A Santa Missa da Páscoa da Justiça foi celebrada no dia 18 de maio, na sede do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), reunindo magistrados, servidores e representantes do meio jurídico em um momento de fé e reflexão no contexto do tempo pascal. A celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, e contou com a concelebração de monsenhor Sérgio Costa Couto e dos padres Nelson Águia e Marco Lázaro Mendes Dias.
Entre os presentes, destacou-se a participação do presidente do TJRJ, Ricardo Couto de Castro, que, de forma inédita neste ano, acumulava também a função de governador interino do Estado do Rio de Janeiro. Ele fez a leitura da Carta de São Paulo aos Romanos e destacou a importância de manter a tradição de celebrar a Missa da Páscoa da Justiça.
“Quando estamos aqui, num momento como esse, estamos pensando em valores éticos e cristãos, por isso a importância dessa celebração feita entre todos nós. O Rio de Janeiro precisa dessa mensagem de fé, que, no fundo, significa esperança”, disse o presidente do TJRJ.
Consolidada no calendário da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a celebração busca levar ao ambiente jurídico a mensagem central da Páscoa: a vitória da vida, da verdade e da justiça. Segundo o padre Nelson Águia, “a celebração acontece todos os anos junto ao Poder Judiciário no período pascal, reunindo magistrados, juízes, funcionários do tribunal, procuradores, promotores, defensores públicos e advogados”.
Segundo o padre Nelson Águia, a celebração é a ocasião em que a Igreja se aproxima das instituições para “iluminar suas atividades com os valores do Evangelho”.
De acordo com o sacerdote, a presença e a mensagem de Dom Orani foram marcantes para os participantes, sendo acolhidas com atenção e entusiasmo.
“A Missa da Páscoa da Justiça reafirma, assim, o diálogo entre fé e sociedade, propondo aos profissionais do Direito uma reflexão sobre o exercício da justiça à luz dos valores cristãos, especialmente neste tempo pascal, que convida à renovação da esperança e ao compromisso com a dignidade humana”, destacou o padre Nelson Águia.
Construção de uma sociedade justa e fraterna
Na homilia, Dom Orani situou a celebração no contexto litúrgico da Igreja, recordando que a subida de Cristo aos céus – por ocasião da Solenidade da Ascensão do Senhor – não representa distanciamento, mas proximidade com a humanidade. “Jesus sobe aos céus para ficar mais próximo de nós”, afirmou, destacando a presença contínua de Deus no meio de seu povo por meio do Espírito Santo.
Dom Orani também enfatizou que o tempo pascal é marcado pela missão de testemunhar a fé, recordando o envio dos discípulos: “serão minhas testemunhas até os confins do mundo”. Segundo o arcebispo, essa experiência de encontro com Cristo Ressuscitado impulsiona homens e mulheres a se tornarem agentes de transformação no mundo, especialmente por meio de atitudes concretas de perdão, reconciliação e amor ao próximo.
Dirigindo-se de modo particular aos profissionais do Direito, o arcebispo reconheceu os desafios cotidianos enfrentados no ambiente jurídico. Ele destacou que, diante de vários “julgamentos”, é essencial que os operadores da justiça atuem iluminados pelos valores do Evangelho, sendo “fermento no meio da massa” e contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Em sua reflexão, apontou que a vivência da Páscoa deve inspirar decisões pautadas na dignidade humana e no bem comum.
Dom Orani também fez referência às inquietações contemporâneas sobre os rumos da humanidade, com situações de guerras, crises ecológicas e transformações sociais, indicando que a resposta cristã passa pela valorização da pessoa humana e pelo uso responsável dos avanços científicos e tecnológicos. Nesse sentido, destacou que o progresso deve estar sempre a serviço da vida e da dignidade de todos.
Ao concluir, Dom Orani reforçou o chamado à coerência entre fé e prática profissional, convidando os presentes a serem testemunhas de Cristo no exercício de suas funções. “Que possamos cada vez cumprir bem as nossas obrigações, fazer a nossa parte, ser presença de alegria, de paz, de fraternidade”, afirmou, desejando que a celebração da Páscoa da Justiça inspire atitudes que promovam o bem comum e irradiem esperança na sociedade.
Carlos Moioli