Dom Roque: Laudato Si’ aponta para uma realidade que requer medidas urgentes

“As convicções de fé não enfraquecem a luta, ao contrário, oferecem motivações para cuidar da natureza e dos irmãos e irmãs mais frágeis, mostrando que a aliança entre a humanidade e o ambiente, a conversão ecológica e a ecologia integral são a forma de garantir a justiça inter-geracional”. A avaliação é do arcebispo de Porto Velho (RO), dom Roque Paloschi, sobre os quatro anos da encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum, assinada em 24 de maio de 2015 e apresentada no dia 18 de junho daquele ano.

“Oxalá nos deixarmos contagiar por este espírito que a Laudato Si’ nos impregnou e que verdadeiramente nós possamos buscar essa ecologia integral, superando esta lógica do capitalismo – produzir, consumir, descartar – sabendo que os bens da criação têm limites sim, eles se esgotam”, manifestou como desejo dom Roque.

Falando sobre os 4 anos da encíclica, dom Roque Paloschi recordou um editorial da Folha de S. Paulo dois dias depois do documento ser apresentado no Brasil pela Presidência da CNBB em uma entrevista coletiva.

Medidas urgentes

O título do editorial visava conduzir o leitor, sugerindo o conteúdo do documento como “Ecologia da Libertação”. “O editorial deste grande jornal afirmava ‘apesar de bem recebida por ambientalistas, a encíclica Laudato Si’ (Louvado Sejas), do Papa Francisco, sobre a mudança climática, defende soluções utópicas para a questão, ainda: a ênfase moral da encíclica lhe confere por vezes um tom anticapitalista’”, recorda dom Roque.

“A Folha deu voz a tantos quantos achavam como ela que a proposta de uma Ecologia Integral era no mínimo solução ingênua e, no máximo, impossível. Com o passar do tempo, porém, a proposta ecológica foi ganhando espaço e aliados, provando que ela não tem nada de ingênua, mas aponta para uma realidade que requer medidas urgentes”, pondera o bispo.

Dom Roque reconhece os apontamentos do jornal, quando consideradas as intenções do Papa de, por meio da encíclica, se posicionar de forma “anticapitalista” e defender “um modelo de sociedade estruturalmente novo”.

“Para espanto dos que apostavam no fracasso dessa encíclica, sua abrangência alcançou a política e a economia internacional e colocou em diálogo as religiões e a ciência na denúncia sobre a gravidade das questões sociais e ambientais que impactam a vida de milhões de pessoas, gerando no mundo inteiro seminários, convenções, congressos, fóruns, rodas de conversas e tantas outras iniciativas, inclusive, o Sínodo Pan-Amazônico”, enumera.

Para dom Roque, a encíclica Laudato Si’ “mostra que é um projeto possível para ser realizado na história, como prova o Sínodo Pan-Amazônico”. Para tanto, continua, “é necessário que somemos na busca de caminhos que garantam vida em plenitude para todos e para a criação”.

 

Autor: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

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