Gratidão pela vida e pelo ministério do padre Celso Lima, que partiu para os braços de Deus

Na noite do dia 5 de março de 2026, aos 38 anos de idade e sete anos de sacerdócio, o jovem padre Celso Lima Ferreira Junior partiu para os braços de Deus, deixando um testemunho marcado pelo amor a Jesus Cristo, pela dedicação à evangelização e pela proximidade fraterna com o povo de Deus.

Nascido no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1987, padre Celso Lima Ferreira Junior era filho de Celso Lima Ferreira e Sandra Marinho Ferreira. Desde cedo demonstrou grande sensibilidade para as coisas de Deus e para o serviço às pessoas. Aqueles que conviveram com ele recordam a sua alegria contagiante, a capacidade de se aproximar das pessoas com simplicidade e o ardor missionário que marcou toda a sua vida.

Sua formação eclesiástica foi realizada no Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio de Janeiro, onde permaneceu entre os anos de 2011 e 2018. Durante esse período, cursou Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), entre 2012 e 2014, e posteriormente Teologia no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, entre 2015 e 2018.

Antes mesmo de ingressar no seminário, havia concluído o curso técnico em Segurança do Trabalho pela Escola Técnica Dinastia, em 2007. Mais tarde, já no exercício do ministério sacerdotal, concluiu a graduação em Psicologia, na Estácio, no campus de Campo Grande, em 2025, buscando ampliar ainda mais as possibilidades de acolhimento e acompanhamento das pessoas.

No seminário, seus formadores e colegas testemunham que padre Celso era um jovem sempre animado, cheio de iniciativas e profundamente comprometido com a missão da Igreja. Sua alegria era contagiante e sua disposição para organizar atividades de evangelização era constante. Ligado à espiritualidade da Renovação Carismática Católica, promovia grupos de oração, incentivava encontros de formação e estimulava os colegas a viverem com intensidade a experiência da fé. Seu ardor missionário e o desejo de levar a presença de Deus à vida das pessoas eram traços muito visíveis desde os primeiros anos de formação.

Recebeu a ordenação diaconal no dia 3 de setembro de 2017 e, poucos meses depois, foi ordenado presbítero na Solenidade da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro do mesmo ano. A devoção à Mãe de Deus sempre marcou profundamente sua espiritualidade e seu ministério. Sua paróquia de origem foi a Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Santa Cruz.

Ainda como seminarista e depois como diácono, exerceu seu ministério na Paróquia Nossa Senhora de Fátima Rainha de Todos os Santos, no bairro de Todos os Santos, onde se dedicou intensamente à pastoral paroquial enquanto se preparava para o sacerdócio. Nesse período, já se destacava pelo dom da pregação. Falava de maneira simples, direta e encorajadora, tocando o coração das pessoas e despertando nelas o desejo de aprofundar a vida de fé.

Após a ordenação presbiteral, iniciou sua missão pastoral como vigário paroquial na Paróquia Maria Mãe da Igreja e São Judas Tadeu, em Padre Miguel, nomeado em dezembro de 2018. Em maio de 2019, foi designado administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Penha Circular. Posteriormente, em novembro de 2021, foi nomeado vigário paroquial da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, em Campo Grande.

Desde maio de 2022, exercia o ministério como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Paciência. Ali se destacou pela criatividade pastoral, pela proximidade com os fiéis e pelo entusiasmo missionário. Procurou revitalizar a vida paroquial, mobilizando iniciativas de evangelização e fortalecendo a participação da comunidade. Sua presença irradiava jovialidade e esperança, especialmente no trabalho com os jovens e com os grupos ligados à Renovação Carismática Católica.

Entre as iniciativas realizadas em Paciência, destacou-se a dedicação do salão paroquial, conhecido como Rincão, em homenagem ao monsenhor Jonas Abib, fundador da Comunidade Canção Nova, por quem nutria grande admiração. O espaço tornou-se um centro de evangelização que passou a acolher não apenas atividades da paróquia, mas também eventos pastorais do Vicariato Santa Cruz. A própria rua onde se localiza o espaço passou a chamar-se Rua Monsenhor Jonas Abib, testemunhando o desejo de padre Celso de deixar sinais concretos da presença evangelizadora da Igreja.

Além do zelo pastoral, demonstrava grande sensibilidade para as necessidades humanas e sociais da comunidade. Como psicólogo, dedicava-se a promover o atendimento psicológico a preço social para pessoas em situação de vulnerabilidade, facilitando o acesso a esse serviço em uma região marcada por dificuldades socioeconômicas. Também manifestava o desejo de desenvolver projetos de acompanhamento para crianças neurodivergentes, mostrando sua preocupação com o cuidado integral das pessoas.

Padre Celso era reconhecido como um sacerdote profundamente fraterno, próximo de seus irmãos no presbitério e muito dedicado ao povo que lhe foi confiado. Sua maneira carismática de anunciar o Evangelho impactava muitas pessoas e incentivou diversas vocações sacerdotais e religiosas. Sua vida sacerdotal foi marcada pela alegria, pela inquietação pastoral e pelo desejo constante de encontrar novos caminhos para anunciar Cristo.

De acordo com a liturgia do dia de sua Páscoa, podemos dizer que padre Celso foi feliz por encontrar seu prazer na lei do Senhor e meditar nela dia e noite, sem cessar (cf. Sl 1,1-2). Confiantes em Jesus Cristo, que nos escolheu (cf. Jo 15,16), nos amou até o fim (cf. Jo 13,1) e nos abriu as portas da vida eterna por sua Ressurreição, temos a esperança de que padre Celso Lima agora se encontra nos braços de Deus. Sua morte ocorreu segurando uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, sinal eloquente de sua profunda devoção mariana.

Alicerçados nas palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11,25), elevamos ao Senhor nossa oração de gratidão pela vida e pelo ministério do padre Celso Lima Ferreira Junior. Damos graças a Deus por sua entrega generosa, por sua alegria sacerdotal e por todo o bem que realizou nas comunidades por onde passou.

Unidos na fé e na esperança da Ressurreição, manifestamos também nossa solidariedade e proximidade espiritual aos seus familiares, aos paroquianos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Paciência, aos amigos e a todos os irmãos sacerdotes de sua turma de ordenação e de todo o clero arquidiocesano.

Concedei-lhe, Senhor, o descanso eterno, e que a luz perpétua brilhe para ele. Descanse em paz.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ

Categorias
Categorias