Colégio São Paulo, no Rio de Janeiro, 100 anos de educação para a vida

A Congregação das Angélicas de São Paulo foi fundada por Santo Antonio Maria Zaccaria, na cidade de Milão (Itália), tendo sido o Breve de Aprovação dado pelo Paulo III, no dia 15 de janeiro de 1535.

Antecipando muito os tempos atuais, ele quis suas “filhas” (Angélicas) não enclausuradas, como era o costume da época, mas colaboradoras dos Padres Barnabitas no apostolado direto com o povo de Deus.

Santo Antonio Maria colocava a oração como fundamento desse apostolado. Na vida de união com Deus, as Angélicas recebiam as forças para anunciá-lo aos irmãos. Como anjos, contemplativas e ativas, são mensageiras do amor de Deus. “Correr como loucas a Deus e ao próximo” eram as palavras de ordem do Santo Fundador.

Ao anunciar a primeira missão, após a fundação, escreveu: “Queridas, filhas, desfraldai as vossas bandeiras que, dentro em breve, o Crucificado mandar-vos-á anunciar a viveza espiritual e o espírito vivo, por toda parte”. (Carta V).

Toda essa carta transborda de alegria, na expectativa de ver suas filhas compartilhando de seu grande sonho: “A renovação do fervor cristão”.

Influenciadas pelo espírito do Fundador e atentas aos apelos da Igreja e dos tempos, atuaram nas diferentes áreas de evangelização. Teriam continuado, admiravelmente, seu apostolado, se o Concílio de Trento não houvesse imposto clausura papal às Religiosas.

Desde 1919, passaram novamente à vida ativa, tendo o programa espiritual apostólico mantido, até hoje, o mesmo traçado pelo Santo Fundador: “Levar a vivacidade espiritual e o Espírito vivo por todo lugar”.

 

Angélicas no Brasil

No ano de 2022 as Irmãs Angélicas de São Paulo com a graça de Deus e intercessão de Santo Antonio Maria  Zaccaria comemoram 100 anos de sua presença no Brasil.

Eis como tudo transcorreu: No dia 06 de maio de 1922, chegava a Baía de Guanabara, após uma viagem feliz, o Duque de Aosta, trazendo a seu bordo quatro Religiosas Angélicas de São Paulo.

Era a primeira vez que a nossa Congregação, de origem italiana, se transportava ao Novo Mundo. Nem todas as Irmãs, porém, eram estrangeiras. Para a Superiora, a Reverenda Madre Cecília de Musso e para as outras duas que a acompanhavam, a travessia do oceano, o perfil recortado de nossas Serras, o Gigante de Pedra, as praias do nosso litoral, o verde quente da vegetação costeira, todo esse aspecto novo, constituía um deslumbramento que provocava exclamações de entusiasmo. A quarta irmã, porém, assistia calada ao espetáculo empolgante da entrada na Guanabara.

Seria insensível? Ao contrário, muito mais intensa era a sua emoção. Para Angélica Flávia Maria Monat da Rocha não constituíam um espetáculo novo o Corcovado e o majestoso Pão de Açúcar. Ela nasceu e viveu no Rio e a sua volta a sua cidade natal, após dois anos de ausência, era a oportunidade que tinha de rever a família, de abraçar a sua querida mãe, a satisfação de juntar em um só ideal os dois afetos mais caro: a Congregação vinda para pátria querida e o conjunto de emoções vibrantes que concentrava ela em seu íntimo, não deixando de elevar o espírito a Deus Onipotente, de quem esperava as mais abundantes bênçãos para o novo empreendimento.

De fato, a Fundação das Angélicas no Brasil havia sido longamente planejada e não de fácil realização. A partir de 1909, os Padres Barnabitas se estabeleceram no Rio de Janeiro e, desde então, o Padre Emílio Richert nutria o desejo de chamar, também, para este tão vasto campo de apostolado, as suas Irmãs Angélicas.

Vocações brasileiras apresentaram-se: a paraense Daria Taveira Lobato e a professora carioca Dulce Monat da Rocha, sentiam-se chamadas por Deus a esta Congregação.

Indo à Itália para o Capítulo Geral em 1919, o Padre Richert visitou as Irmãs Angélicas de Arienzo, cuja superiora era a Revda Madre Giovanna Bracaval. Falou-lhe sobre as duas candidatas que fariam o Noviciado na Europa, voltando para o Brasil depois de professas.

É, fato notável na história de todas as fundações e obras de Deus que as bênçãos do Senhor são atraídas pelas provações e pelos sofrimentos. “Quem semeia em lágrimas, em alegria recolhe”. “Se o grão de trigo não for esmagado, não produz…”

Tão imperfeito é o homem que as suas obras, ainda as mais bem-intencionadas, devem passar pela tribulação, para serem agradáveis ao Senhor.

Deus exige uma vítima que, unida ao sacrifício Sacrossanto do seu Divino Filho, lhe possa atrair os olhares misericordiosos. Daria devia ser esta vítima. Alma de pureza e candura celestiais, aspirava unicamente pelas núpcias do Divino Esposo e, antes mesmo de produzir o tempo legal do postulado e do noviciado, que preparam a alma para a definitiva Consagração Religiosa, o próprio Jesus se apressava em dar entrada à sua esposa nos Sacrários Eternos.

Chegando a Arienzo a 07 de maio de 1920, Daria voava, diretamente, para o céu, a 08 de junho, tendo pronunciado, no leito de morte, os Santos Votos Religiosos. A mais nova das Religiosas edificou profundamente suas Mestras pela serenidade de espírito e perfeito abandono, de que deu provas, no sacrifício supremo.

Não menos nobre foi a conformidade de Dulce, única brasileira no Noviciado de Arienzo, abandonada nas mãos da Providência, à espera de que se decidisse a sua sorte.

No dia 21 de abril de 1922, porém, embarcava em Nápoles e 15 dias depois, estava no Rio de Janeiro. Aí Nosso Senhor lhe apresentaria outras cruzes, mas a tudo estava disposta, não querendo senão o cumprimento perfeito da santa vontade de Deus.

Uma casa provisória havia sido preparada para receber as Irmãs, situada à Rua Barata Ribeiro, 218 – no bairro de Copacabana. Algumas postulantes entraram imediatamente, já aceitas pela Congregação na Itália.

No dia 01 de junho de 1922, abriu-se o Colégio São Paulo, celebrando a Santa Missa o Padre Afonso Di Giorgio, Barnabita, sempre amigo das Angélicas.

O grande Apóstolo, a quem o Santo Fundador, Antonio Maria Zaccaria consagrou as suas duas Congregações deveria ser o protetor do novo Colégio. Sete foram as primeiras alunas matriculadas e, desde logo, todo cuidado e dedicação das novas educadoras se manifestou na organização dos cursos, na orientação pedagógica e, sobretudo, na formação moral e religiosa daquelas sete, que em breve, seriam setenta e muito mais, daquelas almas que a Divina Providência lhes confiava para lhes pedir contas um dia.

Sendo assim as Angélicas, trataram logo de procurar uma residência definitiva e, no mesmo ano, a festa de encerramento das aulas realizou-se na nova sede, Avenida Vieira Souto, 22 – Ipanema. “Casa da obediência”, gostava de lembrar mais tarde a nossa Madre Flávia, falando sobre os primórdios da Fundação.

Nosso Senhor, como sempre, recompensou a obediência e, logo, as Irmãs entraram em negociações com a Família Nogueira da Gama, proprietária do prédio de Ipanema, numa situação magnífica, em frente à praia.

A 25 de janeiro de 1923, Dom Leme dava o santo hábito ao primeiro grupo de Noviças e a 29 de janeiro do ano seguinte, presidia, à cerimônia da Profissão dessas Religiosas.

O Colégio, então, começou a prosperar. As bênçãos do Senhor choviam abundantes, mas como sempre, marcadas pelo selo da Cruz.

A primeira superiora enviada para o Brasil, a Revda Madre Cecília de Musso que, desde a Itália, gozava de saúde muito precária, um ano após o desembarque, foi submetida à grave operação cirúrgica. Mesmo com a grande perícia e dedicação dos médicos não foi possível evitar o cruel acontecimento, no dia 31 de agosto de 1923, a comunidade perdia o seu primeiro guia.

Com o falecimento prematuro da primeira Superiora, coube à Revda Madre Flávia Maria Monat da Rocha, toda responsabilidade desta Fundação.

Escreveu à Casa Mãe, pedindo a substituição da Madre falecida, mas a designação do Conselho Geral da Congregação foi a do seu nome, embora fosse ainda professa de Votos Temporários. Cabia-lhe, então, a superintendência da Comunidade, a formação das Noviças e a direção do Colégio.

Confiança em Deus, sabiamente orientada pelo Padre Richert e, dotada de magníficos dotes pessoais, que sabia usar exclusivamente para a glória de Deus, não poupou esforços para que prosperasse a obra a ela confiada.

Sem nenhuma ambição de número e nenhuma pressa de expansão, esmerava-se em formar bem Religiosas e alunas. A absoluta sinceridade, a simplicidade, a fortaleza de ânimo foram sempre as virtudes que mais recomendava e de que nunca cessou de dar exemplo.

“Sursum corda! ” Era expressão familiar em seus lábios, “nenhuma dificuldade nos deve abater, nenhuma desgraça produzir desânimo, uma vez que nenhuma cruz nos chega, sem que o dom da graça a acompanhe”.

E assim, junto às Angélicas e, também, junto às alunas, Madre Flávia apresentava a vida sob o seu prisma real, sem ocultar os espinhos do caminho, sem fantasiar miragens ilusórias, sabendo, ao mesmo tempo, incutir coragem e bravura do verdadeiro soldado de Cristo. “Avante! Coragem! ”

 

Da Redação

Foto: Colégio São Paulo

 

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