Do altar às ruas: 10 mil coroinhas e cerimoniários celebram São Tarcísio na Catedral do Rio

A Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro tornou-se, mais uma vez, ponto de encontro de crianças, adolescentes e jovens de diferentes regiões da cidade durante o Encontro dos Coroinhas e Cerimoniários com o Pastor, realizado por ocasião da memória de São Tarcísio, padroeiro dos servidores do altar.

A celebração reuniu cerca de 10 mil coroinhas e cerimoniários, acompanhados por sacerdotes, familiares, coordenadores e agentes pastorais, em uma expressiva manifestação da vitalidade da Igreja e do compromisso das novas gerações com o serviço litúrgico.

A celebração teve significado especial por coincidir com o aniversário da Dedicação da Catedral Metropolitana, ocorrida em 15 de agosto de 1979, e da consagração de seu altar. Igreja-mãe da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a Catedral acolheu os participantes para uma celebração presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta, e concelebrada pelo bispo auxiliar Dom Antonio Luiz Catelan Ferreira, referencial da Comissão Arquidiocesana dos Coroinhas e Cerimoniários; pelo assistente eclesiástico do Ministério dos Coroinhas, padre Rodrigo Brum Moreira Junior; e por diversos sacerdotes.

Experiência de formação cristã

Logo no início da celebração, Dom Orani destacou a importância da presença dos coroinhas e cerimoniários e agradeceu pelo serviço realizado por eles nas comunidades da Arquidiocese.

“Bendito seja Deus pela caminhada, pelo ministério, pela missão que desempenham em todas as nossas paróquias”, afirmou o arcebispo, ao acolher os participantes que lotavam a Catedral.

O arcebispo ressaltou ainda que o serviço ao altar constitui uma experiência de formação cristã que deve acompanhar crianças e jovens ao longo de toda a vida. Ao recordar São Tarcísio, mártir da Eucaristia, Dom Orani apresentou seu testemunho como inspiração para que os servidores do altar cultivem cada vez mais o amor e o respeito pela presença eucarística. Em sua saudação, também chamou a atenção para a dimensão evangelizadora do ministério exercido pelos coroinhas e cerimoniários.

“Também bendizemos a Deus pelos coroinhas e cerimoniários que levam adiante a sua bela e importante missão aqui nessa grande cidade, evangelizando também as crianças, adolescentes e jovens através desse ministério de serviço que prestam nos altares”, disse.

Templos do Senhor

Na homilia, Dom Orani relacionou a festa dos servidores do altar com a celebração da dedicação da Catedral. A partir das leituras proclamadas, explicou que o templo material remete a uma realidade ainda mais profunda: cada cristão é chamado a ser templo de Deus e a construir sua existência sobre Jesus Cristo.

“A Palavra de Deus que nós ouvimos se refere à celebração da dedicação de um templo. Nós somos o templo do Senhor e a base, a pedra angular, é Jesus Cristo, nosso Senhor”, destacou.

Segundo o arcebispo, a Igreja reunida no templo é também chamada a sair dele para testemunhar o Evangelho na sociedade. Nesse sentido, o serviço dos coroinhas e cerimoniários não se limita às funções desempenhadas durante a liturgia, mas integra um processo de amadurecimento humano, espiritual e vocacional. Ao servir junto ao altar, crianças e jovens aprendem valores que podem acompanhá-los nas escolhas e responsabilidades futuras.

Dom Orani ressaltou que, em meio aos inúmeros desafios e propostas apresentados aos adolescentes e jovens pela sociedade contemporânea, a Igreja continua vendo surgir novas gerações dispostas a servir. Para o arcebispo, a presença numerosa no encontro demonstrou que a juventude continua encontrando na comunidade cristã um espaço de participação, formação e encontro com Cristo.

“Somos chamados cada vez mais a não colocar outro fundamento em nossa vida, como diz a Palavra de Deus hoje, a não ser a nossa fé em Jesus Cristo como Filho de Deus vivo. Tê-lo encontrado e, encontrando-o, nós servimos com alegria o altar do Senhor”, afirmou.

O arcebispo também agradeceu aos pais, responsáveis, sacerdotes, diáconos, formadores e coordenadores que acompanham os coroinhas e cerimoniários nas paróquias. Segundo ele, essa formação deve contribuir para que a experiência vivida na infância e na juventude produza frutos durante toda a vida, independentemente da vocação assumida por cada pessoa.

“Que cada um de nós aqui presente possa agradecer ao Senhor por esse dom de estar perto do altar, de servir enquanto coroinhas e cerimoniários”, disse. “Possam continuar crescendo na fé, crescendo na vida cristã e, mais tarde, assumindo a vocação a que o Senhor os chamou”, completou.

A celebração também foi ocasião de ação de graças pelo aniversário de ordenação presbiteral do cônego Claudio dos Santos e do padre Rafael Enrique Macedo. Ao recordar os sacerdotes, a comunidade manifestou sua gratidão pelo ministério daqueles que dedicam a vida ao serviço da Igreja.

Futuro bonito

Ao final da missa, padre Rodrigo Brum agradeceu a participação dos coroinhas, cerimoniários, coordenadores, sacerdotes e integrantes da comissão arquidiocesana envolvidos na organização e na formação dos grupos. Em sua mensagem, destacou, sobretudo, o significado de reunir crianças, adolescentes e jovens justamente no aniversário da dedicação da igreja-mãe da Arquidiocese.

“É muito profético estarmos aqui reunidos com os jovens, adolescentes e as crianças, porque nós vemos que a nossa Igreja do Rio de Janeiro tem um futuro muito bonito. Vocês, queridas crianças, queridos coroinhas e cerimoniários, são a esperança da nossa Igreja aqui no Rio de Janeiro”, afirmou.

Padre Rodrigo também agradeceu a Dom Catelan pela presença, confiança e acompanhamento do trabalho desenvolvido com os servidores do altar e reconheceu o empenho da Comissão Arquidiocesana e das coordenações nos diferentes vicariatos, responsáveis pela formação e pelo acompanhamento dos grupos ao longo do ano.

Profissão pública de amizade com Cristo

Dom Antonio Catelan, por sua vez, destacou a dimensão da participação no encontro e manifestou sua alegria diante da Catedral tomada pelos servidores do altar. “Que coisa linda”, afirmou o bispo, ao estimar a presença de cerca de 10 mil participantes. Em uma interação marcada pela alegria, conduziu os jovens em uma profissão pública de amizade com Cristo e de pertença à Igreja: “O meu melhor amigo é Jesus. Eu sou amigo dos amigos dele. Eu sou feliz na Igreja dele”.

O bispo também agradeceu a Dom Orani pelo acompanhamento dispensado aos coroinhas e cerimoniários e destacou os frutos que essa atenção pastoral deixa para a Arquidiocese. “Muito obrigado, Dom Orani, pelo testemunho, pelo carinho, pela atenção que sempre dá aos nossos coroinhas”, declarou.

O encontro ganhou ainda uma dimensão que ultrapassa os limites da vida interna da Igreja. A Festa de São Tarcísio, celebrada em 15 de agosto, passou a integrar oficialmente o calendário da cidade do Rio de Janeiro por meio de decreto municipal, reforçando a presença dos coroinhas e cerimoniários no contexto religioso e cultural carioca.

Testemunho de pertença à Igreja

Depois da celebração eucarística, a multidão deixou a Catedral e seguiu em procissão pelas ruas do Centro, passando pela região da Lapa. Crianças, adolescentes e jovens levaram para o espaço público a alegria que havia marcado a celebração, transformando a caminhada em testemunho coletivo de fé e pertença à Igreja.

Mais do que o encerramento do encontro, a procissão tornou visível aquilo que havia sido ressaltado durante a missa: a experiência cristã vivida junto ao altar é chamada a alcançar a cidade. A presença dos coroinhas e cerimoniários nas ruas apresentou ao Rio de Janeiro uma juventude que participa ativamente da vida eclesial e encontra no serviço uma forma concreta de viver e testemunhar o Evangelho.

Entre a memória de São Tarcísio, o aniversário da dedicação da Catedral e a presença de milhares de servidores do altar, o encontro evidenciou uma Igreja que reconhece nas crianças, adolescentes e jovens não apenas o seu futuro, mas uma presença atuante em seu presente. Do altar às ruas da cidade, a celebração mostrou a força de uma geração que aprende, desde cedo, que servir a Cristo também significa levar para além dos templos aquilo que se recebe e se vive na Eucaristia.

Carlos Moioli

 

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