No dia 22 de maio, o Dia de Santa Rita de Cássia, padroeira do Centro do Rio de Janeiro, haverá missas de hora em hora, das 6h às 18h, seguidas do Te Deum e da tradicional bênção das rosas, às 19h. Entre os destaques da programação estão a Missa da Alvorada, às 6h, presidida por Dom Antonio Catelan; a Missa Solene, às 10h, presidida pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta; a celebração das 12h, presidida pelo Reitor do Santuário, Pe. Wagner Toledo; e o Te Deum com bênção das rosas às 19h, presidido por Dom Jeremias de Jesus.
Encerrando as comemorações, no dia 24 de maio, após a Missa da Gratidão, às 9h, será realizada a solene procissão de Santa Rita de Cássia, reunindo devotos pelas ruas do Centro Histórico do Rio de Janeiro.
A 316ª Festa de Santa Rita de Cássia é uma oportunidade especial para renovar a fé, pedir a intercessão da santa e fortalecer a devoção à padroeira, em um dos templos mais emblemáticos da cidade. O Santuário Arquidiocesano de Santa Rita de Cássia está localizado no Largo de Santa Rita, s/nº, no Centro do Rio de Janeiro.
Vida de Santa Rita
Santa Rita nasceu em 1381 em Roccaporena, Itália, filha de Antonio Lotti e Camata Ferri, em uma família devota, embora modesta. Desde a infância, sua vida foi marcada por eventos extraordinários, interpretados pela tradição cristã como sinais de sua vocação. Apesar de desejar tornar-se monja, aos 13 anos foi prometida em casamento a Paulo Ferdinando Mancini, homem de temperamento difícil. Do matrimônio nasceram dois filhos, que ela educou com amor e fé. Após o assassinato do marido e a morte dos filhos, Santa Rita entregou-se inteiramente à oração, penitência e obras de caridade.
Determinada a seguir a vida religiosa, enfrentou dificuldades para entrar no Convento Agostiniano de Cássia, sendo finalmente aceita por intervenção divina. Como monja, viveu de forma exemplar, dedicando-se à oração, à mortificação e à caridade, recebendo um estigma na testa que simbolicamente a uniu à Paixão de Cristo, vivendo isolada e suportando sofrimento em silêncio.
Tornou-se conhecida como a Santa das Causas Impossíveis e do Perdão, perdoando os assassinos de seu marido e intercedendo pela salvação de todos. Um milagre famoso de sua vida foi a rosa que floresceu em pleno inverno, símbolo de sua santidade e da graça divina.
Santa Rita faleceu em 22 de maio de 1447, tendo tido visões de Jesus e da Virgem Maria, foi beatificada 180 anos depois e canonizada 453 anos após sua morte, permanecendo até hoje um modelo de fé, perseverança, humildade e amor ao próximo.
História e devoção
A devoção a Santa Rita de Cássia chegou ao Rio de Janeiro em 1710, quando os portugueses Manuel Nascentes Pinto e sua esposa Dona Antônia Maria construíram uma pequena capela particular em uma chácara próxima à área urbana. Com o tempo, o número de devotos cresceu significativamente, e a imagem de Santa Rita passou a ser levada para a Igreja da Candelária, alternando suas “estadias” com a capela do casal. Diante da crescente devoção, os portugueses decidiram construir uma igreja no próprio terreno que possuíam, para posteriormente doá-la a uma irmandade recém-formada.
A construção do templo seguiu externamente as linhas do estilo barroco jesuítico e, ao longo do século XVIII, foi enriquecida com requintada ornamentação interna, incluindo altares, retábulos e uma bela pia batismal de diferentes tons de mármore. Ao lado da sacristia havia uma nascente cuja água era valorizada pelos fiéis, levando à construção de um poço, hoje não mais utilizado. O templo foi elevado à condição de Igreja Matriz em 30 de janeiro de 1751, com a criação da Paróquia de Santa Rita, e guarda importantes relíquias de Santa Rita de Cássia e de Santo Lenho. Durante o século XIX, foram acrescentados painéis a óleo retratando cenas da vida da santa, enriquecendo ainda mais o patrimônio artístico e religioso do templo.
Erigida no centro da cidade, a igreja é um importante centro de evangelização, reunindo fiéis para celebrações litúrgicas, momentos de oração, novenas e festas em honra a Santa Rita de Cássia. Ao longo dos séculos, tornou-se também um espaço de convívio espiritual e cultural, promovendo eventos religiosos que fortalecem a fé e a devoção da comunidade.
Reconhecido como a igreja mais antiga dedicada a Santa Rita fora da Itália, o Santuário Arquidiocesano de Santa Rita mantém viva há mais de três séculos a devoção à santa agostiniana, atraindo peregrinos de diversas regiões do estado e do país. Por sua história, arquitetura, obras de arte e importância religiosa, o templo continua a desempenhar um papel central na vida espiritual do Rio de Janeiro, preservando o legado de fé, caridade e perseverança deixado por Santa Rita de Cássia.
Cláudio Santos
Coordenador das Pastorais Sociais
Vicariatos Norte e Tijuca