Centenário da Obra da Adoração Perpétua no Rio destaca legado eucarístico dos Padres Sacramentinos

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro celebra, no dia 3 de maio de 2026, o centenário da Obra da Adoração Perpétua e a chegada da Congregação do Santíssimo Sacramento ao Brasil, marco que reforça a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja. A data recorda o início da adoração contínua ao Santíssimo Sacramento na Igreja de Sant’Ana, no Centro, sede do Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua, onde também foi instalada a primeira comunidade sacramentina no país.

 

A inspiração de São Pedro Julião Eymard

Segundo o pároco e reitor do santuário, padre José Laudares de Ávila, a origem dessa espiritualidade remonta à inspiração de São Pedro Julião Eymard, sacerdote francês nascido em 1811, que dedicou a vida à promoção da devoção eucarística. Ainda na infância, já demonstrava uma relação profunda com a presença de Jesus no sacrário. “Uma criança de 9 ou 10 anos já dizia: ‘Aqui eu o escuto melhor’, ao se colocar diante do Santíssimo”, recorda o sacerdote, ao relatar um episódio marcante da vida do fundador.

Ordenado sacerdote em 1834, Pedro Julião integrou inicialmente a Congregação dos Maristas, mas, durante uma peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fourvière, em Lyon, sentiu-se chamado a fundar uma nova congregação com foco exclusivo na Eucaristia. Em 1856, na cidade de Paris, nasceu a Congregação do Santíssimo Sacramento, com um carisma inovador para a época. “Não existia uma congregação que tivesse o centro na própria pessoa de Jesus na Eucaristia”, explica padre Laudares.

 

Um carisma para o seu tempo

O contexto histórico era marcado por um distanciamento dos fiéis em relação à Eucaristia. A participação na comunhão era rara, muitas vezes limitada à Páscoa anual, e a celebração da missa não favorecia a participação ativa do povo. Diante dessa realidade, a proposta do então padre Pedro Julião era não apenas adorar, mas também educar o povo para a vivência eucarística. “Era uma congregação missionária, para preparar os jovens, os abandonados e os esquecidos para conhecer a Eucaristia e se tornarem adoradores”, destaca o reitor.

 

As três dimensões do carisma

Com o tempo, o carisma da congregação foi estruturado em três dimensões fundamentais: a vida orante, a vida fraterna e a vida servidora. A primeira se expressa na adoração e na celebração litúrgica; a segunda, na comunhão entre os membros; e a terceira, na missão evangelizadora. “Adorar e fazer adorar é a nossa missão”, resume padre José Laudares, ressaltando que essas dimensões permanecem atuais após mais de 170 anos de fundação.

 

A espiritualidade da Eucaristia

Ao abordar a espiritualidade eucarística, o sacerdote recorda que sua origem está na Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia e o sacerdócio. A partir desse momento, a presença de Cristo se torna permanente na Igreja. “Temos que voltar à Quinta-feira Santa para compreender a Eucaristia, quando Jesus disse: ‘Tomai e comei, isto é o meu corpo’”, explica.

Ele também destaca que a Eucaristia não se limita à dimensão litúrgica, mas se desdobra em um compromisso concreto com o próximo. O gesto do lava-pés, narrado no Evangelho de João, revela essa dimensão: “Assim como eu fiz, façais também vós”, recorda, enfatizando que a adoração deve conduzir ao serviço.

 

Eucaristia que gera missão

Para padre José Laudares, a verdadeira vivência eucarística transforma a vida do fiel: “O verdadeiro adorador é aquele que recebe Jesus e comunica essa presença aos irmãos e irmãs”. Ele ressalta que a adoração fortalece espiritualmente e impulsiona à caridade: quanto mais o fiel se aproxima de Cristo, mais se torna disponível para servir.

 

Atualidade da missão

Ao celebrar o centenário da Obra Adoração Perpétua no Rio de Janeiro, a arquidiocese reafirma a atualidade do carisma sacramentino e renova o convite à vivência da fé centrada na Eucaristia. “A proposta de ‘adorar e fazer adorar’ permanece como caminho de evangelização e de transformação pessoal e comunitária, mantendo viva a missão iniciada por São Pedro Julião Eymard e consolidada ao longo de um século na cidade”, completou padre José Laudares.

 

Ser sacramentino

A Congregação do Santíssimo Sacramento, há quase 170 anos, vive e anuncia as riquezas do amor de Deus na Eucaristia. Como ensina São Pedro Julião Eymard: “Se cada cristão fizer da Eucaristia o centro de sua vida, tudo será transformado: as pessoas, a Igreja e a humanidade.” Jovens interessados são convidados a conhecer a vocação sacramentina e a discernir o chamado à vida religiosa como irmão, diácono ou padre. Mais informações pelos telefones (21) 2224-0710, 2222-1299 e 98934-6180, ou pelo Instagram @sacramentinos.

 

Carlos Moioli

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