Cardeal Tempesta celebra 25 anos de ordenação episcopal em sua primeira diocese

Quando o Cardeal Orani João Tempesta, O.Cist, tomou seu lugar na procissão de entrada, é certo que várias lembranças lhe vieram à memória; em muito, também, pelos rostos conhecidos e pelas saudações repletas de gratidão. Passados 25 anos da ordenação episcopal do, agora, arcebispo metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, ficou registrado na história pessoal do monge cisterciense e da Igreja que em São José do Rio Preto (SP) teve início o ministério episcopal do abade da Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, em São José do Rio Pardo (SP), que, em 1997, disse sim a uma nova missão.

 

Primeiros tempos

Em diálogo com os padres, na capela da Catedral, antes da solene celebração eucarística realizada na noite de 21 de abril, Dom Orani contou que sua resposta ao episcopado não fora imediata. “Voltando de São Paulo, já no escritório paroquial, recebi várias cartas e uma era da Nunciatura: o senhor foi nomeado para São José do Rio Preto. Nunca tinha estado na cidade, nem para reuniões do Regional. Um dia, caminhando na praça antes de uma missa, Dom Dadeus Grings, à época bispo de São João da Boa Vista (SP), hoje arcebispo emérito da Arquidiocese de Porto Alegre (RS) me perguntou: você não vai dar sua resposta à Nunciatura?”

 

A referida resposta resultou na ordenação episcopal, em 25 de abril de 1997, e na posse canônica em São José do Rio Preto, em 1º de maio daquele mesmo ano. Ao suceder Dom José de Aquino Pereira, Dom Orani efetivou na Região Noroeste de São Paulo, há 25 anos, uma série de propostas que, hoje, seguem em destaque: o religioso buscou a descentralização ao propor a criação das Dioceses de Catanduva e de Votuporanga, fomentou as comunidades eclesiais missionárias ao constituir a Rede de Comunidades apoiada em subsídios próprios e no carisma das Santas Missões Populares. Também incentivou a realização do Sínodo da Juventude na diocese. Todos esses feitos, entre tantos outros, eram devidamente anunciados nos meios de comunicação sempre tão caros a Dom Orani, que à época assumiu a presidência da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação, Cultura e Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

 

Ação de graças

Considerando que a missa, na Catedral de São José, foi a primeira celebração oficial para destacar seu jubileu de prata episcopal, Dom Orani disse que o convite para o encontro partiu do bispo de São José do Rio Preto, Dom Antonio Emidio Vilar, sdb. Esse, por sua vez, falou da proximidade com o arcebispo (a quem chama de irmão): “estivemos juntos no centenário da Diocese de São Luiz de Cáceres (MT), que era paróquia do Rio de Janeiro. Dom Orani, em São João da Boa Vista, conviveu com verdadeiros santos (sublinhando processos de canonização em trânsito de leigos e religiosos que o arcebispo conheceu). Quero expressar nossa ação de graças pelo caminho que realizou aqui. Nossa gratidão nessa Santa Missa por todos os sinais que Deus realizou em sua vida e em especial pelo pastoreio nessa diocese. O senhor, estando próximo do Papa Francisco, possa expressar a nossa alegria nesses tempos de Sínodo”, concluiu Dom Vilar.

 

Novos chamados

Não existe um curso para ser bispo. Eu aprendi aqui com vocês. Imaginava ficar mais tempo. Às vezes eu olhava para a cripta da Catedral e pensava qual espaço eu ocuparia quando fosse sepultado ali”, disse o arcebispo arrancando gargalhadas dos presentes. De fato, a Igreja o indicou para novas missões: passados 7 anos, 7 meses e 7 dias do início do seu episcopado, Dom Orani fora chamado à Nunciatura e designado para Belém do Pará; a terceira arquidiocese mais antiga do Brasil. Anos mais tarde, pouco antes de uma reunião para organizar e incentivar a ação missionária na Região Amazônica, um telefonema e um novo desafio: pastorear o povo de Deus na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

 

Destacando os Círculos Bíblicos como uma tradição, Dom Orani sublinhou que a maior riqueza da Igreja fluminense são as pessoas. “Nós temos várias cidades em uma mesma cidade. A Igreja é muito presente nas Comunidades (favelas). Contamos com o apoio de 9 bispos auxiliares, vigários forâneos e tantas lideranças que anunciam o Evangelho se valendo dessa ‘capilaridade’. Nesses tempos de pandemia, as reuniões virtuais nos ajudaram a seguir atuando”, disse o arcebispo.

 

Ainda durante o encontro com os padres da Diocese de São José do Rio Preto e de dioceses vizinhas, Dom Orani também falou de sua missão como cardeal. “A responsabilidade aumenta. As pessoas olham e esperam uma resposta. O Papa nos conhece pelo nome, faz perguntas… Somos desafiados em um tempo de pessoas religiosas, mas sem religião”, concluiu.

 

Reconhecimento

O Senhor é sempre uma presença viva e atual de Cristo na Igreja. O Povo de Deus, dessa Diocese que o senhor serviu, se orgulha de tê-lo como seu bispo e se recorda de sua fala no início da caminhada: ‘venho para ser o sinal de unidade visível entre vocês, para que todos sejam um, afim de que o mundo creia em Jesus’. Parabéns”, sintetizou, em nome de todos os presentes, o padre Antônio Valdecir Dezidério que, à época, foi coordenador diocesano de pastoral (função hoje ocupada pelo padre Luiz Caputo).

 

Agradeço a parceria do povo, leigos, religiosos e padres. Quanta coisa aconteceu na Região Noroeste. Juntamente com o progresso, a Igreja se faz presente. Ela, cada vez mais, anuncia a vida e vai participando da vida do Povo de Deus; uma gente forte e corajosa. Quando nós falamos de Cristo Ele se torna presente e nos impulsiona à missão. É por Jesus que todas as coisas acontecem. Hoje vemos os novos desafios de uma mudança de época. Nesses 25 anos de bispo, quantas coisas nós fizemos aqui e que teriam outra repercussão agora”, manifestou Dom Orani.

 

Ao final da celebração, antes de receber o abraço de gente simples e de muita fé, Dom Orani dirigiu seu incentivo a Dom Vilar. “Que o Senhor possa ser muito feliz e muito amado, como já está sendo. Que possamos anunciar às pessoas que Cristo vive e que está presente no meio de nós”, concluiu.

 

Dom Orani, reafirmando sua vocação a trazer em si “o cheiro das ovelhas”, distribuiu sorrisos, posou para fotos, atendeu a imprensa local e depositou no Coração Imaculado de Maria, a quem a Igreja Particular de São José do Rio Preto tem por padroeiro, sua gratidão. “Peço a Deus por essa diocese e pela região que fazem parte da minha ‘infância episcopal’. Agradeço o tempo aqui vivido. Muito obrigado por terem rezado comigo essa ação de graças”, concluiu o cardeal que personifica, em suas ações e no seu testemunho, o lema episcopal assumido: “que todos sejam um” (Jo 17, 21).

 

André Botelho | Jornalista e assessor de comunicação na Diocese de São José do Rio Preto (SP)

Fotos: Hugo Viana

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