Cardeal Farrel: As novas comunidades são colaboradoras do bispo no anúncio do Evangelho

Reunidos no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro, os bispos trabalham nesse 32º Curso para os Bispos com o tema “Novas comunidades e evangelização hoje”. Na tarde deste dia 24 ouviram a fala do Cardeal Kevin Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, que apresentou a conferência “Desafios e caminhos: Uma visão do Dicastério responsável pelas novas comunidades”.

Em sua fala, o Cardeal Farrell recordou que a função episcopal é de ser um verdadeiro evangelizador e “não simplesmente um administrator de estruturas eclesiásticas”. Dessa forma, indica D. Kevin, o bispo deve contar com colaboradores e pode encontrar essa ajuda na difusão da mensagem de Cristo nas novas comunidades a que é chamado a motivar, encorajar e formar, porque esses movimentos “são sempre mais colaboradores do bispo no anúncio do Evangelho”.

Em sua análise, o Cardeal indica que a observação da situação atual da Igreja no Brasil deve levar a distinguir entre pequenos grupos locais, de pouca estruturação que, tendo sua importância eclesial, ainda assim não necessitam de iniciar um percurso de reconhecimento jurídico, daqueles nascidos de um carisma, com identidade e história muito próprias. “Entrar nestas comunidades, fazer parte delas, – disse o Cardeal Farrell – significa compartilhar a espiritualidade, o estilo de vida, os fins apostólicos. Não se trata simplesmente de compartilhar momentos de oração com um grupo, mas o entrar na comunidade é percebido pelas pessoas como um chamado que comporta frequentemente uma mudança de vida radical.”

Como grande sinal de discernimento acerca dos carismas conferidos, D. Farrell chama a atenção para o cuidado com a unidade da Igreja e a justa compreensão da ação do Espírito Santo, já que é dele que procede aquela unidade fundamental que se manifesta na diversidade dos dons e carismas. “Do único e idêntico Espírito vêm todos os ministérios que edificam a Igreja”, recordou o Cardeal. “O Espírito Santo suscita em alguns homens a vocação a ser pastores e o mesmo Espírito Santo suscita os carismas das novas comunidades. Sem contradição. Não existe um espírito que inspira a hierarquia e um outro espírito que torna a Igreja viva e carismática. Assim como não é concebível um Espírito Santo que aja de fora da Igreja! O espírito que vivifica a Igreja é o Espírito Santo. O espírito que age contra a Igreja e que divide a Igreja é o espírito maligno.”

Por fim, D. Kevin Farrell convidou os bispos a considerar as novas comunidades “como um grande dom que Deus fez à Igreja no Brasil.”

 

Texto: Eduardo Silva

Foto: Bruno Carvalho

 

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