Pela primeira vez em mais de seis séculos de história, a Capela Musical Pontifícia Sistina, também conhecida como Coro da Capela Sistina ou Coro do Papa, realizou uma turnê pela América Latina, tendo o Brasil como destino exclusivo. Entre os dias 3 e 14 de julho, o grupo percorreu São Paulo, Campinas, Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro, levando ao público um repertório de música sacra que atravessa mais de 1.400 anos de tradição litúrgica da Igreja.
Na capital fluminense, a programação teve início no dia 10 de julho, com uma apresentação na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e uma visita ao Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor.
No dia 11 de julho, o coro animou a Santa Missa na Igreja Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, no Catete, presidida pelo arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta. A celebração contou ainda com a presença da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, dentro da programação do Círio de Nazaré no Rio.
Logo no início da celebração, Dom Orani destacou a importância daquele momento para a Igreja no Brasil, relacionando a presença do coro pontifício às comemorações dos 200 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. O arcebispo prestou ainda uma homenagem ao maestro monsenhor Marcos Pavan, primeiro brasileiro a assumir a direção da Capela Musical Pontifícia Sistina.
“Vivemos um momento muito bonito com a comemoração dos 200 anos das relações Brasil-Santa Sé. A vinda do Coral da Capela Sistina ao Brasil nos enche de alegria. Saudamos o maestro monsenhor Marcos Pavan. Em mais de 600 anos de coral, é o primeiro brasileiro que assume essa responsabilidade. Assim, agradecemos a deferência que nos dá aqui no Rio de Janeiro, nesta celebração transmitida para todo o Brasil pela RedeVida de Televisão.”
Ao refletir sobre a comunhão e a unidade da Igreja, especialmente no contexto do caminho sinodal e da missão do Papa Leão XIV, o arcebispo utilizou a presença do coro como expressão concreta da ligação entre a Igreja do Rio de Janeiro e a Sé de Pedro.
“Nestes tempos de Sínodo, é bom lembrar da nossa unidade e fraternidade entre nós, caminhando juntos e unidos a São Pedro. E hoje temos aqui justamente o coro da Capela Sistina, que canta na Basílica de São Pedro, para estar cada vez mais unidos àquele que é o sinal visível da nossa unidade, o Santo Padre.”
Ao término da celebração, Dom Orani voltou a ressaltar o significado histórico da visita da Capela Musical Pontifícia Sistina ao Brasil e enalteceu a missão desempenhada por monsenhor Marcos Pavan à frente do mais antigo coro em atividade contínua do mundo.
“É uma honra e alegria receber monsenhor Marcos Pavan, juntamente com todo o coral da Capela Sistina. Vivemos um momento especial nas comemorações dos 200 anos das relações entre o Brasil e a Santa Sé, quando justamente a Santa Sé reconheceu a independência do Brasil. Agora recebemos essa preciosidade que é o coral pontifício da Capela Sistina, existente há mais de 600 anos e responsável por uma missão tão importante nas celebrações pontifícias. E nos dá ainda maior alegria saber que um brasileiro está à frente desse coral, o primeiro em toda a sua história. Agradecemos a Deus pela missão do monsenhor Marcos Pavan e de todos os integrantes, jovens e adultos, que dele fazem parte.”
Como gesto de acolhida e gratidão, o Cardeal Orani presenteou o maestro com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, símbolo da devoção mariana presente na celebração.
Uma turnê inédita com um brasileiro à frente do Coro do Papa
A passagem pelo Brasil marcou um momento histórico para a Capela Musical Pontifícia Sistina. Foi a primeira vez que o conjunto realizou uma turnê pela América Latina desde sua criação, há mais de 600 anos. Sob a regência do brasileiro monsenhor Marcos Pavan, nomeado pelo Papa Francisco em 2020, o grupo apresentou um repertório composto por obras que integram a tradição musical da Igreja e que, há séculos, acompanham as celebrações presididas pelos pontífices no Vaticano.
Natural de São Paulo, monsenhor Pavan tornou-se o primeiro maestro não italiano a dirigir o coro pontifício, fato que representa um marco na história da música sacra da Igreja. Segundo o maestro, a turnê teve também um significado pastoral, levando aos fiéis brasileiros um sinal concreto da proximidade com o Santo Padre e com a Igreja de Roma, além de celebrar o bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé.
Carlos Moioli