Centenário e celebração jubilar
A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro celebra, no dia 3 de maio de 2026, o centenário da Obra da Adoração Perpétua e a chegada da Congregação do Santíssimo Sacramento ao Brasil, dois marcos históricos para a espiritualidade eucarística na Igreja local. A programação jubilar será concluída com uma Santa Missa em ação de graças, às 10h, na Igreja de Sant’Ana, no Centro, sede do Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua, presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, o Cardeal Orani João Tempesta.
Indulgência plenária
Os fiéis que participarem das celebrações do centenário poderão lucrar a indulgência plenária, concedida pela Igreja como sinal de graça espiritual, desde que cumpram as condições habituais estabelecidas: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração pelas intenções do Santo Padre. A indulgência pode ser aplicada também em sufrágio pelas almas do Purgatório, reforçando o sentido de comunhão entre a Igreja peregrina e a Igreja que já partiu para a eternidade.
Origem da Adoração Perpétua
A data recorda o início da adoração contínua ao Santíssimo Sacramento na cidade, instituída em 3 de maio de 1926 por Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra. À época arcebispo coadjutor, depois arcebispo do Rio de Janeiro, ele confiou aos Padres Sacramentinos a missão de conduzir a obra, garantindo que o Santíssimo Sacramento fosse adorado ininterruptamente.
Segundo o pároco e reitor do santuário, padre José Laudares de Ávila, esse momento marcou também a instalação da primeira comunidade da Congregação do Santíssimo Sacramento no Brasil: “Foi nesse dia que Dom Sebastião Leme colocou o Santíssimo Sacramento no altar-mor da Igreja de Sant’Ana, dando início à adoração perpétua e à presença da Congregação no país”.
Participação dos leigos
Desde então, a obra foi estruturada com a participação ativa dos leigos. Durante o dia, organizou-se a Guarda de Honra do Santíssimo Sacramento, composta por homens e mulheres que assumiam turnos mensais de adoração. À noite, a Adoração Noturna reunia especialmente os homens, garantindo que o Santíssimo permanecesse adorado ao longo de todas as horas. Para padre José Laudares, essa organização foi essencial para a continuidade da missão: “Durante essas dez décadas, a adoração continua até hoje. Somos os continuadores desta obra tão querida e amada”.
Continuidade da missão
A prática da adoração atravessou gerações e foi fortalecida por sucessivos pastores da Igreja no Rio de Janeiro. O sacerdote recorda que Dom Jaime de Barros Câmara, por exemplo, participava mensalmente da adoração com o clero, tradição seguida por seus sucessores até os dias atuais. “Essa é uma obra muito querida, que atravessou o tempo e continua viva na vida da Igreja”, destaca.
Programação do centenário
A programação do centenário foi organizada para reunir adoradores de diversas regiões do país. A acolhida dos peregrinos terá início no dia 1º de maio. No dia 2 de maio, será realizada uma solene hora de adoração ao Santíssimo Sacramento, seguida de peregrinação ao Santuário Cristo Redentor, onde haverá uma Missa em ação de graças pelo centenário, retomando o espírito missionário de Dom Sebastião Leme. No dia 3, acontece a celebração principal, com a presença de bispos sacramentinos, sacerdotes e fiéis da Arquidiocese do Rio de Janeiro e de outras dioceses.
Encontro de adoradores
As comemorações continuam no dia 17 de maio, com um encontro especial para adoradores e adoradoras. A programação inclui oração, formação e a consagração de novos membros da obra, que receberão como sinal de compromisso a fita e a medalha do Santíssimo Sacramento. “Será um dia de oração, de reflexão e também de festa, para agradecer a Deus por esses cem anos de adoração perpétua”, afirma o reitor.
Campanha por novos adoradores
Dentro do espírito jubilar, o santuário lançou a campanha “cada adorador, um novo adorador”, com o objetivo de ampliar a participação dos fiéis na adoração contínua. Inspirada no lema “Adorar e fazer adorar”, a iniciativa busca garantir que todas as horas do dia e da noite estejam preenchidas. “Convidamos todos os católicos do Rio de Janeiro e região metropolitana a se tornarem adoradores, para que nenhuma hora fique sem a presença de alguém diante do Senhor”, explica padre José Laudares.
Missão do adorador
O compromisso do adorador consiste em dedicar uma hora mensal diante do Santíssimo Sacramento. O fiel pode escolher um dia ou uma noite, assumindo a missão de rezar pela Igreja, pela cidade e pelas necessidades do mundo. “Basta comparecer ao santuário e fazer a inscrição. A partir daí, a pessoa escolhe seu horário e se prepara para viver esse momento de encontro com Jesus”, orienta.
Espiritualidade eucarística
Segundo o sacerdote, a adoração é um caminho de transformação espiritual: “O verdadeiro adorador é aquele que descobre Jesus presente na Eucaristia e ali encontra todas as coisas, a razão de ser da própria vida”. Ele destaca ainda que essa prática prolonga a experiência da Missa: “A adoração é como a continuação da celebração eucarística, especialmente no mistério da morte e ressurreição de Cristo”.
Vida comunitária
Além da dimensão pessoal, a obra também promove encontros comunitários mensais e retiros, fortalecendo a comunhão entre os participantes. Esses momentos incluem formação, oração e confraternização, reforçando o caráter fraterno da espiritualidade eucarística. “Somos chamados não apenas a adorar, mas também a viver a comunhão, ajudando-nos mutuamente nessa missão”, ressalta.
Carlos Moioli