A celebração dos 110 anos da Paróquia Santa Teresa de Jesus, no tradicional bairro de Santa Teresa, ganhou um significado ainda mais especial para a comunidade católica do Rio de Janeiro. No dia 2 de agosto de 2026, a igreja matriz foi elevada à condição de Santuário Arquidiocesano de Santa Teresa de Jesus, ampliando sua missão para além dos limites paroquiais e tornando-se referência de peregrinação, oração, cultura, educação e evangelização para toda a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.
A Santa Missa que marcou a elevação canônica foi presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, e concelebrada pelo vigário episcopal do Vicariato Urbano, padre Wagner Toledo, e por diversos sacerdotes. Os participantes foram acolhidos pelo pároco, padre Vitor Aguillar da Silva, e pelo vigário paroquial, padre Hygo do Nascimento.
Um dia histórico para a comunidade
Logo no início da celebração, padre Vitor destacou a importância daquele momento para a história da comunidade. “É uma alegria acolher nosso arcebispo, Dom Orani, junto também com os demais sacerdotes, neste dia feliz, em que celebramos, na Santa Missa em ação de graças, os 110 anos da nossa Paróquia Santa Teresa de Jesus, bem como este dia histórico de elevação canônica”, afirmou.
Uma missão que ultrapassa os limites da paróquia
Ao apresentar as razões que levaram à criação do novo santuário, Dom Orani recordou que a nova condição não substitui a missão paroquial, mas acrescenta a ela uma responsabilidade de alcance arquidiocesano. A partir da elevação, a igreja passa a assumir, de maneira ainda mais intensa, a missão de acolher peregrinos e promover iniciativas relacionadas à espiritualidade de Santa Teresa de Jesus, à cultura e ao ensino.
“É um trabalho que se soma ao trabalho que já existe para servir à Arquidiocese do Rio nessa grande missão de evangelizar, tanto no campo da educação como também da cultura em nossa cidade”, ressaltou Dom Orani. O arcebispo também destacou a dimensão contemplativa da santa espanhola e sua contribuição para a reforma do Carmelo, lembrando que a espiritualidade teresiana conduz à oração e ao encontro com Deus. “O santuário é arquidiocesano, extrapola os limites da paróquia”, explicou.
Durante a celebração, padre Vitor Aguillar fez a leitura do decreto canônico que oficializou a elevação. Após a proclamação do documento, Dom Orani anunciou formalmente a criação do novo santuário e informou que o pároco passa também a exercer a função de reitor.
“Com a leitura desse decreto, está criado o 27º Santuário Arquidiocesano de nossa Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro”, declarou o arcebispo. Dom Orani manifestou ainda o desejo de que a devoção a Santa Teresa de Jesus, especialmente sua vida de oração e sua relação com a cultura e a educação, fecunde a atuação pastoral do santuário. O novo status amplia sua abrangência para todo o território arquidiocesano e o consolida como lugar de “peregrinação, de oração, de presença, de diálogo com a cultura e com o ensino”.
Evangelizar pela acolhida
Na homilia, Dom Orani refletiu sobre o significado dos 110 anos de presença da comunidade no bairro de Santa Teresa. Para ele, a trajetória da paróquia se confunde com a própria história do bairro, marcado não apenas pela igreja, mas também pela presença do convento das Carmelitas e pela devoção à santa que deu nome à região.
“Celebrar 110 anos da existência de uma paróquia é uma história que marca um bairro, como ficou marcado esse bairro com o nome de Santa Teresa, ligado à paróquia e também ao Convento de Santa Teresa”, afirmou. Segundo Dom Orani, ao longo de mais de um século, a comunidade tornou-se lugar de evangelização, acolhimento, celebração dos sacramentos e assistência às pessoas mais necessitadas. Com o passar dos anos, determinadas devoções e atividades ultrapassaram a dimensão estritamente paroquial, justificando o reconhecimento de uma missão mais ampla.
A partir das leituras proclamadas na celebração, o Cardeal Orani relacionou a missão do novo santuário às diferentes formas de “fome” presentes na sociedade contemporânea. Além das necessidades materiais, existem, segundo ele, a fome de Deus, de oração, de cultura orientada para o bem e de uma educação fundamentada em valores capazes de contribuir para uma sociedade melhor.
Nesse contexto, a localização do santuário também adquire um significado particular. Situada no alto de Santa Teresa, em uma região marcada pela arte, pela cultura, pelo turismo e pela história, a igreja é chamada a ser um espaço de silêncio, contemplação e encontro com Deus em meio à dinâmica da grande cidade.
“A fome que se sente é também daqueles que têm a questão da cultura, a questão também da educação”, observou. Para o arcebispo, uma cultura bem orientada e um educação comprometida com valores podem “ajudar o mundo a ser melhor”. Essa missão encontra inspiração na própria Santa Teresa de Jesus, mística, doutora da Igreja e reformadora do Carmelo, cuja experiência espiritual permanece como convite à oração e à intimidade com Deus.
A nova condição traz também uma responsabilidade especial para os paroquianos. Além de participarem da vida sacramental e pastoral da comunidade, eles passam a exercer, de forma ainda mais intensa, a missão de acolher aqueles que chegam ao local como peregrinos.
“Os santuários também evangelizam sabendo acolher bem as pessoas, sabendo receber os irmãos e irmãs que vêm, mesmo aqueles que não são muito conscientes da sua fé, para poder ajudá-los ao encontro com o Senhor”, explicou o arcebispo.
Centro de irradiação da misericórdia de Deus
Ao final da celebração, padre Vitor Aguillar ressaltou que a criação do santuário ajuda a comunidade a compreender ainda mais profundamente sua própria identidade. O sacerdote lembrou que Santa Teresa recebe pessoas de diferentes lugares, entre moradores, turistas, peregrinos, profissionais da educação e devotos que procuram conhecer melhor a espiritualidade teresiana.
“Um santuário é, por natureza, um lugar sagrado, mas ainda um centro de irradiação da misericórdia de Deus, onde as pessoas vêm, recebem bênçãos, recebem os sacramentos e voltam para suas casas como missionários”, afirmou o pároco. Para ele, a sólida devoção a Santa Teresa de Jesus, construída ao longo de 110 anos, foi determinante para o reconhecimento concedido pelo arcebispo. A elevação representa, ao mesmo tempo, o reconhecimento de uma história centenária e um estímulo para o futuro da evangelização.
Santuário de portas abertas e em missão
O vigário episcopal do Vicariato Urbano, padre Wagner Toledo, também destacou a dimensão missionária da nova etapa. Segundo ele, a presença de mais um santuário fortalece a atuação evangelizadora da Igreja em uma região da cidade caracterizada pela diversidade cultural, artística e religiosa.
“É uma igreja de portas abertas, que também sai, já que justamente esse nosso bairro reúne, congrega tantas coisas: a cultura, a arte, a vivência, a espiritualidade de Santa Teresa, que toca a cada um de nós, mas que precisa cada vez mais dialogar e atrair esse pessoal para o coração de Deus”, disse.
Padre Wagner desejou que a comunidade avance em sua “ofensiva evangelizadora” e ressaltou que o santuário deve ser não apenas propagador da devoção, mas também fomentador da missão e da evangelização no bairro.
Presente e o futuro
Antes da bênção final, Dom Orani voltou a destacar os desafios da evangelização em uma cidade em permanente transformação. Para ele, o crescimento urbano exige da Igreja criatividade para multiplicar sua presença e proporcionar às pessoas espaços próximos onde possam ouvir a Palavra de Deus, participar da Eucaristia e viver a experiência comunitária da fé.
Ao relacionar os 110 anos da paróquia com a nova etapa inaugurada naquele dia, o arcebispo sintetizou o sentido histórico da celebração: “Há 110 anos lembra o passado, mas o santuário lembra o presente e o futuro”.
Dom Orani apontou ainda o caminho que deverá orientar a comunidade: reconhecer os novos desafios da evangelização e seguir “com renovado ardor, como discípulos missionários, uma Igreja aberta a todos e em saída para todos”.
Carlos Moioli