O Engenho de Dentro é um bairro da Zona Norte do município do Rio de Janeiro. Apesar de não ser um dos bairros mais populosos do município, figura entre os mais notáveis, devido à sua extensão geográfica delimitar-se com diversos bairros do Grande Méier e também com a Floresta da Tijuca. Cortado pela Linha Amarela, faz conexão com Jacarepaguá e Barra da Tijuca. No bairro se encontra o Estádio Olímpico Nilton Santos, o Engenhão, em frente à Estação Olímpica Engenho de Dentro. A sua origem remonta à época colonial, quando suas terras sediavam um engenho de açúcar que lhe deu o nome.
O bairro desenvolveu-se na segunda metade do século XIX, a partir da implantação da antiga Estrada de Ferro Pedro II, a Estrada de Ferro Central do Brasil, e é, provavelmente, o mais heterogêneo da região administrativa do Méier.
Esta contextualização define características fundamentais, díspares e, por outras vezes, comuns do bairro, porém, como muitos bairros da zona norte do Rio, o Engenho de Dentro é um bairro de classe média, população idosa e cortado por via férrea.
Em se tratando de um bairro extenso e entrecortado por estrada férrea, o acesso da porção da população à esquerda da estação, à centenária Matriz de Nossa Senhora da Conceição e São José, na Rua Amaro Cavalcanti, somente se tornava possível através da passarela da Estação Engenho de Dentro ou pelo Viaduto de Todos os Santos. Se associar a isto o fato de ter uma população já de certa idade, encontramos um quadro de grande dificuldade e, por conseguinte, esvaziamento dessa parcela do povo das atividades da Igreja.
Atento a isso, o então pároco na época, cônego, depois monsenhor, Antônio Montenegro Aguiar, viu que as pessoas com mais idade tinham dificuldades em atravessar a passarela da estação do Engenho de Dentro para participar das missas. Resolveu então fundar uma capela do outro lado da linha do trem, o lado direito da estação na direção de quem sobe para o bairro de Deodoro, um espaço para atender os anseios daquele povo, contando com a ajuda de Alberto Tourinho de Menezes, mais tarde ordenado diácono permanente, esposo de Teresinha Jorge de Menezes, que era catequista e consócia vicentina. Eles deram, então, início à busca por uma casa que suprisse essa falta.
Foram adquiridos os imóveis situados à Rua Dona Teresa, números 72 e 74. No dia 5 de novembro de 1984, foi assinada a escritura de compra e venda do primeiro terreno da Igreja Jesus Eucaristia, correspondente às casas e terrenos de números 72 e 74 da Rua Dona Teresa, da Freguesia do Engenho Novo, hoje território do Engenho de Dentro. O evento aconteceu no antigo Clube Central, que ficava no terreno ao lado do atual Museu do Trem.
Os terrenos adquiridos, os imóveis situados à Rua Dona Teresa, números 72 e 74, foram destinados à recitação do Terço, catequese e celebração de missa semanal. Durante a assinatura da escritura, o monsenhor Montenegro levou consigo uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, que ficou em cima da mesa, e abençoou com ela os presentes. Estavam presentes Alberto Tourinho de Menezes e sua esposa Teresinha Jorge de Menezes, além de benfeitoras que ajudaram e acompanharam todo o processo.
A imagem de Nossa Senhora de Fátima, considerada copadroeira da comunidade, foi adquirida numa exposição, em junho de 1985, por Antônio, esposo de Tereza, e Alberto Tourinho de Menezes. A primeira coroa da imagem foi doada por Ruth Gomes Tito, que morava no condomínio em frente à igreja. A coroa atual já é a quarta que orna a imagem da copadroeira.
A casa no número 74 tinha uma famosa varanda, onde foram celebradas as primeiras missas e coroações de Nossa Senhora de Fátima, usando como altar uma porta, coberta com uma toalha branca, e como fundo uma colcha branca com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que tinha os dizeres: “Fátima, altar do mundo”. A primeira missa foi presidida pelo monsenhor Antônio Montenegro, em janeiro de 1985. Nos fundos existia uma piscina, que foi aterrada, onde hoje é a quadra usada para festas e reuniões.
Com o crescente número de fiéis presentes às missas semanais na pequena casa da Rua Dona Teresa, 74, ainda entre os anos de 1985 e 1990, foi construída uma pequena capela, cujo padroeiro era o próprio Cristo Eucarístico. Foi monsenhor Montenegro que deu o nome de Igreja Jesus Eucaristia à nova capela, nascendo, assim, a única Igreja Jesus Eucaristia da arquidiocese. Os bancos da capela, que até hoje são usados nas missas, foram feitos por Alberto Tourinho de Menezes.
Vale destacar, ao que consta, só existe, no Brasil, mais uma igreja denominada Igreja de Jesus Eucaristia. Ela foi inaugurada em 1998, pelo Movimento dos Focolares, que contou com a presença de sua fundadora Chiara Lubich. A igreja fica situada na Casa dos Sacerdotes Mariápolis Ginetta, na cidade de Vargem Grande Paulista (SP)
Em 2005, monsenhor Gustavo José Cruz Auler foi nomeado pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, em substituição ao monsenhor Antônio Montenegro, que se tornara emérito e que ficou residindo na casa paroquial, sendo cuidado por monsenhor Gustavo. Aos poucos, o novo pároco foi conhecendo a realidade da Capela Jesus Eucaristia e o desejo da comunidade em crescer cada vez mais e expandir a sua área. Ele foi percebendo que a pequena capela, onde eram celebradas as missas, já não comportava mais a presença dos fiéis que participavam da Eucaristia. Era preciso que voluntários, todos os domingos, desde o tempo do monsenhor Antônio Montenegro, colocassem bancos do lado de fora da capela, bem como lonas, para proteger do sol e, assim, acolher os fiéis que vinham participar das missas.
Em 2005, monsenhor Gustavo José Cruz Auler assumiu o pastoreio da Paróquia Nossa Senhora da Conceição e São José, em substituição ao monsenhor Antônio Montenegro, que na época, se tornou emérito. Uma das iniciativas do novo pároco foi comprar, ao longo dos anos, outros terrenos contíguos ao da capela, junto com o esforço incansável da comunidade, conseguido através do dízimo, doações, e realização de eventos.
Os terrenos que foram anexados são:
- a) Imóvel constituído de prédio e terreno sito à Rua Dona Teresa, número 70. Era o imóvel onde estava o salão paroquial e a cantina, hoje, derrubado. Data: 6 de fevereiro de 1985.
- b) Imóvel constituído por prédio e terreno sito à Rua Dona Teresa, número 68. Era o imóvel da esquina, onde estava o bazar e o terreno que chamávamos de “anexo”, onde existia a cozinha e a salinha dos vicentinos, hoje, derrubado. Data: 28 de outubro de 2013.
- c) Imóvel constituído por prédio e terreno sito à Rua Teixeira Bastos, número 38. Era o imóvel onde residia monsenhor Gustavo, hoje, derrubado. Data: 7 de novembro de 2013.
- d) Imóvel constituído por prédio e terreno sito à Rua Teixeira Bastos, número 36. É o imóvel onde hoje está localizado o salão para reuniões, encontros, festas, que foi, recentemente, batizado de Salão Padre Montenegro.
Durante esses anos, vários padres passaram e residiram na matriz e na capela, a começar pelo próprio monsenhor Antônio Montenegro.
O padre Walter de Jesus Miranda foi uma das pessoas mais acolhedoras que por lá passaram. Suas deficiências físicas (um derrame lhe retirou o pleno comando de uma perna e uma vista) lhe impediam de subir escadas, porém sua grande simpatia fez com que a comunidade se tornasse ainda mais fraternal. Após 12 anos de residência, ele foi solicitado e aceitou ir morar na Fazenda das Arcas, em Itaipava, de propriedade do Seminário Arquidiocesano de São José.
O primeiro sacerdote responsável pela Capela Jesus Eucaristia foi monsenhor Montenegro, depois monsenhor Gustavo Auler, até a criação da paróquia. Neste período, muitos sacerdotes, vigários paroquiais ou estudantes de outras dioceses residiram e trabalharam na comunidade. São eles:
– Padre André Luiz Teixeira de Lima
– Padre Antônio Carlos Sulino Pinto, proveniente da cidade de Itapipoca (CE), veio para estudar por três anos, porém faleceu no seu último ano de estudo.
– Padre Alexandre de Freitas Cortizo, que ficou quatro anos como vigário paroquial. Em 2009, ele criou uma campanha chamada “Jesus ajuda a Baixada”, na qual foram arrecadados alimentos, roupas e brinquedos para os desabrigados de Duque de Caxias, por conta de uma enchente.
– Padre Pedro José Nogueira.
– Padre Flávio Gomes dos Santos, proveniente da Arquidiocese de Manaus (AM), que veio fazer sua pós-graduação em Psicologia e Direito Canônico e deu início à Pastoral Familiar na comunidade.
– Padre Ricardo Gonçalves Castro, da Arquidiocese de Manaus, estudante.
– Padre Marcioni Cardoso Scheffer, capelão do Hospital Naval Marcílio Dias.
– Padre Glauberto Alves de Oliveira, da Diocese de Iguatu (CE), estudante.
– Padre Marcos Antônio de Santana, vigário paroquial.
– Padre Wagner Fernandes Marques da Silva, vigário paroquial.
– Padre Damião Conceição de Souza Borges, estudante.
– Padre Marcos Paulo Talon de Oliveira, vigário paroquial.
Em 2011, o então diácono Hélio Pereira Machado Júnior iniciou o exercício do seu ministério na comunidade, compondo, assim, o clero da paróquia.
Em março de 2017, a comunidade recebeu a doação de um altar, ambão e sacrário oferecidos pelo Colégio Nossa Senhora da Piedade, do Encantado, dirigido pelas Irmãs Servas do Espírito Santo, na época de seu fechamento em 31 de dezembro de 2016. A comunidade recebeu, ainda, as relíquias de Santa Maria Goretti, que foram devidamente encaminhadas para a Paróquia Nossa Senhora do Amparo e Santa Maria Goretti, em Cascadura, e solenemente entregues na festa da santa, em 6 de julho de 2017.
Também em 2017, a comunidade recebeu a doação de uma porta de entrada da capela do antigo Colégio Santa Rosa de Lima, de Botafogo, que havia encerrado suas atividades, em dezembro de 2016. Esta porta é, hoje, a porta de entrada da Paróquia Jesus Eucaristia.
No dia 2 de janeiro de 2018, começou a demolição das casas para dar lugar ao novo templo.
No dia 18 de março de 2018, foi celebrada a última missa na capelinha da Igreja Jesus Eucaristia, presidida pelo pároco, monsenhor Gustavo Auler, concelebrada por padre José Wallace Pinheiro Neto, da Diocese de Iguatu, auxiliados pelo diácono Hélio Júnior.
No dia 6 de maio de 2018, a comunidade recebeu a visita de padre Aldo de Souto Santos, vigário episcopal do Vicariato Norte, que consagrou as obras da construção a Nossa Senhora de Fátima.
No dia 30 de maio de 2018, o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, presidiu Santa Missa do tríduo de Corpus Christi, e, ao final, foi apresentado aos fiéis presentes o estudo do projeto da construção da nova igreja, que foi acolhido com alegria por todos.
Em junho de 2020, só existia de pé a velha quadra dos fundos da Rua Dona Teresa, 74, onde eram celebradas as missas, e a casa da Rua Teixeira Bastos, 36, onde ainda funciona provisoriamente a secretaria, capela do Santíssimo, cozinha e depósitos diversos, além de sala para catequese de adultos e crianças. Os demais imóveis foram demolidos, e foi feita a unificação dos terrenos, para início das obras de construção do novo templo.
Foi alugado provisoriamente o terreno ao lado, onde estava localizada a Conferência Vicentina Jesus Eucaristia, a sala de atendimento do cardiologista Cláudio Sales e mais duas salas que funcionam como depósito. Após algum tempo, o terreno foi entregue, e alugada uma casa na esquina das ruas Teixeira Bastos e Dona Teresa, onde foi instalado o consultório do cardiologista e o depósito da equipe de decoração. A sala dos vicentinos passou então para a casa da Rua Teixeira Bastos, 36.
A comunidade foi trabalhando com festas, almoços e bazar para começar a obra. Após o reforço do terreno para não abalar a casa ao lado, em 10 de março de 2021, começou a escavação para instalação das fundações no terreno, sendo que a primeira laje (chão da construção) foi concluída em 18 de julho de 2021.
Em abril de 2024, foi colocado o telhado, celebrando-se, pela primeira vez, dentro do novo templo, na Festa de Corpus Christi, com missa presidida por Dom José Ubiratan Lopes, bispo emérito de Itaguaí (RJ).
Eduardo Coimbra e diácono Hélio Júnior