Rezemos, com piedade, pelo Papa: A Igreja inteira ao lado de Leão XIV

Rezemos, com piedade, pelo Papa: A Igreja inteira ao lado de Leão XIV
A oração do povo de Deus após o anúncio feito pelo Santo Padre no Ângelus

Neste domingo, 11 de outubro, ao final da oração do Ângelus, na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV contou ao mundo algo que muitos de nós não esperávamos ouvir. Com palavras simples, disse: “Recentemente, durante alguns exames, os médicos encontraram em mim um nódulo circunscrito no pulmão. Foi identificado em uma fase muito inicial e está bem localizado. Os médicos consideram oportuno intervir. E então, seguindo os conselhos deles, decidi me submeter a uma cirurgia para retirá-lo.”

Em seguida, o Santo Padre acrescentou: “Confio-me às suas orações! Bom domingo!”

Quero responder a esse pedido em nome da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Estamos com o amado Papa Leão XIV. Rezamos por ele hoje e rezaremos nos próximos dias. Já determinei que, além das orações habituais, acrescentasse em todas as missas, na oração dos fieis, uma intenção especial pela saúde do Santo Padre. Além disso enviaremos a todas as comunidades uma oração composta especialmente para este fim.

O que sabemos e o que pedimos: Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, por meio do diretor Matteo Bruni, a intervenção está prevista para os primeiros dias da próxima semana, no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma. O período de internação depois da cirurgia deve ser de cerca de uma semana.

São informações claras e é com elas que devemos trabalhar. Peço a todos que evitem boatos e especulações, sobretudo nas redes sociais. O próprio Papa explicou o que lhe foi dito pelos médicos. Cabe a nós acolher a notícia com serenidade, rezar e aguardar as comunicações oficiais. Informar com responsabilidade também é um gesto de caridade.

Um pastor que partilha com a família: Chamou-me a atenção a maneira como o Papa falou. Ele não escondeu o diagnóstico nem o cercou de mistério. Disse o que se passava, explicou que seguiria os conselhos dos médicos e pediu a oração do povo. Foi o gesto de um pai que fala aos filhos sem alarme e sem dramatizar.

Isso me lembra uma verdade da vida da Igreja. Somos uma família, e numa família as coisas importantes não ficam guardadas. Quando alguém da casa precisa de cuidado, todos ficam sabendo e todos se colocam a caminho. O sucessor de Pedro não está acima dessa regra. Está no centro dela.

A Igreja que reza por Pedro: A Escritura Sagrada já mostra essa cena. O livro dos Atos dos Apóstolos – At 12,5 – conta que Pedro estava preso, “mas a Igreja orava continuamente a Deus por ele”. Os cristãos de Jerusalém não tinham poder para abrir as portas da prisão. Tinham a oração, e a ela se agarraram. Nessa mesma passagem, a comunidade estava reunida em oração quando Pedro bateu à porta.

O Senhor também disse a Simão, no Evangelho de Lucas – Lc 22,32 – “Eu rezei por ti, para que tua fé não desfaleça. E tu, depois de te converteres, confirma os teus irmãos”. Cristo confiou a Pedro a missão de confirmar a fé dos irmãos. Em troca, os irmãos sustentam Pedro com a oração. Essa troca é um dos modos como a Igreja se mantém viva e unida.

São Paulo ensina aos Coríntios – 1Cor 12,26 – que, “se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele”. Quando o Papa enfrenta uma cirurgia, não é apenas uma pessoa que precisa de cuidado. É o corpo todo que sente e, por isso, o corpo todo reza.

Unidade que se vê na oração: Meu lema episcopal é Ut omnes unum sint, “para que todos sejam um” – Jo 17,21. O lema do Papa Leão XIV vai na mesma direção: In illo uno unum, “no Único Cristo somos um”. Tenho a graça de ver essas duas frases se encontrarem num momento como este. Em Roma, no Rio, em São Paulo, em Belém, em Curitiba, em qualquer paróquia do Brasil, pessoas de línguas e culturas diferentes dirigem sua oração ao mesmo Senhor por uma mesma intenção. Isso já é comunhão.

Já tinha visto algo parecido em outras ocasiões. Quando a Igreja se reúne para rezar por alguém, as fronteiras diminuem. O Papa em Roma e o fiel que reza o terço numa capela de bairro, longe de qualquer holofote, estão ligados pelo mesmo Cristo.

Como podemos rezar: Muita gente me pergunta o que fazer. Não é preciso nada complicado. Sugiro algumas atitudes concretas:

1 – Rezar o terço pelo Santo Padre, em família, na paróquia ou em silêncio, onde cada um estiver.

2 – Oferecer a Santa Missa pela saúde do Papa, nas comunidades e nos mosteiros, e fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento.

3 – Rezar também pelos médicos e enfermeiros que o acompanham, pedindo que o Senhor guie suas mãos e sua prudência.

4 – Lembrar dos doentes que estão ao nosso lado. Há quem enfrente um diagnóstico difícil neste momento, na nossa rua ou na nossa família, sem que ninguém saiba. A oração pelo Papa pode se tornar visita, telefonema, companhia.

O apóstolo Tiago escreve – Tg 5,14-15 – “Alguém dentre vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará”. A Igreja sempre cuidou dos enfermos com esse gesto. Que o Papa sinta, neste momento, a oração da fé de todo o seu povo.

Confiança e esperança: Rezar não significa ignorar a medicina. O Papa mesmo disse que decidiu seguir o conselho dos médicos. A fé e a ciência caminham juntas, e agradecemos a Deus pelo trabalho de tantos profissionais de saúde que servem com competência e dedicação. Aqui no Rio, e em todo o Brasil, conhecemos de perto o valor desse serviço.

Somos chamados, como lembra o apóstolo Pedro – 1Pd 3,15 – a estar prontos para dar a razão da nossa esperança. A razão da nossa esperança não é a ausência de dificuldades. É a certeza de que o Senhor caminha conosco, inclusive nas salas de cirurgia e nos corredores dos hospitais. Do Cristo Redentor, de braços abertos sobre a nossa cidade, quero tirar esta imagem: ninguém está fora do abraço de Deus, e o Papa também não.

Um convite: Peço que, na próxima semana, em cada comunidade da nossa Arquidiocese, haja um momento de oração pelo Papa Leão XIV como já mencionei acima. Porém, pode ser uma Ave-Maria ao final da Missa, uma intenção na oração dos fiéis, um terço antes da reunião da pastoral. O que importa é que o Santo Padre saiba que não está só.

Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e Nossa Senhora da Penha, tão querida pelo povo carioca, cubram com seu manto o Papa Leão XIV, a equipe médica que o assiste e todos os que sofrem. Que o Senhor lhe conceda a recuperação, a paz e a alegria de continuar servindo a Igreja.

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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