioli

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