A 11ª edição da Marcha pela Vida no Rio de Janeiro será realizada no dia 3 de maio de 2026, domingo, às 10h, na Praia de Copacabana, reunindo participantes em defesa da vida e contra o aborto. Com o tema “A vida depende de seu voto”, a mobilização deste ano propõe uma reflexão sobre o papel da sociedade no contexto das eleições e das decisões públicas relacionadas à proteção da vida humana.
Segundo a cantora e missionária católica Zezé Luz, fundadora da Rede Colaborativa Brasil, o evento é fruto de uma caminhada consolidada ao longo dos anos: “Há mais de uma década estamos lutando para que a vida humana seja protegida em sua totalidade”. Ela ressalta que o movimento se fundamenta na defesa do direito à vida como princípio garantido pela Constituição Federal: “A vida humana é um dom inviolável, e a Constituição de 1988 reafirma essa proteção”.
A proposta da marcha, de acordo com a organizadora, é reunir pessoas de diferentes crenças e posicionamentos em torno de uma causa comum. “É um movimento suprarreligioso. Independentemente do seu credo, precisamos que todos estejam presentes, exercendo a sua cidadania. Será uma concentração de pessoas de bem, todos com uma só voz para dizer sim à vida”, afirma. O tema deste ano destaca a importância da participação consciente da população no cenário político: “Não adianta apenas acompanhar, é preciso ter consciência no momento de escolher nossos representantes”.
Durante a mobilização, também serão abordados aspectos científicos e éticos relacionados ao tema. “Não precisamos dizer que somos cristãos para defender a vida, basta sermos seres humanos”, afirma a missionária, ressaltando a importância da bioética e do debate público fundamentado. Ela acrescenta que o objetivo é dar visibilidade à defesa daqueles que, segundo o movimento, não têm voz: “Queremos defender os não nascidos, aqueles que não podem se defender por si só”.
Zezé Luz também enfatiza que a manifestação será pacífica e voltada à conscientização: “Nada de ofensa. Vamos com cartazes, com faixas, exercendo nosso direito de cidadãos”. Além disso, reforça a necessidade de mobilização: “Convido você a chamar pelo menos mais cinco pessoas para estarem presentes conosco”.
A marcha também se insere em um conjunto mais amplo de iniciativas pró-vida, como ações de acolhimento e apoio às gestantes. “Queremos uma nação livre de violência e que as mulheres sejam acolhidas”, afirma.
Para facilitar o acesso no início da concentração, a orientação é que os participantes utilizem o metrô até a estação Cantagalo, seguindo pela Rua Miguel Lemos até a orla.
Informações adicionais sobre a campanha podem ser obtidas no site www.BrasilSemAborto.org.
O povo que constrói a cultura da vida
A mobilização da 11ª edição da Marcha pela Vida, que integra uma série de iniciativas voltadas à promoção e defesa da vida, também busca ampliar a conscientização da sociedade sobre temas relacionados à dignidade humana e às decisões públicas que impactam a proteção da vida.
De acordo com o bispo auxiliar e referencial da Promoção e Defesa da Vida na Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antonio Augusto Dias Duarte, a marcha expressa o compromisso de um grupo significativo da sociedade com a valorização da vida humana: “Nós somos o povo pela vida, o povo que constrói a cultura da vida”. Segundo ele, a iniciativa surge em um contexto desafiador, no qual questões complexas muitas vezes recebem respostas imediatistas: “Num mundo onde a morte passou a ser a solução mais imediata de tantas questões que merecem maior consideração”.
Dom Antonio Augusto destacou a necessidade de maior atenção aos momentos delicados da gestação, especialmente nos casos que exigem acompanhamento médico. Para ele, a resposta adequada deve ser o cuidado e a assistência: “Cabe à medicina ajudar tanto a mãe como a criança, tomando as providências necessárias”. Nesse sentido, reforçou a importância de evitar qualquer forma de sofrimento ao nascituro: “Jamais se deve provocar um sofrimento nos bebês”.
O bispo auxiliar também chamou atenção para debates em curso no âmbito jurídico e legislativo que, segundo ele, impactam diretamente a proteção da vida. Ele ressaltou que a discussão vai além da dimensão biológica, envolvendo aspectos sociais e humanos mais amplos: “Não é apenas uma vida biológica, mas uma vida histórica, uma vida social, uma vida que cada pessoa vai trazer e contribuir para o bem da sociedade”.
Ao abordar o cenário atual, o bispo destacou a necessidade de coerência na defesa da dignidade humana em todas as suas dimensões. “Vivemos em uma sociedade que luta contra diversas formas de violência, mas muitas vezes esquece a violência contra as crianças em gestação”, afirmou. Ele também ressaltou a importância da formação de valores desde os primeiros anos de vida, como base para a construção de uma sociedade mais justa.
Em ano eleitoral, Dom Antonio Augusto enfatizou a responsabilidade dos cidadãos no exercício do voto, destacando a importância de considerar princípios e valores: “Não é o nome que nós temos que considerar, nós temos que considerar os princípios”. Segundo ele, a escolha dos representantes deve estar alinhada com o compromisso com o bem comum e a dignidade da pessoa humana.
Para o bispo, a Marcha pela Vida ultrapassa o caráter de protesto e se configura como um momento de reflexão e construção social: “Essa marcha não é apenas para protestar, mas para conscientizar o povo brasileiro da responsabilidade que ele tem”. Ele conclui destacando a vocação do país para o acolhimento e a promoção da vida: “Seja realmente um momento não apenas para protestar, mas para construir um novo Brasil”.
Carlos Moioli