Paróquia de São Jorge, em Quintino, é elevada a Santuário Arquidiocesano no dia do padroeiro.

A Paróquia São Jorge, em Quintino, foi elevada à dignidade de santuário arquidiocesano durante Santa Missa presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, no dia 23 de abril de 2026, reunindo grande número de devotos por ocasião da festa do padroeiro.

No início da celebração, todos os presentes foram acolhidos pelo pároco, padre Celso Pedro Copetti, religioso da Congregação de São José (Josefinos de Murialdo), e contou com a presença de diversos sacerdotes da congregação vindos de outros estados, que se uniram à comunidade local neste momento histórico.

 

Dia especial

Em suas palavras iniciais, o arcebispo destacou o significado da celebração e a presença do povo de Deus vindo de diversas regiões da cidade e afirmou: “Hoje é um dia muito especial”. O arcebispo explicou que o reconhecimento da igreja como santuário representa um passo além da missão paroquial já existente, ampliando sua dimensão pastoral e espiritual: “Que seja um lugar de santificação do povo de Deus”.

Foi lido o decreto de criação do novo santuário pelo diácono José Francisco Pinto de Souza, oficializando a elevação da igreja como centro de peregrinação e devoção popular. Após a leitura, o arcebispo proclamou: “Está criado o Santuário Arquidiocesano de São Jorge, em Quintino, o 22º santuário da Arquidiocese do Rio de Janeiro”. Ele ressaltou ainda a identidade do local como espaço de fé: “Lugar de devoção, de peregrinação e de santificação”.

O arcebispo também destacou que a nova condição traz responsabilidades adicionais à comunidade e ao pároco, que assume agora a missão de reitor do santuário: “Além do trabalho pastoral na paróquia, o pároco também assume a missão de reitor do santuário”. A criação do santuário reconhece uma realidade já vivida pela intensa devoção popular a São Jorge, especialmente no contexto carioca, onde o santo é amplamente venerado como símbolo de coragem, fé e resistência. Além disso, o santo mártir, junto com São Sebastião, é o padroeiro do Estado do Rio de Janeiro.

 

Intenções da Santa Missa

Ainda no início da celebração, o arcebispo convidou os fiéis a unirem-se em oração por diversas intenções da Igreja e do mundo, incluindo a paz, a viagem apostólica do Papa Leão XIV à África, a Assembleia da CNBB, as vocações sacerdotais, a vida da arquidiocese e a perseverança na fé cristã. Também incentivou que a devoção ao santo padroeiro conduza a um compromisso concreto com o Evangelho: “Que a devoção a São Jorge nos leve cada vez mais a vivermos com alegria a nossa fé cristã e católica”.

 

Testemunha fiel de Cristo

Em sua homilia, o arcebispo destacou o significado espiritual do novo santuário e a força do testemunho de São Jorge para a vida cristã, especialmente no contexto urbano e desafiador da cidade. O novo santuário passa a ser, assim, um espaço privilegiado de acolhida, oração e fortalecimento da fé para peregrinos de toda a arquidiocese.

O arcebispo destacou a fidelidade de São Jorge, militar do Império Romano, que não negou sua fé mesmo diante das perseguições. “Ele perdeu a sua função, perdeu tudo, até a própria vida, mas deu testemunho de Jesus Cristo”, disse, e observou: “Foi um homem cristão, que colocou Cristo como centro da sua vida e viveu com convicção a sua fé até o fim”.

Para o arcebispo, esse testemunho permanece atual e inspira os fiéis de todos os tempos: “No hoje de nossa história, somos convidados a dar testemunho de nossa vida cristã, de colocar o Evangelho em prática. O tempo é sempre hoje”.

Ao refletir sobre a vocação do santo mártir, o arcebispo destacou ainda sua condição de leigo, sublinhando a importância do testemunho cristão no cotidiano: “São Jorge era um cristão leigo, viveu o seu batismo até o fim”. Ele incentivou os fiéis a se inspirarem nesse exemplo: “Todos os leigos e leigas devem ver em São Jorge um grande sinal para sua própria vida”.

O arcebispo também abordou a simbologia popular associada ao santo, especialmente a imagem da luta contra o dragão, interpretada à luz da fé: “A espada é a Palavra de Deus para vencer os dragões que estão ao nosso redor”. Segundo o arcebispo, essa imagem representa os desafios enfrentados diariamente pelos fiéis, chamados a perseverar na fé diante das dificuldades. “São Jorge é mártir e testemunha fiel de Cristo, modelo para os cristãos enfrentarem as adversidades do cotidiano com esperança”, acrescentou.

Em referência à forte devoção carioca, o arcebispo afirmou que São Jorge é profundamente amado pelo povo: “Os cariocas amam São Jorge, encontram nele inspiração de nunca desanimar”. Ele destacou que a vida do santo dialoga com a realidade do povo, que enfrenta lutas cotidianas e encontra na fé força para seguir adiante.

Ao concluir, o arcebispo reforçou o chamado à vivência concreta do Evangelho, inspirado pelo exemplo do padroeiro: “Que possamos, ao olhar São Jorge, ver com entusiasmo a vida cristã e testemunhar que Jesus Cristo é o Senhor”. Ele também recordou a intercessão do santo junto a Deus: “São Jorge intercede por nós… pedindo pelas nossas necessidades, pela nossa cidade e pelas nossas famílias”.

 

Mensagem do provincial

Por ocasião da criação do santuário, o provincial dos Josefinos de Murialdo no Brasil, padre Lídio Roman, enviou uma carta, lida pelo padre Elvis Bessa, da mesma congregação, na qual destaca a importância espiritual do momento e a força da devoção popular ao santo padroeiro.

Na mensagem, o religioso ressaltou a alegria pela elevação da igreja à dignidade de santuário, fruto da fé do povo: “Que alegria ver o fruto da fé de tantos que, como São Jorge, enfrentaram dragões e não recuaram diante das batalhas da vida”. Ele recordou o testemunho de São Jorge como mártir fiel a Cristo: “Preferiu morrer a negar a Cristo, pois a verdadeira força está na fé inabalável”.

O provincial também enfatizou que a transformação do local em santuário vai além de um reconhecimento formal: “A igreja se torna santuário não somente pelo decreto humano, mas pela devoção do povo que aqui encontra abrigo, esperança e milagres”. Segundo ele, a fé simples e perseverante dos devotos é o que sustenta a missão evangelizadora da comunidade.

Ao concluir, confiou à intercessão do santo as necessidades da cidade e do país, reforçando o caráter espiritual do novo santuário: “Que São Jorge, guerreiro da paz, interceda junto de Deus pela cidade do Rio de Janeiro”.

 

Boa notícia

Ao final da celebração, o pároco, padre Celso Pedro Copetti, expressou palavras de gratidão ao arcebispo: “Agradecemos imensamente a presença do nosso pastor. Obrigado, Dom Orani, pela bela celebração e por essa notícia de a nossa paróquia se tornar santuário”. Ele também manifestou alegria pela nova etapa da paróquia, já reconhecendo os desafios que acompanham a missão.

Padre Celso ressaltou ainda o desejo de crescimento espiritual da comunidade diante da nova realidade: “Que nós possamos crescer como comunidade, crescer como família e crescer como amigos de São Jorge”. O pároco também agradeceu a mensagem enviada pelo provincial dos Josefinos de Murialdo, reforçando o espírito de comunhão e unidade vivido na ocasião.

 

Ser testemunha de Jesus Cristo

Antes da bênção final na Santa Missa que marcou a criação do Santuário Arquidiocesano de São Jorge, em Quintino, o arcebispo destacou o significado jurídico e pastoral da instalação do novo santuário, além de reforçar seu papel na vida da Igreja local.

O arcebispo explicou que a criação e instalação do santuário se concretizam com a leitura oficial do decreto emitido pela Cúria: “O novo santuário foi criado e instalado neste dia 23 de abril de 2026”, reforçando que o registro deve constar nos documentos da paróquia, consolidando o momento histórico vivido pela comunidade.

Ele também ressaltou que, a partir da elevação à categoria de santuário, será elaborado um estatuto próprio para orientar sua missão: “O estatuto é para definir como acolher os peregrinos”. Ele enfatizou ainda a dimensão ampliada do atendimento pastoral: “O santuário não só vai atender os paroquianos de Quintino, mas a todos os fiéis da arquidiocese”.

Ao destacar o caráter festivo da celebração, o arcebispo convidou os fiéis à ação concreta na vida cristã: “Bendizemos e louvamos a Deus por essa festa de São Jorge. Que cada um, ao voltar para sua casa, pense em como ser testemunha de Jesus Cristo”.

Por fim, o arcebispo incentivou os fiéis à vivência da fé no cotidiano, unida à oração pelas necessidades do mundo: “Rezemos pela paz, pela família e por essa nossa caminhada enquanto povo de Deus”, sintetizando o espírito missionário que deve marcar a vida do novo santuário e de todos os fiéis.

 

Origem do santuário

A história da Paróquia de São Jorge, em Quintino, tem origem em uma simples manifestação de fé popular, iniciada quando senhoras se reuniam para rezar o terço em uma residência na Rua Clarimundo de Melo. A devoção se fortaleceu após a chegada de uma pequena imagem do santo, trazida de Portugal por um morador do bairro, e levou à construção de uma capela simples no alto de um morro, de difícil acesso.

Com o crescimento do número de fiéis, a comunidade foi oficialmente organizada como paróquia em 1º de janeiro de 1945, por decreto de Dom Jaime de Barros Câmara, que nomeou como primeiro pároco o padre Carmelo Loréfice. A intensa devoção a São Jorge e as graças atribuídas à sua intercessão motivaram, anos depois, a construção de um templo maior, iniciada em 1955, sob a condução do padre Menerval de Andrade.

A nova igreja enfrentou desafios, como os deslizamentos provocados pelas chuvas de 1962 e 1963, que levaram à demolição da antiga capela por questões de segurança. Ainda assim, a construção foi consolidada graças ao esforço comunitário em regime de mutirão.

Desde 1983, a paróquia está sob os cuidados da Congregação de São José, os Josefinos de Murialdo, sendo o primeiro pároco o padre Vittorio Costa, que seguem conduzindo a vida pastoral da comunidade. Ao longo dos anos, o templo passou por reformas e ampliações, incluindo melhorias estruturais, construção da Capela do Santíssimo Sacramento e restaurações, consolidando-se como importante centro de fé e devoção na cidade.

 

Carlos Moioli

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