Celebração dos 95 anos do Cristo Redentor reúne ação de graças e devoção a Nossa Senhora Aparecida

A celebração dos 95 anos da inauguração do monumento ao Cristo Redentor reuniu fiéis, peregrinos, representantes do Corpo Consular e pessoas atendidas pelos projetos sociais do santuário na manhã de 12 de outubro de 2026, no Centro de Visitantes Paineiras, no Alto da Boa Vista, dentro do Parque Nacional da Tijuca. Presidida pelo arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, a Santa Missa marcou também a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, e os 22 anos de sacerdócio do reitor do Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor, cônego Omar Raposo.

A programação teve a entrada em procissão da imagem de Nossa Senhora Aparecida e, antes da saudação inicial, a apresentação e a bênção do novo manto, seguidas da coroação da imagem. O momento foi acompanhado pela interpretação da Ave-Maria pela médica Cecilia Favre.

Confeccionado pela artista Valéria Costa, o manto foi conduzido pela irmã Ana Maria, apresentada pelo reitor como a primeira religiosa a trabalhar oficialmente no Cristo Redentor ao longo de sua história. Maria Clara levou a coroa e realizou a coroação da imagem da Padroeira do Brasil.

A iniciativa, segundo o cônego Omar, teve uma inspiração. “É uma tradição que fiquei conhecendo por meio de Dom Orani. Em Belém do Pará, isso faz parte da cultura e da devoção do povo: a troca do manto de Nossa Senhora de Nazaré”, afirmou. Segundo o reitor, a proposta terá continuidade durante a preparação para o centenário do monumento. “Vamos receber com alegria o novo manto, que a cada ano será trocado até o centenário do Redentor.”

Dom Orani recordou sua experiência com a devoção a Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, onde a troca anual do manto acompanha o tema das celebrações. Ao relacionar essa tradição à iniciativa no Rio de Janeiro, lembrou que o Cardeal Sebastião Leme escolheu o dia dedicado a Nossa Senhora Aparecida para a inauguração do Cristo Redentor. “Esta iniciativa da troca do manto é um sinal da devoção do nosso povo e também de preparação para o centenário”, destacou.

Após a proclamação do Evangelho das Bodas de Caná, conforme São João (Jo 2,1-11), o arcebispo refletiu sobre a missão de Maria de apresentar Jesus à humanidade. Associando essa missão à imagem do Redentor de braços abertos, ressaltou o chamado dos cristãos ao acolhimento, ao diálogo e à unidade.

“A missão de Maria foi proclamar Cristo, aquele que acolhe a todos”, afirmou. Na reflexão, Dom Orani observou que a imagem de braços abertos se tornou uma marca do país e um convite à convivência fraterna. “Nós somos chamados a ser um povo que sabe acolher a todos, que sabe conversar com todos, que sabe unir as várias diferenças para caminharmos na unidade”, declarou.

Ao final da celebração, o presidente da Associação dos Cavaleiros da Ordem de Malta no Rio de Janeiro, Marcus Vinícius Romariz Inácio, e o cônego Omar Raposo entregaram a Medalha de São João Batista ao monsenhor Bruno Lins, também integrante da Ordem. A homenagem expressou acolhimento e carinho por seu retorno do Vaticano ao convívio arquidiocesano, com a missão de exercer o ministério na Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.

Monsenhor Bruno Lins também fez a leitura da correspondência enviada a Dom Orani pela Secretaria de Estado da Santa Sé, em resposta ao pedido de uma mensagem do Papa Leão XIV para os 95 anos de inauguração do monumento. O documento comunicou a estima do pontífice pela comemoração e o reconhecimento da importância da data para os brasileiros, especialmente para os cariocas.

Ao apresentar o Cristo Redentor como sinal da presença de Deus na vida da população, a mensagem recordou palavras de São João Paulo II que expressam o significado do monumento: “símbolo do amor, apelo à reconciliação e convite à fraternidade”. A correspondência comunicou ainda a bênção apostólica concedida pelo Papa Leão XIV aos responsáveis pelo funcionamento e pela conservação do monumento e, de modo particular, aos dirigentes, funcionários e colaboradores do Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor.

Na conclusão, o cônego Omar convidou os presentes a ficarem de pé e a estenderem as mãos para um momento de oração, agradecimento e súplica pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida. “É o momento de agradecer a ela por tudo: pela nossa história, pela nossa vida, e de fazer nosso pedido”, disse.

Dirigindo-se aos representantes do Corpo Consular, amigos, visitantes, peregrinos e participantes dos projetos sociais do santuário, o reitor encerrou com um convite à oração conjunta da Ave-Maria: “Todos se sintam agora acolhidos e abraçados pela Virgem Maria”.

Carlos Moioli

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