15º Domingo do Tempo Comum

A semente caiu em terra boa e deu fruto. (Sl 64/65)

 

Celebramos neste domingo o décimo quinto do Tempo Comum; estamos em período de férias escolares, e muitas famílias programaram viagens, mas não podemos nos descuidar do nosso compromisso cristão de participar da Missa dominical, seja onde estivermos.

Os pais são exemplos para os filhos, e, se levam os filhos para a Igreja desde pequenos, eles irão se acostumando com o ambiente da Igreja e participarão com vontade, sem serem forçados por ninguém. Se os pais rezam e procuram ir à Santa Missa, sobretudo à dominical, os filhos seguirão o exemplo e farão o mesmo.

A liturgia deste domingo fala sobre os frutos e que devemos produzir “bons frutos”, ou seja, a Palavra de Deus é a semente que é lançada em nosso coração, e, a partir da meditação da Palavra, deveremos produzir bons frutos. Daremos bons frutos sendo exemplo para os nossos filhos, meditando a Palavra de Deus e participando da Santa Missa.

A família é a Igreja doméstica. Os primeiros catequistas dos filhos são os pais. Com isso, os pais lançarão a semente, e essa semente se multiplicará, pois os filhos são chamados a cultivar essa semente para que produza muitos frutos. Nos dias de hoje, precisamos que essa semente seja lançada na terra e que produza frutos, para que a paz possa frutificar.

Durante a celebração da Santa Missa, participamos de duas grandes mesas: a da Palavra e a da Eucaristia. A Palavra anunciada deve penetrar em nosso coração para que, a exemplo dos discípulos de Emaús, o nosso coração possa “arder” e nossos olhos possam se “abrir” ao mistério da Eucaristia. Depois de nos alimentarmos dessas duas grandes mesas, estaremos aptos para anunciar o Evangelho e pedir aos ministros que levem a Eucaristia para aqueles que ficaram em casa e que não puderam se deslocar. Dessa forma, produziremos frutos, e esses frutos irão se multiplicar.

A primeira leitura da Missa deste domingo é do Livro do Profeta Isaías (Is 55,10-11). Nesse trecho, o profeta Isaías fala a respeito da Palavra de Deus, que, uma vez lançada sobre a terra, não volta vazia, mas fecunda a terra e produz os frutos. Não devemos deixar morrer a semente da Palavra, mas fazer com que ela frutifique em nosso coração, em nossa casa e em nossa família. A família deve se edificar sobre o alicerce da Palavra.

O salmo responsorial é o 64 (65), que diz em seu refrão: “A semente caiu em terra boa e deu fruto”. Para que a semente dê fruto, é preciso irrigá-la e adubá-la. Podemos fazer isso participando da Eucaristia, exercendo a caridade para com o próximo e rezando a Deus diariamente. Se não criarmos uma intimidade com Deus por meio da oração, a semente da Palavra não produzirá frutos, pois é por meio da oração que entenderemos o que a Palavra quer nos dizer. E, cultivando uma vida de oração, seremos exemplo para os outros.

A segunda leitura da Missa deste domingo é da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 8,18-23). Paulo diz para a comunidade que os sofrimentos que passamos nesta vida presente nem são comparados com a glória que viveremos no céu. Os cristãos são chamados a vivenciar aqui na terra o Reino de Deus, tendo a esperança de viver esse Reino de maneira definitiva no céu. De fato, toda a criação aguarda ansiosamente o dia em que Cristo voltará em sua glória, julgará a cada um de acordo com a sua conduta e manifestará definitivamente o Reino de Deus. Mas, enquanto isso não acontece, devemos fazer frutificar o Reino de Deus aqui na terra, para vivenciá-lo de maneira plena no céu.

O Evangelho é de Mateus (Mt 13,1-23), e, no Evangelho deste domingo, Jesus senta-se às margens do mar da Galileia, e uma grande multidão senta-se ao redor dele para ouvi-lo. Semelhante ao que fazemos em toda Eucaristia, sentamo-nos ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia para escutar o que o Senhor tem a nos dizer. Jesus, como sempre, ensina por meio de parábolas. Ele ensinava sentado, a posição dos grandes mestres e dos sacerdotes, enquanto a multidão, atenta, escutava.

 

Jesus conta a Parábola do Semeador, que saiu para semear. Aconteceu que, enquanto semeava, algumas sementes caíram pelo caminho; algumas dessas sementes foram comidas pelos pássaros; outras caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. Outras sementes caíram no meio dos espinhos; os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. Porém, outras caíram em terra boa e produziram frutos, à base de cem, de sessenta e de trinta por semente. E Jesus acrescenta: quem tiver ouvidos para ouvir, ouça.

Através dessa parábola que Jesus conta, podemos comparar a figura do semeador com Deus. Ele lança a semente da Palavra em nosso coração, e temos que estar abertos para acolher essa Palavra. O nosso coração não pode ser um terreno pedregoso ou como espinheiros que vão sufocar essa Palavra. O nosso coração tem que ser “terra boa”, para poder acolher essa semente da Palavra e fazer com que essa semente produza frutos. A Palavra de Deus tem que ser semeada em nosso coração, e temos que multiplicar essas sementes e fazer com que elas produzam frutos. Nós produziremos frutos a partir do momento em que acolhemos essa Palavra e depois saímos para anunciá-la àqueles que ficaram em nossa casa, no trabalho, no bairro ou na escola.

Celebremos com alegria este décimo quinto domingo do Tempo Comum e acolhamos com alegria a Palavra do Senhor. A Palavra de Deus não pode entrar por um ouvido nosso e sair pelo outro, mas ela tem que ser acolhida e fecundada em nosso coração, para que possamos anunciar essa Palavra aos irmãos. Que, a partir da celebração de hoje, possamos entender a nossa missão.

Peçamos ao Espírito Santo o dom do entendimento e da sabedoria, e que ele nos explique todas as palavras e nos ilumine para que sejamos bons exemplos para os nossos filhos e netos, produzindo frutos por meio da oração e da partilha da Palavra.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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