QUINTAS DO ROSÁRIO: ÀKÓRIN – CORAL NEGRO MUVUKA

Fundado em 2024 a partir do projeto de Salvaguarda das Afromineiridades da Associação Ilú Ase Muvuka, em Juiz de Fora (MG), o Àkórin – Coral Negro Muvuka, sob regência de Arlana Vitória Dias Viana, consolida-se como espaço de acolhimento, afirmação identitária e difusão de repertórios historicamente marginalizados. Destacando-se como um dos únicos coros negros da cidade e caminhando para a consolidação de sua linguagem cênicap tornando-se, assim, o primeiro coro cênico negro de Juiz de Fora, o grupo tem como missão central a ocupação de espaços de visibilidade artística e acadêmica por meio da música de matriz africana, de religiões afro-brasileiras e da produção de compositores negros e mineiros.

Em profunda consonância com o eixo temático “Escritura e Oralidade”, o Àkórin vivencia em sua práxis pedagógica a centralidade da oralidade: composto por coralistas de diversas faixas etárias e trajetórias, a aprendizagem e a fixação do repertório polifônico ocorrem prioritariamente por transmissão oral e áudio-guias. Essa dinâmica metodológica reafirma o saber auricular e a memória corporal afro-diaspórica como pilares legítimos de construção musical, permitindo ao grupo executar arranjos de elevada densidade técnica e expressiva. O repertório proposto transita do idioma ancestral (Xhosa e Iorubá) ao hibridismo das canções de terreiro, dos blocos afros e da música popular antirracista, celebrando a circulação das memórias sonoras da África no Brasil.

Regência: Arlana Vitória Dias Viana

Percussionista: Rafael Vitor dos Santos

Integrantes: Aline Aparecida de Oliveira, Antônio Levy Botero Neto, Clara Rodrigues Fonseca, Denise Lizardo, Gabriela de Oliveira Clemente, Edwirges Margarita da Silva Apolinario, Érika Silva Pedro, Júlia Nascimento Salles, Larissa da Silva Silvestre, Lídia Rocha da Silva, Rafael Ferreira Sabariz, Raquel Magalhães Pinto, Rhuan Breno de Paula, Ricardo Silva, Sulimar Santos Domingos.

1. Bragada Ogum

Autor / Letrista: Domínio Público (Tradição de Matriz Africana)

2. Deixa a Gira Girar

Autor / Letrista: Dadinho, Heraldo e Mateus Aleluia (Os Tincoas)

Arranjador: Pedro A. Vieira

3. Mamãe Oxum (Canto de Oxum)

Autor / Letrista: Domínio Público (Recolhido na Casa da Mãe Guacyara / Vozes Bugras)

4. Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê

Autor / Letrista: Caetano Veloso

Arranjador: Bontzye Schmidt Sandoval

5. Ndikhokhele Bawo

Autor / Letrista: Tradicional Sul-Africano

Arranjador: Henri William Otsomotsi

Ano: 2016

6. Canto das Três Raças

Autor / Letrista: Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro

Arranjador: Bia De Luca

Ano: 2003

OESTE JAZZ ENSEMBLE: ESCRITURA, ORALIDADE E MEMÓRIAS SONORAS DA DIÁSPORA NEGRA

A apresentação propõe um encontro entre jazz, vissungos, funk carioca e poesia, articulando práticas de escrita musical, transmissão oral e improvisação coletiva. Vinculado ao Circuito Oeste Jazz, desenvolvido nas zonas Oeste e Sudoeste do Rio de Janeiro, o conjunto aproxima repertórios negros de diferentes contextos históricos e territoriais, explorando suas possibilidades de diálogo.

Em consonância com o tema “Escritura e Oralidade”, o programa apresenta a partitura como suporte para a criação e a memória musical, em interação com saberes transmitidos pela escuta e pela performance. A palavra falada participa da construção musical, enquanto melodias e referências compartilhadas são reelaboradas por meio dos arranjos e da improvisação.

Violino e direção musical – Pedro Moreira Magalhães

Guitarra – Vitor Barros

Baixo – Marcos Mendes

Bateria – Gabriel Rangel

Participação especial, poesia e spoken word: Thiago Dife

 

1. Work Song

Composição: Nat Adderley.

Texto poético: “Ônibus”, de Thiago Dife.

Participação: Thiago Dife — spoken word.

A interpretação incorpora o poema “Ônibus” à estrutura musical, atribuindo à intervenção poética a função de um chorus de solo. A voz dialoga com o acompanhamento instrumental e introduz experiências de deslocamento, trabalho, desigualdade e racismo no cotidiano urbano. O poema integra a forma da apresentação, articulando expressão verbal e desenvolvimento musical.

2. Vissungo

Fonte musical: vissungos tradicionais — Cantos I e II de O canto dos escravos.

Referência interpretativa: Clementina de Jesus.

A peça, anteriormente denominada “Reverência aos Cúrias”, passa a ser apresentada como “Vissungo”. Sua reelaboração instrumental coloca em diálogo a memória de um repertório de transmissão oral, seu registro escrito e as possibilidades de criação do quarteto. A interpretação de Clementina de Jesus constitui uma referência para essa aproximação, sem lhe atribuir a autoria dos cantos tradicionais.

3. Evoluiu

Composição: Kevin o Chris e Sodré.

Rearmonização: Pedro Moreira Magalhães.

O arranjo aproxima o funk carioca das práticas de rearmonização e improvisação do conjunto. A melodia é apresentada em um contexto harmônico reelaborado, enquanto o tema de “Baile de Favela” funciona como vamp para a saída do solo e o retorno à melodia principal. A referência ao funk participa, assim, da própria organização formal da performance.

4. Haitian Fight Song

Composição: Charles Mingus.

A peça encerra o programa. Na proposta curatorial do conjunto, sua presença estabelece uma relação com a memória da Revolução Haitiana e com os debates sobre resistência e emancipação negra desenvolvidos pelo Circuito Oeste Jazz. A interpretação articula exposição temática, interação instrumental e espaços de improvisação.

 

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