Entre os dias 25 e 28 de maio de 2026, a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) acolheu dois importantes eventos internacionais: a 18ª Assembleia Geral da Conferência das Instituições Católicas de Teologia (COCTI) e o 10º Congresso Internacional de Teologia da PUC-Rio. Reunindo representantes de diversos países, pesquisadores, docentes e autoridades eclesiásticas, os dois encontros tiveram como tema central os desafios e as perspectivas da inteligência artificial à luz da sabedoria bíblica e da tradição cristã.
Em um contexto marcado pela publicação da Encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, dedicada à proteção da dignidade humana diante das novas tecnologias, os debates ganharam ainda mais relevância e atualidade.
Nesta entrevista ao jornal Testemunho de Fé, o diretor do Departamento de Teologia da PUC-Rio, decano da Faculdade Eclesiástica da universidade e presidente mundial da COCTI, padre Waldecir Gonzaga, faz um balanço dos dois eventos, reflete sobre os avanços da cooperação internacional entre as instituições católicas de teologia e apresenta os principais desafios que a inteligência artificial coloca para a reflexão teológica, a formação acadêmica e a missão evangelizadora da Igreja no mundo contemporâneo.
Testemunho de Fé (TF) – Houve alguma coincidência especial envolvendo o tema escolhido?
Padre Waldecir Gonzaga – Um dado interessante é que, quando nós projetamos a Assembleia Geral da COCTI, para que ela acontecesse aqui no Brasil, na PUC-Rio, e o 10º Congresso Internacional de Teologia, com a temática Bíblia e Inteligência Artificial, nós não sabíamos, acho que ninguém tinha ideia, que lá em 2024 — aliás, o Papa era Francisco — nós teríamos, então, um novo Papa que nos traria o tema da inteligência artificial em sua primeira carta encíclica, que nós já conhecemos, intitulada Magnifica Humanitas, dedicada à proteção da dignidade humana no contexto da inteligência artificial. E muito menos que a entrega deste documento, que pelo Papa Leão XIV foi assinado no dia 15 de maio, data dos 135 anos de comemoração da Encíclica Rerum novarum, aconteceria dias depois, como ele anunciou, justamente no primeiro dia do evento de nossa semana.
Olha, foi a Providência que, de fato, fez coincidir, porque, repito, nós não poderíamos imaginar, dois anos antes, que isso estaria acontecendo no mesmo dia. E não apenas na mesma semana, mas no mesmo dia.
TF – O que é a COCTI e qual a sua missão?
Padre Waldecir Gonzaga – A Assembleia Geral da COCTI, a Conferência das Instituições Católicas de Teologia, tem uma estrutura mundial; por isso, ela tem uma Assembleia Geral e conta com uma estrutura que é pautada pela organização não exatamente dos continentes, mas sim do que nós chamamos de regionais. Como ela é dividida? Ela é dividida em oito regiões: África, América do Norte, América Central, América do Sul e Caribe, Ásia-Pacífico, Europa, Oriente Médio, Índia e Ásia do Sul.
Essa estrutura, então, agiliza e ajuda na organização da COCTI. Por quê? Porque, em cada região, nós temos delegados e delegadas. Aliás, até a última Assembleia, nós tínhamos apenas delegados. A partir desta, nós já temos duas delegadas: uma para a América Latina, o Caribe e a América Central; e outra para a Europa.
Isso proporciona um governo melhor, de maneira sinodal, na organização e, sobretudo, na implementação, na concretização da rede COCTI dentro de cada um dos regionais, para que depois ela possa, então, estar fortalecida mundialmente.
TF – Como a Constituição Apostólica Veritatis Gaudium inspira esse trabalho?
Padre Waldecir Gonzaga – Quando o Papa Francisco, de saudosa memória, em 2018, nos entregou a Constituição Apostólica Veritatis Gaudium (A Alegria da Verdade) para as faculdades católicas de teologia, de direito canônico, de filosofia e também para as universidades pontifícias e eclesiásticas, bem como para os outros cursos que a Igreja tem, o Papa, em seu proêmio, colocou alguns pontos muito importantes de trabalho para nós.
E, a partir de então, nós procuramos pautar todo o nosso trabalho a partir do desafio que o Papa Francisco colocou em seu proêmio, em especial no número 4. Mas quem olhar ali, já no número 3, verá que ele começa a discorrer sobre isso. Vou lembrar aqui um pouco o número 4. Por quê? Porque é nele que nós temos os quatro pontos que o Papa Francisco colocou como critérios para que nós possamos trabalhar.
Repito: no número 4 do proêmio da Constituição Apostólica Veritatis Gaudium.
O primeiro: a contemplação e a introdução espiritual, intelectual e existencial, baseada no Evangelho de Jesus Cristo, que é o coração do querigma de nossa fé.
O segundo critério: o diálogo em todos os níveis, de forma que este possa ser uma exigência intrínseca para experimentar comunitariamente a alegria da verdade e aprofundar o seu significado e as suas implicações práticas nos cursos de Teologia de segundo e terceiro ciclos, como a Igreja os chama, que para nós correspondem à graduação, ao mestrado e ao doutorado.
O terceiro critério que o Papa nos deu foi a inter e a transdisciplinaridade exercidas com sabedoria e criatividade à luz da revelação cristã.
E o quarto é a criação de redes entre as distintas instituições que, em qualquer parte do mundo, cultivem e promovam os estudos eclesiásticos. E a ativação, com decisão, das oportunas sinergias também com as instituições acadêmicas dos mais distintos países do planeta e com aquelas outras instituições que trazem inspiração nas diferentes tradições culturais e religiosas.
Então, não era um convite para se trabalhar apenas dentro da Igreja Católica, muito menos apenas dentro das tradições cristãs, mas também com as outras tradições culturais e religiosas.
TF – Como começou sua participação na COCTI?
Padre Waldecir Gonzaga – E, neste sentido, desde 2018, eu era o delegado continental. Fui eleito na Assembleia Geral de Quebec, no Canadá. Começamos um trabalho muito bonito, e esse trabalho proporcionou-nos realizar aquilo que nós então recebemos do Papa como desafio. E trabalhamos aqui em nível de América Latina, Caribe e América Central. Isso nos projetou no mundo, porque o trabalho realizado foi muito bonito.
TF – A pandemia influenciou esse processo?
Padre Waldecir Gonzaga – O que nos proporcionou ajudar neste trabalho, curiosamente? Foi a chegada da pandemia. Então, os trabalhos não eram mais presenciais, o que dificultava a locomoção em termos de data, agenda, custos de viagem e estadia, e nós realizamos diversos eventos online a partir do Zoom ou de outras plataformas de streaming.
TF – Em 2022 o senhor foi eleito presidente mundial da COCTI. Como isso aconteceu?
Padre Waldecir Gonzaga – Nós fomos então para a Assembleia Mundial em 2022, que aconteceu em Lisboa, na Europa, na qual, além de delegado continental, eu fui eleito presidente mundial por causa da projeção, é óbvio, de todo o trabalho realizado na América Latina.
E, a partir de então, o mandato é de quatro anos, e o dos delegados também. A nossa estrutura era a de que um dos delegados se tornava presidente, e o presidente continuava sendo o delegado regional.
Ora, em 2022, isso nos levou para a Assembleia Geral de 2024, apenas dois anos depois, que foi em Roma, porque em 2022 já havíamos escolhido Roma, na Europa, como local. Porque lá nós temos o maior número de faculdades eclesiásticas. Ali, em 2022, definimos que teríamos Roma e, em Roma, em 2024, definimos e escolhemos três possíveis sedes: Comillas, na Espanha; Louvain, na Bélgica; e PUC-Rio, no Brasil.
TF – Como foi a escolha da PUC-Rio para sediar a Assembleia Geral de 2026?
Padre Waldecir Gonzaga – A escolha foi pela PUC-Rio, porque nós já estávamos na Europa, então seria sair do centro europeu e ir para a periferia, em algum lugar do mundo. Como eu sou presidente, já era então a escolha de que o presidente hospedasse a próxima Assembleia, e assim aconteceu.
TF – Quais foram os principais avanços da COCTI durante esse período?
Padre Waldecir Gonzaga – O trabalho que nós realizamos neste período foi muito intenso naquilo que nos pediu a Veritatis Gaudium e continua nos pedindo, para que possamos nos ajudar mutuamente em vários campos de atuação: na graduação, na pós-graduação, na investigação, em publicações, em revistas, em congressos, no envio e acolhida de professores visitantes para os vários cursos, na colaboração para avaliação de artigos, em cursos breves por Zoom, em cotutelas a partir de convênios, em colóquios doutorais, em intercâmbios nos três níveis — bacharelado, mestrado e doutorado —, no envio de alunos e, ao mesmo tempo, no acompanhamento de alunos de mestrado, porque muitas vezes as bolsas acontecem mais para doutorado, como é o caso das cotutelas, e na geração de redes de colaboração com acento trans e interdisciplinar, como nos pediu o Papa.
Ora, tudo isso, é óbvio, foi produzindo muitos frutos. Nós tivemos publicações em comum de livros, realização de cursos, trabalhos, criação de revistas, e chegamos à Assembleia da PUC-Rio aqui no Brasil.
O Rio de Janeiro atrai pela sua beleza e pela sua natureza, por tudo aquilo que ele tem, e nós fomos recebendo as inscrições dos vários países do mundo.
Nos ajudou muito, realmente, o secretário-geral, que é o professor Fernando Soler, da PUC do Chile. E o fato de que nós também temos um grupo de WhatsApp da rede mundial, além dos contatos e das comunicações, tudo isso foi nos ajudando.
TF – Como os participantes receberam a Encíclica Magnifica Humanitas?
Padre Waldecir Gonzaga – Aqui chegaram no final de semana anterior e, todos, na parte da manhã da segunda-feira, dia 25 de maio, felizes porque aquilo foi um presente, acompanhamos a entrega do documento do Santo Padre Leão XIV, que em Roma era meio-dia e, para nós aqui, era sete da manhã, e acompanhamos a entrega da Encíclica Magnifica Humanitas.
Repito: dedicada à proteção da dignidade humana no contexto da inteligência artificial. E isso deu um gás de alegria, de ânimo muito grande à Assembleia Geral da COCTI, como também ao Congresso.
Então, os delegados, os decanos das faculdades eclesiásticas de teologia e os representantes daqueles que não puderam estar presentes, de todos os continentes do mundo, aqui estiveram.
Houve uma presença maior, inclusive, de mulheres. Nós percebemos que isso vem crescendo, vem sendo incrementado, e as conversas puderam ser, como sempre, muito fraternas.
TF – Qual foi o destaque da Assembleia deste ano?
Padre Waldecir Gonzaga – Nós tivemos um diferencial este ano em relação à questão da tradução, porque, na COCTI, cada um pode falar em uma das três línguas oficiais que nós temos: francês, inglês e espanhol. Inglês por ser uma língua mundial e espanhol por causa da América Latina e da Espanha. Inclusive, temos a Guiné Equatorial, que fala espanhol.
Nós utilizamos tradutor simultâneo, e isso trouxe um ganho muito grande, porque cada um, no seu celular, com seu fone de ouvido, podia ouvir a tradução na língua que escolhia. Pegava a língua de saída e a língua de chegada.
TF – O senhor foi reeleito durante a Assembleia?
Padre Waldecir Gonzaga – Nossas conclusões foram realmente muito boas. No primeiro dia, 25 de maio, tivemos a Assembleia Geral e, nela, no final do dia, eu fui reeleito para um segundo mandato.
E nós voltamos no segundo dia pela manhã, participando todos os membros, nos outros três dias, na parte da manhã, dentro do simpósio de teologia que tivemos. E, na parte da tarde do segundo dia, nós continuamos, assim como nos outros dias, com a nossa assembleia.
O que nós fizemos no segundo dia? Nós oferecemos um passeio aos membros da COCTI pela cidade do Rio de Janeiro, passando, por exemplo, pela Catedral de São Sebastião, pelos Arcos da Lapa, pela Escadaria Selarón e, depois, pelas praias. Passamos por duas: Copacabana e Ipanema. Também pela Lagoa Rodrigo de Freitas, para que pudessem ter uma visão da cidade. Um pouco, porque, é óbvio, subir ao Cristo Redentor e ao Pão de Açúcar, aqueles que chegaram no final de semana já haviam feito, já haviam visitado alguns lugares.
TF – Onde será a próxima Assembleia Geral?
Padre Waldecir Gonzaga – No terceiro dia da Assembleia, na parte da tarde, nós novamente nos encontramos e seguimos com os trabalhos. Foi feita a escolha da nova sede, do novo local para a Assembleia de 2028.
E a escolha recaiu sobre Louvain, na Bélgica, que era uma das outras duas opções que nós já tínhamos elencado dentro da Europa. Então, acredito que a dinâmica será esta: de dois em dois anos volta-se à Europa e sai-se para outros lugares do mundo. Foi realmente muito fraterno e de um ganho muito grande. Nós estamos cada vez mais crescendo em participação e, do mesmo modo, em colaboração.
Congresso Internacional Bíblia e Inteligência Artificial
TF – O Simpósio Internacional de Teologia da PUC-Rio chegou à sua décima edição. Como funciona essa alternância temática?
Padre Waldecir Gonzaga – Este é o décimo Congresso Internacional de Teologia da PUC-Rio, e nós o realizamos alternadamente a cada dois anos. Estamos há 20 anos realizando esse evento. Em uma edição, fazemos um congresso voltado para a área de Teologia Sistemática e Pastoral e, na edição seguinte, dois anos depois, realizamos um congresso voltado para o campo da Teologia Bíblica.
TF – Como surgiu essa temática?
Padre Waldecir Gonzaga – Ora, depois da pandemia do novo coronavírus, o primeiro congresso presencial que realizamos na PUC foi em 2024, porque o anterior, em 2022, foi online, pois ainda estávamos no período da pandemia.
Em 2024, no auditório do RDC da PUC-Rio, o tema foi Teologia e Catequese. Trabalhamos essa temática, auxiliados por um professor da área da catequese, que na época foi o padre Abimar Oliveira de Moraes, e definimos que o tema desta edição seria, então, Bíblia e Inteligência Artificial.
TF – Quem participou da organização científica do evento?
Padre Waldecir Gonzaga – A Comissão Especial do Departamento de Teologia pediu ao professor padre Leonardo Agostini que pudesse nos ajudar na preparação do simpósio de 2026. A nossa surpresa foi que, já de início, o padre que nos havia indicado o tema Teologia e Catequese, padre Leonardo, também nos indicou Bíblia e Inteligência Artificial.
Padre Leonardo foi nos ajudando, como é comum. Assim também aconteceu com o padre Abimar, com a ementa, com a programação, com a indicação de convidados. Ele foi me passando as orientações e eu, como diretor, fiquei responsável pela comissão de organização.
Os demais professores, juntamente comigo, mas liderados pelo padre Leonardo — padre Leonardo, padre Heitor Utrini e padre Fábio da Silveira Siqueira — ficaram mais diretamente responsáveis, por exemplo, pela questão do comitê científico, avaliando comunicações, acompanhando a questão dos convidados, enquanto eu ajudava na retaguarda, mas sobretudo com a organização.
Ao definir o local, escolhemos o Auditório Anchieta, por ser de acesso mais fácil. Depois, é óbvio, convidamos as pessoas para que pudessem estar conosco e participar do evento.
Tivemos aqui professores e professoras de diversos lugares do mundo, além da PUC-Rio e de um professor da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte (MG), no Brasil. Esses professores e professoras trabalharam temas ligados à inteligência artificial.
TF – Quais autoridades enviaram mensagens ao congresso?
Padre Waldecir Gonzaga – Começamos no dia 26 de maio o Décimo Simpósio Internacional Bíblia e Inteligência Artificial. Abrimos logo cedo, às 7h da manhã, para a acolhida, e a mesa de abertura aconteceu logo em seguida. Tivemos a alegria, inclusive, de contar com o envio de vídeos de três cardeais.
O Cardeal Orani João Tempesta, que é nosso arcebispo do Rio de Janeiro e, ao mesmo tempo, grão-chanceler da PUC-Rio. O Cardeal José Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. E também o Cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé.
Os três cardeais nos dirigiram palavras de saudação, mas, sobretudo, destacaram a importância do tema do simpósio e, ao mesmo tempo, da Assembleia Geral da COCTI.
TF – Quais foram alguns dos destaques internacionais da programação? Que aspectos da inteligência artificial foram abordados?
Padre Waldecir Gonzaga – Todos os eventos têm o mesmo tema, e isso para nós é uma condição quando realizamos a Assembleia da COCTI: que assumamos o tema local e que haja sempre um tema local que ajude a Assembleia Geral da COCTI.
No décimo simpósio, tivemos dois professores da PUC-Rio: a professora Karla Figueiredo e o professor Edgar Lyra.
Internacionalmente, tivemos uma grande figura, a professora Anna Maria Tarantola, falando sobre a inteligência artificial e o cuidado das novas gerações. Ela apresentou o tema “Desvendando a IA: perspectivas e desafios para a inteligência artificial”.
Também tivemos mesas interdisciplinares, com professores e professoras de diversas áreas tratando do tema. Entre eles, o renomado professor italiano Sebastiano Pinto, falando sobre a inteligência humana nos livros sapienciais e a inteligência artificial.
O professor Jhon Fredy, da Colômbia, destacou o valor da IA nos estudos da Palavra de Deus e nos estudos bíblicos.
O professor Giovanni Chiafari falou sobre o valor da IA nos estudos bíblicos, a partir da proposta da inteligência artificial, juntamente com os padres Leonardo, Heitor e Siqueira.
Chamo a atenção, de modo especial, para o professor Luca Peyron, um italiano, sacerdote e cientista renomado, que inclusive tem um asteroide com o seu nome. Ele abordou o impacto das tecnologias emergentes, em particular da IA, sobre a antropologia cristã e sobre a pastoral.
Encerramos com o professor Ignacio Cea, do Chile, que tratou da crítica à utopia virtual e dos aspectos ecoteológicos.
Aliás, esse é um dos cuidados que o Santo Padre nos pede: que tenhamos muito discernimento diante dos vários tipos de inteligência artificial e saibamos escolher qual tipo de IA queremos e podemos utilizar.
TF – Houve espaço para apresentação de pesquisas?
Padre Waldecir Gonzaga – Na parte da tarde de cada dia do congresso, tivemos comunicações voltadas exclusivamente para o campo da Bíblia, relacionadas à sabedoria bíblica do Antigo e do Novo Testamento.
Porém, houve também um pedido da área sistemático-pastoral, que desejava publicar, a partir da IA, temas ligados à teologia, por exemplo, na antropologia, na cristologia, na eclesiologia e na catequese. Por isso, abrimos um grupo extraordinário.
O que esperamos dessa riqueza? Uma prova disso, ou melhor, uma comprovação, é que o auditório esteve hiperlotado todos os dias, mesmo sendo um evento exclusivamente presencial.
Nós não abrimos participação virtual para todos. A exceção que fizemos, com muito carinho, foi para os estudantes do Seminário São José, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, e para os religiosos que lá estudam, porque não tínhamos condições de acolher todos no auditório. Tivemos de colocar mais cadeiras, porque havia muitas pessoas em pé. O evento foi um sucesso.
TF – Quais serão os frutos acadêmicos do congresso?
Padre Waldecir Gonzaga – O que esperamos agora como desfecho? Publicar as grandes conferências, as mesas temáticas e os grupos de comunicação em formato de artigos, em um número especial da revista e também em formato de livro. As comunicações serão disponibilizadas gratuitamente em formato virtual para todos e, oxalá, também em formato impresso.
TF – O que mais lhe emociona ao olhar para o caminho percorrido desde 2018 até hoje?
Padre Waldecir Gonzaga – A nossa gratidão, e a minha em especial, como diretor do Departamento de Teologia da PUC-Rio, ao mesmo tempo decano da Faculdade Eclesiástica da PUC-Rio e atual presidente mundial da Conferência das Instituições Católicas de Teologia.
Não mais como delegado, porque eu exercia essa função desde 2018, e meu pedido foi para que a Assembleia avaliasse a possibilidade de desvincularmos, já que somente a Assembleia pode fazer isso estatutariamente, a obrigatoriedade de o presidente ser também o delegado de seu continente. E mais ainda: que pudéssemos incluir mulheres como decanas.
Minha gratidão imensa à COCTI, ao Departamento, à Universidade, aos cardeais que nos apoiaram e a todos aqueles e aquelas que nos apoiaram de uma maneira ou de outra.
Esperamos encontrar-nos em Louvain, na Bélgica, para a próxima Assembleia, e aqui no Rio de Janeiro para o próximo Congresso, que será em 2028. Mas teremos outros eventos antes, por exemplo, em 2027, para os 20 anos da Conferência de Aparecida.
Carlos Moioli