Hospital celebra cem anos do lançamento da pedra fundamental do prédio que deu início a um complexo hospitalar de mais de 45 mil m² na Tijuca

Quem passa na Rua Conde de Bonfim, na Tijuca, vê o histórico prédio do Hospital São Francisco na Providência de Deus (HSF) e não imagina a importância do local para a cidade. Um dos maiores e mais antigos hospitais do Rio de Janeiro, fundado pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, celebrou, com missa presidida pelo Padre Caio Dias, do Seminário Arquidiocesano São José, os 100 anos do lançamento da Pedra Fundamental do seu Pavilhão Cirúrgico.

Na comemoração do aniversário, Frei Carlos Burdini, o diretor geral do HSF propôs uma reflexão: “As pessoas que estavam presentes no lançamento da Pedra Fundamental talvez não imaginassem todo o ‘peso’ que ela seria capaz de suportar. Não estou falando apenas da parte física: infraestrutura, paredes, equipamentos. Falo em termos de vidas salvas. Neste prédio temos o Centro Médico com mais de 20 especialidades, 53 leitos de Terapia Intensiva. Hemodiálise, hemodinâmica, centro oftalmológico, psiquiatria, emergência 24 horas e um grandioso Centro Cirúrgico. Todos nós, colaboradores, médicos, equipe de apoio, religiosos, somos as ‘pedras vivas’ que continuam suportando esse hospital e permitindo que este projeto continue forte. Precisamos cada vez mais assumir a responsabilidade de fazer parte desta missão”, declarou.

Para representar as pessoas que a cada dia contribuem para a história do HSF, Frei Carlos convidou o chefe do serviço de Urologia do hospital, Paulo César Costa Leite, que atua na unidade há 57 anos; a Irmã Gilda da Silveira, que está há 40 anos na instituição e atualmente coordena o setor de Compras e um dos funcionários mais antigos da manutenção do hospital, Rosildo dos Santos, com 32 anos de casa.

Frei Carlos lembrou que ao longo de sua história, o HSF passou por ‘ventanias e tempestades’, mas não ruiu. “A sagrada escritura diz que a verdadeira rocha é Cristo e este hospital superou suas dificuldades porque está fundamentado em uma pedra que não é física, é espiritual”, destacou.

Onde tudo começou

A importância da obra de construção do Pavilhão Cirúrgico foi tamanha que o lançamento da pedra fundamental contou com a presença do então presidente do país, Arthur Bernardes. Sua estrutura era uma modernidade para a época. Para se ter ideia da grandiosidade, com o decorrer dos anos o Centro Cirúrgico foi chamado de ‘Maracanãzinho’, com 9 salas cirúrgicas e capacidade para 50 cirurgias/dia. Outros destaques foram a Unidade de Cobaltoterapia para tratamento de câncer, técnica importada do Canadá; e a Cardiologia, com equipamentos também vindos do exterior, assim como a estrutura para atendimento em Oftalmologia. Todas as especialidades oferecidas, entre elas Radiologia, Urologia, Otorrinolaringologia e Fisioterapia, contavam com as mais modernas infraestruturas da época.

Fundada em 1619, a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência inicialmente estabeleceu suas obras religiosas e sociais no Largo da Carioca, no Centro, onde em 1763 inaugurou o seu hospital com duas enfermarias. Com a chegada da família Real, em 1808, o número de assistidos cresceu, tendo sido inclusive uma dessas enfermarias destinada exclusivamente para os criados e empregados do Império. Em 1905, o então prefeito Pereira Passos desapropriou o terreno do hospital para obras do plano de urbanização da cidade. Foi quando a Ordem adquiriu três chácaras na Tijuca e ali começaram a funcionar as enfermarias, ainda nos imóveis já existentes no local.

O hospital, aos poucos, se transformou em um complexo hospitalar com 10 prédios e 45.257m² de área construída. Após um tempo operando com apenas 10% de sua capacidade, o hospital passou a ser administrado pela Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus (ALSF), em 2011. Desde então, firmou diversos convênios com o SUS via Secretaria do Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) e se tornou referência em diversos serviços. “Somos referência nacional em transplantes hepáticos e renais e mantemos serviços de cirurgia bariátrica e cardiologia, todos pelo SUS. Nossos números de atendimentos são significativos: cerca de 250 mil consultas ambulatoriais, 14 mil internações e mais de 7,5 mil cirurgias desde a celebração dos convênios com a SES-RJ/SUS”, salienta Frei Carlos. “Estamos cumprindo nosso dever como franciscanos, de acolher e cuidar das pessoas”, complementa Frei Francisco Belotti, fundador e presidente da ALSF. Ele adianta que a Associação já está conversando com a SES-RJ em vista de novos serviços de cirurgias de média e alta complexidades em Ortopedia e com o governo federal para a criação de um centro de tratamento em Oncologia.

Atualmente, o HSF oferece atendimento particular, via convênios de saúde e através do SUS, via Sistema Estadual de Regulação (SER).

A Associação

A ALSF administra mais de 80 serviços de saúde em 32 cidades brasileiras e está presente em 5 países, entre hospitais gerais e outros serviços de saúde como ambulatórios médicos e prontos-socorros.

Alessandra Eckstein

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