Arquidiocese do Rio ganha 75 novos Ministros da Consolação e Esperança

No dia 10 de outubro, a Catedral de São Sebastião acolheu o Encontro do Pastor com os Ministros Extraordinários da Consolação e Esperança da Arquidiocese do Rio de Janeiro. A celebração, presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, teve como objetivos fortalecer a unidade e a comunhão entre os integrantes do ministério, realizar a investidura de 75 novos ministros e proporcionar um momento de encontro e proximidade com seus pastores.

Participaram da celebração ministros de diversos vicariatos episcopais, familiares e a coordenação arquidiocesana do Ministério da Consolação e Esperança, composta pelo bispo referencial, Dom Tiago Stanislaw; pelo assistente eclesiástico, padre Niraldo Lopes de Carvalho; pela coordenadora, Regina Marchese; e pelo vice-coordenador, diácono Carlos Alexandre Souza de Aguiar.

Com os novos integrantes, a Arquidiocese passa a contar com aproximadamente 700 ministros dedicados ao atendimento nos cemitérios da cidade, além de cinzários e ossuários paroquiais. A missão consiste em acompanhar pessoas que enfrentam a morte de um ente querido, conduzir as orações pelos falecidos e oferecer às famílias uma presença de escuta, solidariedade e consolo, fundamentada na fé na ressurreição e na vida eterna.

A celebração integrou o ano jubilar em que a Catedral de São Sebastião comemora os 50 anos de transferência para a atual sede, em sintonia com os 450 anos da Prelazia e os 350 anos da criação da Diocese do Rio de Janeiro. Na igreja jubilar, a participação no Sacramento da Reconciliação, a Sagrada Comunhão e a oração nas intenções do Papa Leão XIV estiveram associadas à possibilidade de receber a indulgência plenária, observadas as condições estabelecidas pela Igreja. A missa também incluiu preces pelo 30º dia de falecimento de João Monteiro de Barros Filho, fundador da Rede Vida de Televisão, recordando sua contribuição à evangelização pelos meios de comunicação católicos no Brasil.

Responsabilidade eclesial

Antes da homilia, durante o rito inicial de admissão, o assistente eclesiástico do Ministério da Consolação e Esperança, padre Niraldo Lopes de Carvalho, apresentou os candidatos e atestou sua preparação diante do arcebispo. “Apresentaram-se para o ministério, foram referendados pelos respectivos párocos e vigários episcopais, fizeram a preparação exigida e conhecem as determinações concernentes ao ministério que desejam assumir”, declarou. A apresentação evidenciou o vínculo dos novos ministros com suas comunidades e a responsabilidade eclesial do serviço assumido.

Após a homilia, 13 novos ministros, representando os 13 vicariatos da Arquidiocese, receberam das mãos do arcebispo uma cruz, sinal da missão assumida, que deverão usar sempre que estiverem em serviço junto às famílias nos cemitérios.

Presença da Igreja junto às famílias enlutadas

Na homilia, Dom Orani destacou o valor dos leigos dedicados a essa atividade pastoral, apresentando o trabalho nos cemitérios como uma extensão da presença da Igreja junto às pessoas que sofrem a separação física de seus familiares. Ao reconhecer a atuação dos sacerdotes e diáconos, ressaltou que os ministros leigos asseguram um acompanhamento constante nos locais de sepultamento, oferecendo acolhida em momentos especialmente difíceis.

“São os ministros da Consolação e da Esperança que permanecem em vigília, de plantão nas manhãs e nas tardes nos cemitérios de nossa cidade, para acolher a todos aqueles que necessitam de celebrar a vida, a esperança e a consolação nos momentos de sepultamento dos seus entes queridos”, afirmou. A dedicação e a disponibilidade para estar ao lado das famílias foram ressaltadas como expressões concretas do cuidado pastoral.

O arcebispo explicou que a atuação nos cemitérios municipais e comunitários ultrapassa a condução das orações de exéquias. Trata-se também de uma oportunidade de catequese e evangelização, na qual a Igreja anuncia sua fé e acompanha as perguntas e inquietações despertadas pela morte. Ao relacionar a missão às leituras do dia, que recordavam a unidade de todos em Cristo Jesus e a bem-aventurança daqueles que ouvem e praticam a Palavra de Deus, destacou a ressurreição como fundamento da esperança oferecida aos enlutados.

“Cremos na vida eterna, que, após a morte, nossos olhos serão abertos para a eternidade, enquanto aguardamos o final dos tempos para a ressurreição final”, disse. Para Dom Orani, esse testemunho produz frutos que alcançam a sociedade, favorecendo a fraternidade, o diálogo e a justiça. O serviço realizado em um momento de fragilidade humana expressa o compromisso cristão com a dignidade de cada pessoa e com a solidariedade.

Ao agradecer aos integrantes do ministério, o arcebispo reconheceu sua atuação em nome da Igreja local. “Bendigo a Deus por quase 700 Ministros Extraordinários da Consolação e da Esperança que, em nosso nome, em nome da Arquidiocese, são a presença da Igreja nesses momentos de dor na vida de nosso povo”, declarou.

Na oração de bênção e investidura, pediu que os novos ministros fossem fortalecidos em seu propósito: “Para que, impulsionados pelo vosso Espírito Santo e tendo Cristo Jesus como modelo e meta, conduzam com zelo, fé e piedade as orações pelos falecidos, acolham com solidariedade seus irmãos e irmãs enlutados e anunciem a vida eterna, a misericórdia, a esperança e a paz”.

A cruz como sinal do envio missionário

Ao final da celebração, o bispo auxiliar e referencial arquidiocesano para o ministério, Dom Tiago Stanislaw, dirigiu-se aos novos investidos e aos demais participantes. Sua reflexão destacou o significado do crucifixo entregue pelo arcebispo aos representantes dos 13 vicariatos episcopais da Arquidiocese. O bispo recordou a tradição de entregar a cruz aos missionários como sinal de sua ligação com Cristo e da missão recebida da Igreja.

“Peguem esta cruz que vocês têm no seu peito. Na longa tradição da Igreja, sempre os missionários, quando eram enviados em missão, recebiam a cruz para entender que estavam indo em nome de Cristo a todos os lugares onde a Igreja os enviava”, afirmou. O crucifixo foi apresentado como um sinal que recorda ao ministro a quem pertence e em nome de quem se aproxima das famílias.

Dom Tiago reconheceu as exigências emocionais e espirituais da atuação nos cemitérios e destacou a centralidade do mistério pascal. “Nós entendemos que cemitério não é um lugar fácil, mas vocês são enviados para cumprir a sua missão. Toda a nossa esperança está na Cruz de Cristo; a partir dela nasceu a certeza da vida eterna, do amor de Deus que nos salva”, ressaltou. Diante do sofrimento, a cruz orienta o anúncio de uma esperança sustentada pelo amor de Deus.

Como preparação para cada jornada, o bispo sugeriu um gesto simples de oração: tomar o crucifixo e beijá-lo antes de iniciar o atendimento. “Quero começar aquele meu serviço de hoje com amor ao Senhor, dando amor aos outros”, disse, ao expressar a intenção que deve acompanhar esse gesto. A orientação vinculou a espiritualidade pessoal ao cuidado oferecido às pessoas, lembrando que o serviço pastoral se alimenta da comunhão com Cristo.

Acolher a dor e semear esperança

Em sua mensagem, o assistente eclesiástico do ministério, padre Niraldo Lopes de Carvalho, ressaltou a importância do acolhimento às famílias que enfrentam a perda de seus entes queridos. “O objetivo de nosso ministério é ser presença do amor de Deus junto às famílias, primeiramente acolhendo-as nas mais diversas realidades que encontramos”, afirmou.

O sacerdote destacou a responsabilidade de cada ministro e ministra diante do sofrimento das famílias. “É de vocês a responsabilidade de ser presença do amor de Deus na vida de pessoas que estão vivendo os piores momentos: a perda de um familiar, a perda de um filho, a perda de uma mãe”, declarou. Diante dessas situações, o ministro está ali “para, em nome da Igreja, colocar naquele coração uma semente de esperança”.

Padre Niraldo também lembrou as dificuldades encontradas no exercício dessa missão. “A missão de vocês é uma missão extremamente sublime. Vocês vão estar cumprindo à risca o Evangelho do Senhor, que diz para irmos ao encontro dos que sofrem”, afirmou.

Por fim, incentivou os integrantes a viverem esse serviço como um caminho de santificação, entrega e confiança no Senhor. “Coloque todo o empenho, todo o amor em cada plantão, em cada celebração de exéquias. Use do seu ministério para alcançar para você a morada celestial”, exortou.

A missa marcou ainda o envio missionário antecipado para o Dia de Finados, em 2 de novembro. Nos cemitérios do Rio de Janeiro, os ministros terão o compromisso de acolher as famílias enlutadas e anunciar o Cristo Ressuscitado.

A investidura dos novos integrantes e a renovação dos compromissos reforçaram a continuidade dessa presença da Igreja junto aos que sofrem, unindo oração, solidariedade e esperança.

Carlos Moioli

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