Arquidiocese do Rio de Janeiro reúne lideranças religiosas, autoridades e sociedade civil para dar início à campanha “Não ao Feminicídio”

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro sediou, no dia 13 de julho, a primeira reunião de planejamento da campanha “Não ao Feminicídio – Mulher Luz da Humanidade”, presidida pelo arcebispo metropolitano, Cardeal Orani João Tempesta.

O encontro reuniu representantes de diversas tradições religiosas, autoridades públicas, integrantes do sistema de Justiça e membros da sociedade civil, marcando o início da construção de uma ampla rede de cooperação para enfrentar a violência contra a mulher.

Promovida pelo Instituto Religare, pela Comissão Diálogo e Paz, pela Expo Religião e pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, a iniciativa tem como objetivo mobilizar diferentes segmentos da sociedade em torno de ações concretas de prevenção ao feminicídio, acolhimento às vítimas e promoção da dignidade da mulher.

Durante a reunião, foram apresentados os objetivos gerais da campanha, definidos os primeiros grupos de trabalho e estabelecidas as responsabilidades das instituições participantes. Também foram discutidos o cronograma de execução, as estratégias de comunicação, a infraestrutura necessária para as próximas etapas e o alinhamento das ações que serão desenvolvidas nos meses seguintes.

Entre as propostas debatidas estão a criação de uma rede inter-religiosa de acolhimento para mulheres em situação de violência, utilizando templos religiosos como pontos de primeira escuta e orientação; o fortalecimento da articulação com órgãos públicos de proteção às mulheres; o incentivo ao aperfeiçoamento de mecanismos de monitoramento de agressores, como o uso de tornozeleiras eletrônicas nos casos previstos em lei; e o apoio a medidas que reforcem a prevenção e o combate ao feminicídio.

A reunião contou com a participação de representantes da Igreja Católica, de igrejas evangélicas, do espiritismo, do judaísmo, do islamismo, da fé bahá’í, do Hare Krishna, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, da umbanda, de religiões de matriz africana, do xamanismo e da tradição de Ifá, evidenciando o caráter inter-religioso da iniciativa. Também estiveram presentes representantes do Ministério Público, da Polícia Civil, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de instituições ligadas à defesa dos direitos das mulheres.

Em sua intervenção, Dom Orani destacou que a defesa da vida e da dignidade da mulher é um compromisso que ultrapassa diferenças religiosas e exige a união de esforços entre instituições públicas, comunidades de fé e sociedade civil. Ressaltou, ainda, que as religiões podem oferecer importante contribuição por meio da promoção da cultura da paz, da prevenção da violência e do acolhimento às vítimas.

Ao final do encontro, os participantes reafirmaram o compromisso de construir uma campanha permanente, baseada na cooperação entre as diferentes tradições religiosas e os órgãos públicos, fortalecendo iniciativas capazes de prevenir a violência, ampliar as redes de proteção e promover uma sociedade em que nenhuma mulher seja vítima de feminicídio. A próxima etapa será a consolidação das equipes temáticas e o lançamento das primeiras ações públicas da campanha.

 

Padre Alan Galvão de Paula

Assessor de Comunicação da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

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