Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42).

Celebramos neste domingo a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Esta celebração está no lugar do 20º Domingo do Tempo Comum. Por questões pastorais, a Igreja no Brasil celebra essa solenidade no domingo para que mais pessoas possam participar da celebração. Em outras partes do mundo, essa solenidade é celebrada no próprio dia 15 de agosto.

Esta celebração tem um grau de importância muito grande para nós, pois é um dos quatro dogmas de Nossa Senhora. O dogma é uma verdade de fé que a Igreja, como mãe e educadora, nos apresenta para que creiamos. O dogma não é imposto e não foi apresentado para nós de maneira arbitrária, mas depois de um longo estudo e discussões com o Papa e os bispos. Portanto, nós cremos que Nossa Senhora foi assunta ao céu de corpo e alma e está junto de Jesus, intercedendo por nós.

Esse dogma de fé foi proclamado em honra a Nossa Senhora no ano de 1950. Os outros três dogmas são: Imaculada Conceição, Virgindade Perpétua e Mãe de Deus.

Ao celebrarmos a Assunção de Nossa Senhora, confiamos naquilo que irá acontecer conosco no fim de nossa vida, ou seja, após a nossa peregrinação terrestre, habitaremos eternamente ao lado de Deus. Construamos o Reino de Deus aqui na terra, proclamemos a Boa-Nova da Palavra, busquemos uma vida reta e de santidade para alcançarmos a vida eterna.

Sabemos que estamos num mês especial, que é o mês vocacional, e, nessa celebração da Assunção de Maria, rezamos pelas vocações à vida religiosa e consagrada, ou seja, por aqueles e aquelas que se consagram com amor a Nosso Senhor para serem testemunhas d’Ele aqui na terra. Do mesmo modo que a Virgem Maria se consagrou ao Senhor e disse o seu “sim”, os religiosos e religiosas, consagrados e consagradas, nos dias de hoje, dão o seu “sim” ao Senhor todos os dias e consagram-se a Ele inteiramente.

No primeiro domingo, recordamos a vocação aos ministérios ordenados; no segundo domingo, a vocação ao matrimônio, à família e à paternidade; neste domingo, a vocação à vida religiosa e consagrada; na semana que vem, a vocação aos ministérios leigos nos seus diversos serviços; e, no último domingo do mês, comemoramos o Dia Nacional dos Catequistas. Celebremos neste domingo a Assunção de Maria e peçamos a Ela a coragem de darmos o “sim” a alguma pastoral de nossa paróquia, se ainda não o fazemos.

O Evangelho narra Nossa Senhora indo apressadamente à casa de Isabel para ajudar a sua prima em suas necessidades, pois estava prestes a dar à luz, e Isabel a saúda como a “mãe do meu Senhor”. Que, a exemplo de Nossa Senhora, possamos partir apressadamente à casa de nossos parentes e amigos, levando em nossas vidas Jesus Cristo. Incentivemos os jovens a abraçarem a vocação à vida religiosa e consagrada.

A primeira leitura da Missa deste domingo é do livro do Apocalipse de São João (Ap 11,19a; 12,1-3.6a.10ab). São João descreve a visão que teve: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas. Ele vê outro sinal no céu: um dragão cor de fogo. Tinha sete cabeças e, sobre as cabeças, sete coroas. O dragão parou diante da mulher, pronto para devorar o filho que ela estava esperando. Ela deu à luz o filho que governou todas as nações com cetro de ferro. O filho foi levado para junto de Deus e de seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe havia preparado um lugar. João ouve uma voz do céu que dizia: “Agora realizou-se a salvação, a força e a realeza do nosso Deus, e o poder de seu Cristo” (Ap 12,10).

Essa mulher que João vê é Nossa Senhora, que estava a ponto de dar à luz Jesus, mas é também sinal da Igreja, que gera novos homens. A coroa de doze estrelas faz referência ao povo de Deus. O dragão é figura do mal que queria impedir que ela desse à luz o seu filho. O filho nasce e governa todas as nações com cetro de ferro e, apesar da rejeição de muitos, morreu na cruz para redimir a humanidade inteira.

O Salmo Responsorial 44 (45) faz referência a uma rainha, que podemos comparar a Nossa Senhora, que se encontra à direita, junto de Deus, intercedendo por cada um de nós. Nossa Senhora intercede por nós junto a Deus, do mesmo modo que ela fez nas bodas de Caná.

A segunda leitura é extraída da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,20-27a). Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram, ou seja, Ele morreu para abrir caminho para nós, pois, do mesmo jeito que Ele ressuscitou, nós também ressuscitaremos. Nós cremos nisso toda vez que há a consagração da Eucaristia na Missa, pois, nesse momento, atualiza-se a paixão, morte e ressurreição do Senhor. Conforme nossa resposta após o sacerdote dizer “Eis o mistério da fé”: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”. Como em Adão todos morrem, em Cristo todos reviverão.

O Evangelho é extraído de Lucas (1,39-56), que narra a passagem em que Maria parte apressadamente para a casa de sua prima Isabel e fica três meses com ela. Assim que Maria saúda Isabel, o filho que Isabel esperava, que era João Batista, pula de alegria em seu ventre. E Isabel e o filho que ela esperava ficam cheios do Espírito Santo. Nossa Senhora transmite a Isabel e ao seu filho a força do Espírito Santo e passa a eles a alegria que é servir ao Senhor.

Isabel profere lindas palavras a Nossa Senhora, que estão contidas na Ave-Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre” (Lc 1,42). Em seguida, Nossa Senhora recita a oração que hoje conhecemos como “Magnificat”. Nesse cântico, Nossa Senhora recorda as maravilhas que Deus operou em favor do seu povo e como a escolheu para ser a Mãe do Salvador. Em Jesus, todo o povo de Israel deveria confiar, pois Ele veio conduzir todo o povo a Deus.

Nesta Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu, peçamos que Ela nos conduza sempre ao seu Filho e que possamos, como Ela, guardar e conservar tudo no nosso coração. Que o Espírito Santo sempre nos ilumine e nos ajude, a cada dia, a dizer “sim” a Deus. Lembremo-nos das maravilhas que Deus fez na vida de cada um de nós, assim como Ele fez com o povo de Israel.

Peçamos que todos os religiosos e consagrados recordem as maravilhas que Deus operou em suas vidas e possam, diariamente, renovar o seu “sim”. Sejam consagrados para amar e servir, sobretudo aos mais pobres.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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