História que se entrelaça entre a comunidade paroquial de Nossa Senhora das Dores e comunidade Servita

Nossa comunidade paroquial nasceu acompanhada de um ardente desejo de Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra e dos primeiros frades Servitas no Rio de Janeiro. Um santuário dedicado à Nossa Senhora das Dores, devido à grande importância desse título mariano que já estava estabelecido em todo o Brasil, sendo o Rio de Janeiro o núcleo administrativo do país, seria salutar: um templo dedicado à Virgem Dolorosa no coração do Brasil. Sob o estímulo do Cardeal Leme, que também foi terciário da Ordem dos Servos de Maria, teve início o projeto do chamado Santuário Nossa Senhora das Dores. Embora possuísse o nome de Santuário, não chegou à sua oficialização.

 

Dois motivos levaram os servitas a se instalar no Rio Comprido. Primeiramente, os Maristas que os hospedavam transferiram seu colégio para as novas instalações no bairro da Usina. Em segundo lugar, os freis já contavam no Rio Comprido com vários amigos e benfeitores de suas obras. Foi alugada uma casa na Rua Aristides Lobo, 170 (hoje 186), adaptando-se uma de suas dependências para se tornar capela, dedicada a Nossa Senhora das Dores. A primeira missa celebrada pelos servitas no Rio Comprido foi no dia 12 de fevereiro de 1932, que, na época, era celebrado como a solenidade dos Sete Santos Fundadores da Ordem dos Servos de Maria. Nesse endereço, os frades tentaram a primeira experiência de uma casa de formação. Em 22 de março de 1934, os religiosos servitas adquiriram da Senhora Maria Emília Cardoso Martins uma casa e um terreno, situados na Rua do Bispo (com extensão para a Avenida Paulo de Frontin), com as economias, doações e um empréstimo concedido pelo Prior Geral da Ordem.

 

A autorização da Cúria Arquidiocesana para se erigir um templo religioso na Avenida Paulo de Frontin, 500, anexo ao convento, instalado na casa da Rua do Bispo. A licença data de 15 de junho de 1936. Um acontecimento alegre marca também esse ano. No dia 1º de setembro, celebraram na Capela de Nossa Senhora das Dores os primeiros Freis Servos de Maria nascidos no Brasil. São os dois irmãos cearenses: freis José e Peregrino M. Carneiro de Lima. Coube a frei Gregório a tarefa de encarregar-se das obras de construção da igreja. Digna de aplausos é a decisão dos religiosos em erigir primeiramente o templo religioso, postergando as obras do convento. O arquiteto professor Ferrucio Brasini, encarregado das obras do antigo edifício Cavalière, assinou a planta da futura igreja. No dia 27 de outubro de 1936, o Capítulo Provincial da Ordem aprovou o projeto de construção da igreja e do convento a ser homologado pelo Conselho Generalício.

 

Em 21 de dezembro de 1936, começaram as escavações para os alicerces da fachada do templo. No entanto, somente no dia 18 de abril de 1937, às 18h30min., o Cardeal Dom Leme benzeu solenemente a Pedra Fundamental do Santuário. A ata alusiva ao acontecimento, escrita em pergaminho, encontra-se enterrada junto com a pedra, perto do altar-mor, do lado do evangelho, marcando o início das obras. O ano de 1937 foi profícuo na edificação do templo. O relato de frei Gregório M. Dal Monte no Livro de Crônicas é bem minucioso. Limitamo-nos aos acontecimentos mais importantes. Com as paredes levantadas, a Cúria Metropolitana autorizou a celebração dominical da Santa Missa dentro do novo Santuário.

 

Segundo o Livro de Crônicas, em 1941 foram feitas várias benfeitorias no interior do templo, destacando-se a pintura dos altares laterais, dos bancos e do altar-mor. As obras do convento tomaram muito tempo da comunidade, mas esta não se descuidou da edificação do Santuário, que prosseguia conforme os recursos existentes. A partir de 1945, os trabalhos de edificação do templo ficaram sob a responsabilidade técnica do engenheiro Roberto Gaburri. Continua como construtor o sr. Ernesto Mancino, sendo mestre de obras o sr. José de Almeida e a Firma Canázio Ltda., responsável pela execução dos trabalhos. O Santuário, construído em forma de cruz romana, apresenta as seguintes dimensões: nave central (corpo da cruz) – quarenta metros; naves laterais (braços da cruz) – trinta metros; altar-mor e presbitério (cabeça da cruz) – doze metros. A capacidade do Santuário era de quinhentos fiéis sentados, podendo comportar outros quinhentos em pé. Atualmente, com o término das obras, comporta cerca de seiscentas pessoas sentadas e outras mil em pé. A concepção arquitetônica é inspirada no estilo neoclássico, segundo informações do arquiteto José Josias F. Gomes. A altura do templo é de 20 metros (pé-direito), em sua parte mais elevada. Convém lembrar que as últimas grandes obras realizadas no interior da igreja foram: colocação do piso em marmorite e reestruturação do altar-mor e presbitério, de acordo com as normas litúrgicas, obedecendo às orientações de especialista em arte sacra do Mosteiro Beneditino de Salvador, Bahia.

 

A Criação da Paróquia e a Elevação Canônica do Santuário

 

O Arcebispo Dom Jaime, no dia 05 de fevereiro de 1956, informou que iria tornar o Santuário em Igreja Matriz de uma nova paróquia. A densidade demográfica do Rio Comprido, a piedade e o dinamismo da comunidade levaram Dom Jaime a criar a Paróquia de Nossa Senhora das Dores do Rio Comprido, confiando-a aos Servitas, que já se ocupavam dos trabalhos pastorais da igreja. O decreto arquidiocesano de criação da paróquia, segundo consta no Anuário da Arquidiocese do Rio de Janeiro de 2001, data de 15 de setembro de 1956. Porém, a instalação da freguesia e a investidura do primeiro pároco, Frei Tiago Maria Coccolini, aconteceram no dia 1º de janeiro de 1957, com a presença do Senhor Cardeal Arcebispo.

 

Frei Romeu merece destaque especial, não apenas pelo seu testemunho de vida religiosa e sacerdotal, mas também pela sua resignação diante do sofrimento e da dor. Existe um pequeno folheto sobre a vida de Frei Romeu, intitulado: *Um santo do Rio Comprido*. Na verdade, ele foi amado pelos fiéis. Sua bondade, simplicidade e humildade tocaram a muitos.

 

Foi incansável na Procuradoria do Comissariado e da Missão, incentivador das obras sociais da paróquia, amigo dos doentes, sofridos e infelizes, que um dia o receberiam na Casa do Pai. Dir-se-ia hoje que teria feito a opção preferencial pelos pobres. Apesar das recomendações médicas, não se deixou abater e continuou seu apostolado. O Santuário deve ao seu zelo sacerdotal a aquisição do material para o ambulatório da Paróquia. Faleceu santamente, após 70 dias de sofrimento, na festa de Santa Juliana Falconieri, fundadora do ramo feminino das Servas de Maria, no dia 19 de junho de 1959, com apenas 34 anos de idade.

 

O “cineminha” dos freis das décadas de 50 e 60 ainda hoje é lembrado com carinho pelos adultos, crianças de ontem. A Escola dos Servos de Maria, idealizada para educar carentes e esquecidos dos sistemas oficiais de ensino, transmitiu, além dos conhecimentos tradicionais, o amor à Igreja e ao próximo. Cuidar dos doentes, dos pobres e excluídos é um dos objetivos da Ordem. O ambulatório da Paróquia, hoje acrescido da Creche, já era um cuidado do grande frei Romeu, mesmo antes da década de 60. O Movimento por um Mundo Melhor conduzia a uma Igreja sem fronteiras. Eis a visão sentida na prática pastoral dos padres Servos de Maria. A Igreja doméstica, de que fala o Vaticano II, se fazia presente em certas atividades do Movimento Familiar Cristão – pioneiro de uma pastoral da família. As obras sociais foram repensadas e reestruturadas. Chegou-se também a abrir o setor do Banco da Providência com seus cursos de qualificação profissional.

 

Nasceram outros movimentos e pastorais: Catequese de Adultos, Preparação de Noivos, Pastoral do Batismo, Encontro de Casais com Cristo, Pastoral da Saúde, com atendimento a todas as casas de saúde e geriátricas do bairro etc., de acordo com as reais necessidades do Povo de Deus. O conhecimento teológico e bíblico, a vivência litúrgica, a formação da espiritualidade têm sido preocupações constantes dos sacerdotes e ministros.

 

Tornaram-se tradicionais as Semanas Teológicas do Rio Comprido, destinadas a leigos e religiosas no intuito da atualização pastoral. Não faltaram conferências, palestras e congressos marianos dos melhores teólogos, que atuavam nos diferentes setores da vida eclesial. Apesar das reservas de alguns segmentos eclesiásticos, as Comunidades de Base começavam a florescer com um nome diferente: Pastoral das Favelas.

 

Os religiosos são amados e respeitados não apenas pela comunidade local, mas por outras paróquias e dioceses. Não raro, foram convidados para testemunhar sua experiência em outras igrejas. Do convento, saíram publicações que alimentavam a reflexão. Às vezes, referências simples contidas no jornalzinho *Equipe* eram ponto de partida para novos questionamentos. E, como prova da aceitação, do reconhecimento e do valor da comunidade sacerdotal dos padres Servos de Maria do Rio Comprido, pode-se citar a escolha de frei João Maria Messi como bispo (ex-pároco de Nossa Senhora das Dores). Pela primeira vez, um religioso Servita é escolhido para o episcopado no Brasil, fora dos quadros da Prelazia do Acre.

 

Abertura e ecumenismo marcam parte da vivência eclesial dos padres Servos de Maria. Não será descabido citar aqui alguns dos muitos pregadores que, do altar da Igreja Nossa Senhora das Dores, distribuíram o Pão da Palavra. Todos os cardeais do Rio de Janeiro tornaram-se seus amigos, e há quem fizesse dos padres Servitas seu confessor. Entre os bispos que transmitiram o ardor do Evangelho na Igreja Nossa Senhora das Dores, temos: Dom Helder, Dom Motta (arcebispo de Vitória), Dom Othon Motta (bispo de Campanha), e tantos outros prelados do Brasil inteiro passaram em nossa Igreja paroquial.

 

Um momento importante na comunidade paroquial foi a implantação da devoção a São Peregrino Laziosi, protetor contra o mal do câncer. Foi uma iniciativa do Frei Nereu Maria, na época pároco. A devoção a esse santo também está unida a Nossa Senhora das Dores; ambos, nas maiores tribulações, confiaram a Deus suas causas e se tornaram modelo para todo o povo cristão. São Peregrino continua sendo divulgado e procurado em nossa paróquia. Todos os meses, no dia 04, a ele dedicado, acorrem fiéis das mais variadas regiões do nosso estado do Rio de Janeiro para pedir ou agradecer as graças alcançadas pela intercessão desse grande santo Servo de Maria, fazendo nossa Igreja Matriz alvo de peregrinação mensal.

 

No caminho rumo aos 70 anos de criação da Paróquia Nossa Senhora das Dores, o atual pároco, Frei Paulo Sergio M. Angeloni, moveu um pedido a Sua Eminência Dom Orani João Cardeal Tempesta. Sendo acolhido o pedido e a resposta positiva, a Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora das Dores será oficializada como Santuário, uma concretização do sonho de muitos fiéis, frades e sacerdotes da Arquidiocese, que, ao longo da história, colaboraram na construção do templo físico e espiritual do bairro do Rio Comprido. A cerimônia seguirá com a dedicação do altar e elevação a Santuário no dia 31 de maio de 2026, às 9h00.

 

Datado, 25 de maio de 2026, Festa da B. Virgem Maria, Mãe da Igreja.

 

Frei Paulo Sergio M. Angeloni, pároco

Colaboradores: Frei Alexsandro M. Pimentel e Frei Byron M. Parrales.

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