A celebração de Corpus Christi é um convite à adoração, à gratidão e ao reconhecimento da presença de Deus na vida cotidiana

A Solenidade de Corpus Christi começou nas primeiras horas da manhã de quinta-feira, 4 de junho, com a tradicional bênção à cidade do Rio de Janeiro, realizada às 6h30 no Santuário Cristo Redentor, no Corcovado. A celebração foi presidida pelo arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, e contou com a acolhida do reitor do santuário, padre Omar Raposo, além da participação de fiéis, colaboradores e profissionais da imprensa.

Em sua reflexão, Dom Orani ressaltou o significado de Corpus Christi como a festa da presença real de Jesus Cristo na Eucaristia e recordou que o Ano Litúrgico contempla Cristo que permanece caminhando com o seu povo.

“Nós caminhamos com Cristo e Ele caminha conosco. Nós acreditamos nessa presença real de Jesus Cristo, o Salvador ressuscitado no meio de nós, que é nosso alimento e sustento para a vida”, afirmou.

Ao recordar a passagem bíblica em que Moisés pede a Deus que permaneça junto ao povo, Dom Orani destacou que o Senhor não apenas veio habitar entre os homens, mas permanece presente de modo especial na Eucaristia. Segundo ele, a celebração de Corpus Christi é um convite à adoração, à gratidão e ao reconhecimento da presença de Deus na vida cotidiana.

“O pão que nós comemos, o Corpo do Senhor, nos faz um. Somos chamados a adorá-Lo e a bendizer a Deus por essa presença em nosso meio e em nossa vida”, disse.

Durante a celebração, o arcebispo também recordou o significado especial do Cristo Redentor para a espiritualidade da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ao mencionar a obra idealizada pelo Cardeal Sebastião Leme, destacou a forte ligação entre o monumento e a devoção ao Coração Eucarístico de Jesus.

“Celebrar Corpus Christi aqui é olhar para o Cristo Redentor e ver o seu coração, recordando o Coração Eucarístico do Senhor. Que Cristo possa fazer morada nos corações das pessoas que passam por esta cidade e que todos experimentem o amor e a misericórdia de Deus”, afirmou.

Dom Orani ainda relacionou a celebração com o tema da 100ª Semana Eucarística da Arquidiocese do Rio de Janeiro — “Eucaristia, unidade e missão” —, destacando que a presença de Cristo na Eucaristia deve conduzir os cristãos à comunhão, à fraternidade e ao compromisso missionário.

“Que neste dia de Corpus Christi possamos reencontrar a unidade e a missão. Somos chamados a ser sinais da alegria, da paz e da esperança tão necessárias para o mundo”, ressaltou.

Fé, sustentabilidade e inclusão social

A celebração ocorreu diante do Tapete de Corpus Christi preparado especialmente para este ano no Santuário Cristo Redentor. A iniciativa ganhou um significado ainda mais amplo ao unir fé, sustentabilidade e inclusão social. Desenvolvido pelo Consórcio Cristo Sustentável, o projeto utilizou a técnica do patchwork para transformar mais de 300 quilos de retalhos de tecidos arrecadados em campanhas e parcerias em uma grande obra de arte sacra.

Com mais de 30 metros de extensão, o tapete foi confeccionado ao longo de dois meses em 25 oficinas colaborativas, envolvendo mulheres em situação de vulnerabilidade social de diversas regiões do Rio de Janeiro e da Grande Rio. Além de preservar a tradição católica de Corpus Christi, a iniciativa promove acolhimento, geração de renda e conscientização ambiental.

Inspirado nos princípios da economia circular e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o projeto é considerado pioneiro por não haver registros de um Tapete de Corpus Christi confeccionado integralmente com a técnica do patchwork.

Vocação contemplativa do Cristo Redentor

Antes da bênção do Santíssimo Sacramento, o reitor do santuário, padre Omar Raposo, dirigiu uma mensagem de acolhida e oração e destacou a espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus, a beleza da criação e a missão do santuário como espaço de contemplação, adoração e cuidado com a Casa Comum.

Padre Omar recordou a importância do Cristo Redentor para a vida espiritual da Arquidiocese do Rio de Janeiro e ressaltou a força simbólica do monumento, que acolhe peregrinos e visitantes de todas as partes do mundo.

“Eis aqui o Sagrado Coração do Redentor, Jesus vivo, manifestado há quase 95 anos, contemplado em meio a essa natureza tão bela”, afirmou.

O sacerdote destacou que o Santuário Cristo Redentor se consolidou como um lugar privilegiado de encontro entre a fé e a criação de Deus. Segundo ele, a presença da Capela Laudato Si’, dedicada à oração e à adoração, reforça essa integração entre espiritualidade e compromisso com a preservação ambiental.

“O Santuário Cristo Redentor é lugar de contemplação da criação de Deus. Com a nossa Capela de Louvor e Adoração Laudato Si’, tudo se integra. É a convergência plena da criação de Deus e do coração do Redentor”, disse.

Durante sua mensagem, o reitor também ressaltou que a celebração de Corpus Christi é um convite à adoração e à gratidão pela presença de Cristo na Eucaristia.

“Que esta manhã seja uma manhã de adoração e também de gratidão. Que o amor do Senhor nos console e que sua misericórdia amplie os nossos horizontes para uma vida marcada pelo equilíbrio, pelas boas práticas sustentáveis, pela criatividade e pela boa arte que comunica o belo”, afirmou.

Ao recordar o início do mês de junho, tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, padre Omar destacou que toda a espiritualidade do Cristo Redentor está profundamente ligada a essa devoção.

“Desse Sagrado Coração nasce toda a espiritualidade do Redentor. Este monumento é, antes de tudo, um monumento ao Sagrado Coração de Jesus”, concluiu.

Carlos Moioli

Fotos: Guilherme Silva

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