Imagem do Cristo Libertador

Em 2018, durante o encontro com os diretores da Associação dos Promotores da Arte dos Museus Vaticanos, o Papa Francisco expressou a importante interação entre a Arte e a Fé. Segundo o Santo Padre, a arte, “na história, perdia apenas para a vida no testemunho ao Senhor. De fato, ela foi e ainda é a estrada principal que conduz à fé mais do que muitas palavras e ideias, pois partilha com a fé o mesmo caminho, o da beleza”.

Seguindo esse caminho, a Paróquia de Cristo Libertador, em Realengo, encomendou uma obra ao artista plástico Hildebrando Lima, e participou ativamente de todo processo criativo, desde a concepção até a realização do projeto. Graças à colaboração generosa de toda comunidade e amigos, hoje podemos entronizar a obra em nosso presbitério.

Concebida, especialmente, para o seu espaço celebrativo, a imagem do Cristo Libertador, apresenta elementos simbólicos que nos remetem ao mistério do Cristo. Ao mesmo tempo, remete-nos a elementos essenciais de nossa caminhada histórica, de modo a ser uma verdadeira obra de arte que nos ajude, através da contemplação da beleza criada, a alcançar o Belo, que é o Criador.

 

– Cristo Glorioso (Parusia)

O Cristo Glorioso que vem sobre as nuvens, manifestando toda sua majestade, o vencedor da morte, aquele que é, que era e que vem. Com esse olhar escatológico, contemplando o Cristo da Parusia, iniciamos a concepção da imagem do Cristo Libertador, que ocupa o espaço central do presbitério.

 

– Cristo que desce do céu (movimento)

A imagem é trabalhada de forma a manifestar um movimento, o Cristo que vem, que desce do céu, não mais sob o aspecto da nossa fragilidade humana, mas manifestando toda sua glória e poder. Aquele que se encarnou, assumiu nossa humanidade, ao ressuscitar, não abandona a humanidade que assumira, mas, como diz o prefácio da Páscoa: “Morrendo, destruiu a morte e ressurgindo, deu-nos a vida”. O movimento manifestado na imagem mostra o Cristo que vem do céu ao nosso encontro para libertar-nos de todo mal, de todo pecado.

 

– As marcas da Paixão

O Cristo traz as marcas da Paixão, nas mãos, nos pés e no lado traspassado. O manto do Cristo, nesse movimento, salientado na feitura da imagem, deixa evidente o lado aberto, de onde brotou sangue e água. Do coração traspassado de Cristo brotam sangue e água, símbolos do Batismo, da Eucaristia, da Igreja, esposa de Cristo, que “nasce do lado aberto do novo Adão, como Eva nasceu do lado aberto do primeiro” (Santo Ambrósio).

 

– Sorriso e mãos do Cristo (acolhimento)

O Cristo vem ao nosso encontro, esse encontro é causa de nossa alegria. O Documento de Aparecida nos recorda que no encontro com Cristo nasce o ser cristão, o discipulado, a missão. O Cristo vem ao nosso encontro, ele vem nos encontrar e ao mesmo tempo deixa-se encontrar. Essa alegria do encontro é manifestada no sorriso do Cristo que vem, nas mãos estendidas como que a nos convidar a abraçá-lo. Abraçar o Cristo é abraçar sua proposta de vida que transforma nossa vida, que nos liberta das amarras do homem velho e nos faz homens novos.

 

– Correntes rompidas aos pés do Cristo (libertação)

As correntes rompidas, sob os pés do Cristo que vem nos encontrar, manifestam a libertação operada por Cristo Senhor, é Ele o Libertador. Aqui fazemos recordação da primeira forma de representação do Cristo Libertador, pensada pelo saudoso padre João Cribin, fundador da então Comunidade e hoje paróquia. As correntes rompidas, e agora pisadas pelo Cristo, querem manifestar a libertação integral do homem.

A imagem do Cristo Libertador quer manifestar, de forma artística, aquela realidade que deve ser experimentada por cada cristão. Jesus vem ao nosso encontro para nos libertar, como nos apresenta São João: “se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres” (Jo 8,36).

 

Padre Vanderson de Oliveira
Administrador paroquial da Paróquia Cristo Libertador, em Realengo
Diretor Artístico do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra

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