O 13º Seminário de Comunicação Social, promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro e realizado no Centro de Estudos do Sumaré, de 18 a 21 de agosto, reuniu 120 participantes entre comunicadores, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas. O encontro teve como tema “Narrativas imersivas e confiança pública: desafios da comunicação humana entre transmídia, IA e desinformação”.
“O Seminário de Comunicação mantém a tradição de reunir comunicadores de dioceses e congregações religiosas de várias partes do país. A cada ano, reunimos profissionais, acadêmicos e técnicos do Brasil e do exterior para oferecer formação e colaborar com o conhecimento dos nossos comunicadores. Além disso, há também a experiência do contato, da fraternidade, de estar juntos, de refletir e compartilhar ideias”, afirmou o padre Arnaldo Rodrigues, que desde o início integra a organização do evento.
Viralização e evangelização
A abertura do seminário foi marcada pela presença do arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, que, ao acolher os participantes, chamou a atenção para a relação da Igreja com as novas tecnologias. Ele defendeu um olhar de esperança, mas sem ingenuidade, e deixou uma frase que acompanhou as discussões dos dias seguintes: “Não podemos confundir viralização com evangelização”.
Confiança não se automatiza
O paradoxo apareceu na conferência do professor Luís Rodrigues: “Eu não confio, mas eu uso”. A frase resumiu a relação de muitas pessoas com as ferramentas de inteligência artificial.
Usamos sistemas que nem sempre compreendemos completamente, aceitamos termos e condições que não lemos e fornecemos informações sem saber exatamente como serão utilizadas. O uso cresce rapidamente, enquanto a confiança nem sempre acompanha esse crescimento.
A discussão, porém, não se limitou aos riscos tecnológicos. O ponto levantado foi a diferença entre usar uma ferramenta e delegar a ela aquilo que pertence às relações humanas.
A confiança se constrói com o tempo. Nasce do convívio, da proximidade e da experiência de conhecer o outro. Nenhuma resposta automática, por mais bem elaborada que seja, substitui, por si só, esse processo.
A conferência seguinte, conduzida pelo professor Gilberto Mendes, da PUC-Rio, aprofundou a questão a partir das narrativas imersivas e da comunicação multissensorial. Comunicar, nessa perspectiva, não significa apenas transmitir uma informação. É preciso considerar a realidade de quem recebe a mensagem, conhecer contextos e criar condições para um encontro.
A mesma atenção às pessoas apareceu em outras conferências. Gislene Isquierdo abordou a comunicação de impacto e os recursos da oratória. Welinton Rodrigues apresentou ferramentas e cuidados relacionados à pesquisa, à segurança digital e à desinformação. Luciana Pereira tratou da identidade, da imagem e da preparação de quem fala em nome de uma instituição.
Na conferência de Natalia Louise, da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), o público foi levado aos bastidores da construção da narrativa do Carnaval. Por trás de um desfile de poucas horas existe um trabalho que atravessa o ano inteiro e envolve comunidades, artistas e profissionais. A comunicação, também ali, nasce de pessoas e histórias que nem sempre aparecem quando o espetáculo chega à Avenida.
Criar e reconhecer os limites
A mesa-redonda de encerramento levou o debate para uma dimensão ainda mais ampla. Entre as reflexões apresentadas, esteve a capacidade humana de criar, entendida como uma das características que aproximam a pessoa de Deus.
Para os comunicadores da Igreja, a conclusão apontada durante a mesa foi clara: não basta estar presente nas plataformas. É preciso comunicar a partir do testemunho, da interioridade e de relações reais. No fim, não se trata apenas de comunicar. Trata-se de evangelizar.
Foi nesse contexto que o padre Arnaldo Rodrigues utilizou uma imagem para falar sobre a missão da Igreja. Segundo ele, a Igreja é como uma “sala de vidro que coloca luz”. Sua presença não é simplesmente para recriminar, mas para redimir e iluminar.
Também apareceu a importância da continuidade. A Igreja não é formada por indivíduos isolados. Cada pessoa pertence a uma história, a um corpo e a uma comunidade.
Um mosaico que não exclui
No início do último dia do seminário, 21 de agosto, Dom Orani presidiu a Santa Missa e, em sua homilia, lembrou da responsabilidade da comunicação cristã na construção da unidade em meio a uma sociedade marcada por divisões, dispersões e conflitos.
Na conclusão do seminário, ele retomou uma imagem utilizada pela manhã. Pedras de cores e formas diferentes podem ser reunidas para formar um mosaico. Pedaços distintos de vidro podem formar um vitral.
A comparação ajudou a resumir a proposta deixada aos participantes: “A nossa missão é essa: é unir e não segregar”.
O encontro também teve momentos fora do auditório. Na quinta-feira, os participantes visitaram o Cristo Redentor e viveram um momento de convivência.
Concerto pela Paz
O encerramento aconteceu com o Concerto pela Paz, conduzido por monsenhor Marco Frisina, na Igreja Sagrado Coração de Jesus, situada no campus da PUC-Rio, na Gávea.
“Tivemos muitos momentos importantes, que se concluíram com o Concerto pela Paz, sob a direção de monsenhor Marco Frisina, no qual a música também se mostrou agregadora e, de fato, marcou o encerramento do Seminário de Comunicação, conduzindo-nos a uma comunicação mais humana e promotora da paz”, destacou o padre Arnaldo Rodrigues.Emanuell Barroso