Centenário das Dioceses de Barra do Piraí/Volta Redonda e Campos

Esse ano está sendo um ano especial para duas dioceses importantes de nosso Estado do Rio de Janeiro: Barra do Piraí/Volta Redonda e Campos dos Goytacazes. Ao longo de todo o ano jubilar aconteceram diversas celebrações para dar graças a Deus pelos cem anos dessas dioceses.

Sempre que celebramos o jubileu de alguma diocese é um momento de nos alegrarmos e rendermos graças a Deus, pois é uma oportunidade para aquela porção do povo de Deus ser atendida com a devida atenção. É sempre um grande dom de Deus a presença próxima da Igreja em nosso território.

Observando as necessidades pastorais, e para facilitar a locomoção dos padres e do povo, criam-se as dioceses. Ao criar uma circunscrição eclesiástica, o Santo Padre nomeia o primeiro bispo que vai servir aquele rebanho e delimita o território e extensão da nova diocese, quais paróquias e comunidades ficarão na nova diocese e quais ficarão na antiga. São sinais da vitalidade e do crescimento da Igreja. As dioceses de Barra do Piraí/Volta Redonda e Campos dos Goytacazes surgiram diante dessa necessidade, eram dioceses em regiões distantes da sede anterior e necessitavam de proximidade.

O Espírito Santo conduz e guia a Igreja desde o seu princípio, quando Jesus enviou os apóstolos para saírem e anunciar o Evangelho aos quatro cantos da terra. É a ação do Espírito Santo que suscita novos fiéis e faz com que surjam novas dioceses. A Palavra de Deus não pode deixar de ser anunciada, ninguém pode ser privado de receber o anúncio do Evangelho da vida. O Espírito Santo sopra onde quer e como quer, por isso, novas dioceses sempre surgiram ao longo do tempo e continuam surgindo até hoje. Dessa forma, louvamos e agradecemos a Deus por ter suscitado o Espírito Santo e criado as dioceses de Barra do Piraí/Volta Redonda e Campos dos Goytacazes.

Essas duas dioceses são também dois grandes polos econômicos diferentes. Falemos um pouco de cada uma delas.

 

Diocese de Campos dos Goytacazes

Campos dos Goytacazes tem muitas fazendas e produtores rurais. Na Diocese de Campos há paróquias com território extenso, com muitas comunidades e população, por isso a necessidade de se ter criado a diocese. A Diocese de Campos dos Goytacazes, foi criada em 4 de dezembro de 1922, através da bula “Ad Supremae Apostolicae Sedis Solium” do Papa Pio XI. O território da diocese abrange o Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro, com mais de um milhão de habitantes.

A Catedral Diocesana de Campos está localizada na parte central da cidade, num dos pontos mais altos da região. Esta Catedral é dedicada ao Santíssimo Salvador. Ela tem uma estrutura imponente e fica de frente para o rio Paraíba do Sul. Em 1677, foi a igreja matriz da região quando foi fundada a Villa de São Salvador de Campos.

A segunda igreja matriz foi erigida no local onde depois foi construída a Catedral, ao lado da Capela Senhor dos Passos e do velho cemitério. No ano de 1924, quando a diocese tinha apenas dois anos, a antiga igreja matriz foi elevada a Catedral Diocesana, e tendo como primeiro cura o padre doutor Antônio Carmelo, que foi substituído por padre Magaldi e monsenhor João de Barros Uchoa.

Sob o comando do padre Uchoa, a Catedral passou por uma grande reforma e alteração arquitetônica. Em 1970, foi transformada em Basílica Menor do Santíssimo Salvador (sendo que a Catedral foi construída sobre a antiga igreja da matriz, aproveitando a estrutura das torres e do prédio), no pontificado do Papa São Paulo VI. Na ocasião o bispo da Diocese de Campos era Dom Antônio de Castro Mayer.

A Diocese de Campos teve sete bispos diocesanos: 1º bispo: Dom Henrique César Fernandes Mourão (1925-1935); 2º bispo: Dom Otaviano Pereira de Albuquerque, Arcebispo (1935-1949); 3º bispo: Dom Antônio de Castro Mayer (1949-1981); 4º bispo: Dom Carlos Alberto Etchandy Gimeno Navarro (1981-1990); 5º bispo: Dom João Corso (1990-1995); 6º bispo: Dom Roberto Gomes Guimarães (1996-2011); e o 7º bispo, desde 30 de junho de 2011, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, atual bispo diocesano.

 

Diocese de Barra do Piraí

A Diocese de Barra do Piraí foi criada pelo Papa Pio XI, em 4 de dezembro de 1922, mesma data e com o mesmo documento da Diocese de Campos. Nasceram no mesmo dia. Esta diocese tem um vasto território e foi desmembrada da Diocese de Niterói. No início, pertenciam a Barra do Piraí outras três dioceses: Valença, desmembrada em 1925, Nova Iguaçu, desmembrada em 1960 e a Diocese de Itaguaí, desmembrada em 1980. Portanto, a Diocese de Barra do Piraí possuía e ainda possui um território bem vasto.

Somente em 23 de julho de 1923, a Diocese de Barra do Piraí foi instalada, sendo o seu administrador apostólico monsenhor José Maria Parreira Lara, sucedido em maio de 1925 por monsenhor Alfredo da Silva Bastos. Esses dois dedicados administradores lançaram as sementes e a base da nova diocese.

Por um decreto consistorial, em 1965, a diocese passou a ser denominada como Barra do Piraí/Volta Redonda. Atualmente ela compreende os seguintes munícipios: Volta Redonda, Barra do Piraí, Resende, Barra Mansa, Itatiaia, Quatis, Porto Real, Rio Claro, Pinheiral, Mendes, Paulo de Frontin e Piraí.

A Diocese de Barra do Piraí/Volta Redonda ocupa um lugar de destaque no cenário nacional, e está localizada num ponto estratégico do Brasil, onde sobressai o mercado financeiro. Está situada no eixo Rio-São Paulo, principal polo de desenvolvimento do país nas últimas décadas. Abriga em seu território o símbolo do início da industrialização do país, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), empresa que impulsionou o crescimento industrial na década de 1940, em Volta Redonda e, em Resende, a Academia Militar das Agulhas Negras.

Nos últimos anos, a diocese também foi governada por Dom João Maria Messi (OSM), Dom Francisco Biasin, ambos eméritos, e atualmente por Dom Luiz Henrique da Silva Brito, que foi nosso bispo auxiliar.

A Diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda teve, nestes cem anos, oito bispos diocesanos: 1º bispo: Dom Guilherme Müller (1926-1935); 2º bispo: Dom José André Coimbra (1938-1955); 3º bispo: Dom Agnelo Rossi (1956-1962); 4º bispo: Dom Altivo Pacheco Ribeiro (1963-1966); 5º bispo: Dom Waldyr Calheiros de Novais (1966-1999); 6º bispo: Dom Frei João Maria Messi, OSM (2000-2011); 7º bispo: Dom Francisco Biasin (2011-2019) e, desde 13 de maio de 2019, Dom Luiz Henrique da Silva Brito, bispo diocesano.

 

Celebrações

Rezemos por essas duas importantes dioceses do Estado do Rio de Janeiro e do nosso Brasil. Peçamos que Deus continue abençoando essa porção do povo de Deus, e que o Espírito Santo suscite novos fiéis ardorosos e com o desejo de continuar contando essa história. Principalmente para quem mora nessas dioceses, participem dos festejos do centenário, e aqueles que moram em outros munícipios rezem pela porção do povo de Deus que ali reside.

Celebrar o centenário destas duas importantes dioceses será uma graça especial para a Igreja que peregrina no Rio de Janeiro. O arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, junto com os seus bispos auxiliares e os bispos sufragâneos, iremos celebrar o centenário da Diocese de Barra do Piraí/Volta Redonda. Já o arcebispo de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias, junto com os bispos sufragâneos, irá celebrar o centenário da Diocese de Campos, no mesmo e dia hora.

Louvemos e agradeçamos a Deus os muitos benefícios que os bispos, padres, religiosos, consagrados e o povo santo de Deus das duas dioceses de Barra do Piraí/Volta Redonda e de Campos realizaram para o anúncio do Reino de Deus nestas abençoadas dioceses.

Continuemos a caminhada da evangelização, sendo uma Igreja Sinodal que, anunciando o Evangelho, testemunhe o Ressuscitado!

Viva as dioceses de Barra do Piraí/Volta Redonda e Campos! Deus abençoe estas dioceses! Nossos cumprimentos ao povo e suas comunidades.

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

Categorias