A Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro do Rio de Janeiro, acolheu, no dia 8 de agosto, o Encontro dos Diáconos com o Pastor, presidido pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta. Realizada por ocasião da memória de São Lourenço, padroeiro dos diáconos, celebrada em 10 de agosto, a iniciativa reuniu diáconos permanentes, candidatos ao diaconato, familiares, sacerdotes, bispos e agentes da Pastoral Familiar. Durante a celebração, 27 candidatos da Escola Diaconal Santo Efrém foram admitidos às ordens sacras, dando mais um passo no caminho de formação para o ministério diaconal.
O encontro ocorreu no contexto do Mês Vocacional e aproximou duas dimensões que fazem parte da realidade do diaconato permanente: a vocação ao ministério ordenado e a vida matrimonial e familiar. A celebração também marcou, na Arquidiocese do Rio de Janeiro, a abertura da Semana Nacional da Família 2026, que tem como tema “Família, torna-te aquilo que és!” e como lema “O amor jamais acabará” (1Cor 13,8).
Na acolhida aos participantes, Dom Orani destacou justamente essa convergência. O arcebispo lembrou que a Igreja encerrava a semana dedicada às vocações aos ministérios ordenados e iniciava a semana voltada à vocação matrimonial, ressaltando a presença dos diáconos permanentes e de suas famílias.
“Somos chamados a viver cada vez mais a nossa vocação, dando testemunho e assumindo a missão que Deus nos confia”, afirmou o arcebispo.
A Arquidiocese do Rio conta atualmente com 310 diáconos permanentes provisionados, conforme informou Dom Orani durante a celebração. O número demonstra a presença expressiva do ministério diaconal na Igreja do Rio de Janeiro, em atividades arquidiocesanas, vicariais e paroquiais. Ao recordar que grande parte desses homens também vive a vocação matrimonial, o arcebispo ressaltou o testemunho representado pela conciliação entre família, profissão, vida comunitária e serviço ministerial.
Candidatos
Um dos momentos centrais da celebração foi o rito de admissão às ordens sacras dos 27 candidatos da Escola Diaconal Santo Efrém. São eles: Alberto Marques Teixeira, Alex da Silva Siqueira, Alexandre Ferreira Gomes, Allan Santos Nascimento, Carlos André Barbosa Nascimento, Carlos Virgílio de Souza, Cláudio Gualberto Dias, Clebio Bragança Valeriano, Derval Silva de Oliveira, Eduardo Pereira de Deus, Fernando Gonçalves, Germano Américo dos Santos, Glaucio Veloso dos Santos Souza, Gurmercindo Dias Bicaco Filho, Hans Iurique Teixeira, Jeandro Fonseca de Assis, João Raphael de Matos Guedes, Jorge Luís Ferreira da Silva, Leandro Avelar de Lima, Marcelo Fraga Castilhori, Marcelo Mandarino Guapyassú de Sá, Márcio Montenegro, Mário Luís Marques Salgado, Rafael Cabo Pinto Fagundes, Ronaldo Bernardo Pinto, Thiago Maciel Fernandes e Wesley Leonardo Fariseu Bonfim.
A admissão representa uma etapa significativa do discernimento e da preparação dos candidatos, que seguem o percurso formativo antes da ordenação.
Missão é servir a Cristo
O bispo auxiliar e referencial da Escola Diaconal Santo Efrém, Dom Joselito Ramalho Nogueira, relacionou o ministério à identidade de uma Igreja chamada a servir. Para ele, a formação deve levar os futuros diáconos a crescer na fé e no amor, tornando-se sinais de Cristo servidor.
“Que esses nossos irmãos continuem se esforçando para crescer nesse caminho de serviço a Deus, aos irmãos e à Igreja”, disse Dom Joselito.
O caráter essencialmente servidor do diaconato também foi ressaltado pelo bispo auxiliar Dom Roque Costa Souza, referencial da Comissão Arquidiocesana para o Diaconato Permanente (Cadiperj). Ao agradecer pelo dom da vocação diaconal e pelo trabalho desenvolvido na formação dos candidatos, ele recordou que o modelo do diácono é o próprio Cristo, especialmente no gesto do lava-pés.
“Olhamos o diaconato desde a sua origem: esse serviço de sermos servos e servidores como Jesus. O modelo que nós temos é Jesus no lava-pés”, destacou o bispo auxiliar.
Segundo Dom Roque, essa diaconia não se limita ao espaço interno da Igreja, mas deve alcançar a sociedade. A formação vocacional, portanto, está diretamente relacionada à dimensão missionária: quem discerne um chamado é preparado para ser enviado e para servir às necessidades concretas do povo de Deus.
A importância da formação também esteve presente nas palavras do monsenhor Jorge André Pimentel Gouvêa, coordenador da Cadiperj e diretor da Escola Diaconal Santo Efrém. Dirigindo-se especialmente aos admitidos, ele pediu que preservassem a disposição inicial que os levou a responder ao chamado de Deus e advertiu que o exercício de uma função eclesial somente encontra sentido quando permanece vinculado ao serviço.
“Que nunca se perca o primeiro amor, porque, quando ele está diante dos nossos olhos, lembramos sempre que a nossa missão é servir a Cristo”, afirmou monsenhor Jorge André.
Ele também agradeceu aos diáconos pelo trabalho realizado nas comunidades, muitas vezes de maneira discreta e conciliado com as responsabilidades familiares. Aos candidatos, recordou que a caminhada de preparação não termina com a admissão, mas prossegue por meio da formação, do discernimento e da entrega à missão evangelizadora.
O presidente da Cadiperj, diácono Manuel Augusto da Silva Nunes, chamou a atenção para um dos desafios próprios do diaconato permanente: harmonizar o ministério ordenado com a vocação familiar. Segundo ele, a presença das esposas e dos filhos é parte importante desse caminho. O diácono também destacou a proximidade pastoral de Dom Orani com o diaconato permanente da Arquidiocese e informou que, dos 310 diáconos do Rio, 249 foram ordenados pelo atual arcebispo.
“Temos um grande desafio, que é o equilíbrio entre o diaconato, o ministério ordenado e o ministério familiar, mas contamos com a graça de Deus e a intercessão de São Lourenço”, ressaltou.
Semana Nacional da Família
A celebração também abriu oficialmente a Semana Nacional da Família na Arquidiocese do Rio. O bispo auxiliar emérito e referencial da Pastoral Familiar, Dom Antonio Augusto Dias Duarte, refletiu sobre o tema “Família, torna-te aquilo que és!”, apresentando a família como espaço de vida, formação, amor, comunhão e transmissão da fé.
“A família é o retrato da Santíssima Trindade, porque Deus, no seu mistério, é comunhão de pessoas unidas pelo amor”, afirmou.
Dom Antonio destacou que o chamado à comunhão não significa ausência de dificuldades. Ao contrário, as famílias enfrentam obstáculos e crises, mas são convidadas a buscar relações marcadas pela paz, pelo respeito, pela alegria e pelo amor. Ao recordar a passagem bíblica de Lídia, comerciante de púrpura que acolheu São Paulo e abriu sua casa à evangelização, Dom Antonio ressaltou ainda a capacidade missionária da família cristã, chamada a ser ponte para outras famílias e para uma sociedade marcada por divisões.
Representando a coordenação arquidiocesana da Pastoral Familiar, o casal César e Solange reforçou a dimensão missionária da Igreja doméstica. Segundo os coordenadores, é no ambiente familiar que a experiência cristã ganha raízes para, posteriormente, transformar-se em testemunho e serviço aos outros.
“É através da Igreja doméstica que nos fortalecemos para sair em missão e encontrar aquelas famílias que ainda não conhecem o caminho, a verdade e a vida”, afirmaram.
Serviço que se transforma em missão
Ao final da celebração, Dom Orani retomou a união entre as duas vocações evidenciadas no encontro: o ministério ordenado e a vida matrimonial. O arcebispo agradeceu aos bispos, sacerdotes, formadores, diáconos, esposas e familiares que colaboram para que o diaconato permanente seja uma presença atuante na Arquidiocese. Também ressaltou a importância da Escola Diaconal Santo Efrém na preparação de homens que se colocam à disposição da Igreja após um longo período de formação.
“Somos gratos a Deus pela vocação de cada diácono, pelo desdobramento de sua missão, pelo amor à Igreja e pelo serviço que desempenha nesta Igreja particular de São Sebastião do Rio de Janeiro”, destacou.
Ao abordar a Semana Nacional da Família, o arcebispo pediu que paróquias, foranias e vicariatos promovam iniciativas de formação, celebração e reflexão. Para Dom Orani, o trabalho pastoral não deve permanecer voltado apenas para quem já participa da vida eclesial: “é necessário anunciar à sociedade a importância da família e dos valores que favorecem a convivência, a responsabilidade, a abertura à vida e a formação das novas gerações.”
O encontro realizado na Catedral reuniu diferentes expressões de uma mesma Igreja chamada ao serviço. De um lado, diáconos que exercem o ministério em comunidades e diversas frentes pastorais; de outro, homens que deram mais um passo no discernimento de sua vocação. Ao lado deles, esposas, filhos e agentes da Pastoral Familiar recordaram que ministério, família e missão não constituem realidades isoladas.
Carlos Moioli