Missa no Vidigal celebra os 49 anos da Pastoral da Moradia e Favelas da Arquidiocese do Rio

A Pastoral da Moradia e Favelas da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro celebrou, no dia 11 de julho, seus 49 anos de existência com uma missa em ação de graças na Capela São Francisco de Assis, no Morro do Vidigal. A celebração foi presidida pelo monsenhor Luiz Antônio Pereira Lopes, coordenador arquidiocesano da Pastoral, e reuniu agentes pastorais, moradores das comunidades, lideranças e fiéis para agradecer pela trajetória da instituição e renovar seu compromisso com a evangelização nas periferias.

Em sua homilia, inspirada no lema “Vida apesar de tudo”, monsenhor Luiz Antônio recordou a missão da Pastoral de Favelas junto às comunidades cariocas, marcada pela defesa da dignidade humana, pela promoção da justiça social e pelo anúncio do Evangelho em meio aos desafios vividos pela população das favelas. Destacou, ainda, que a missão evangelizadora da Igreja exige que a Palavra de Deus também seja anunciada nas periferias urbanas, reafirmando o compromisso eclesial com a promoção da dignidade humana, da justiça social e da defesa dos direitos, especialmente dos mais vulneráveis.

Fundada em 1977, a Pastoral de Favelas nasceu em resposta à ameaça de remoção que pairava sobre os moradores do Vidigal durante a ditadura militar. Sob o pastoreio de Dom Eugenio de Araujo Sales, então arcebispo do Rio de Janeiro, a Igreja organizou uma ação pastoral permanente para acompanhar as comunidades, defender o direito à moradia e assegurar a dignidade das famílias que viviam nas favelas. A partir dessa experiência, a Pastoral consolidou-se como um importante organismo da Arquidiocese, ampliando sua atuação para diversas comunidades cariocas e tornando-se referência na promoção da cidadania, da justiça social, da paz e da defesa da vida.

A celebração aconteceu na Capela São Francisco de Assis, no Vidigal, local que ocupa um lugar singular na história da Pastoral de Favelas e da própria Arquidiocese do Rio de Janeiro. Foi nessa comunidade que a Pastoral deu seus primeiros passos e onde, em 1980, São João Paulo II encontrou-se com os moradores durante sua visita ao Brasil, em um momento histórico que reafirmou a proximidade da Igreja com as populações das favelas e sua opção pela defesa da dignidade humana.

A Santa Missa foi celebrada em sufrágio da alma de Dom Eugenio de Araujo Sales, sob cujo pastoreio foi criada a Pastoral de Favelas; do padre José Ítalo Augusto Coelho, fundador e primeiro coordenador da Pastoral; dos advogados Bento Rubião e Heráclito Sobral Pinto; de Eliana Augusta de Carvalho Athayde, fundadora do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Bento Rubião, que colocou seus conhecimentos jurídicos a serviço da defesa dos moradores ameaçados de remoção; além do cantor, compositor e cineasta Sérgio Ricardo, que se mudou para o Vidigal para apoiar diretamente a luta da comunidade pelo direito à moradia; e das lideranças comunitárias que dedicaram suas vidas à missão evangelizadora e à promoção da dignidade das comunidades.

Na ocasião, também foram recordados os 46 anos da visita do Papa São João Paulo II ao Morro do Vidigal, um marco na caminhada da Pastoral de Favelas que reafirmou a proximidade da Igreja com os moradores das comunidades.

Ao retornar ao local onde nasceu sua missão, a Pastoral de Favelas renovou seu compromisso com a evangelização, a defesa da vida, da justiça, da paz e dos direitos das populações das favelas. Mais do que recordar o passado, a celebração de quase meio século de história convidou a Igreja e a sociedade a renovar o compromisso com a promoção da dignidade humana, mantendo viva a missão iniciada no Morro do Vidigal e que hoje alcança comunidades em toda a Arquidiocese do Rio de Janeiro.

 

CLÁUDIO SANTOS – Coordenador das Pastorais Sociais dos Vicariatos Norte e Tijuca

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