A Igreja de Sant’Ana, no Centro do Rio de Janeiro, sede do Santuário Arquidiocesano de Adoração Perpétua, acolheu, no dia 3 de maio de 2026, a Santa Missa em ação de graças pelo centenário da Obra da Adoração Perpétua e pela chegada dos padres sacramentinos ao Brasil, os religiosos da Congregação do Santíssimo Sacramento, fundada na França, em 1856, por São Pedro Julião Eymard. A celebração foi presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, e reuniu bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis em um momento de gratidão pelos dois acontecimentos.
Representando a Congregação do Santíssimo Sacramento, estavam três bispos diocesanos: Dom Jorge Alves Bezerra, de Paracatu (MG), Dom Hernaldo Pinto Farias, de Bonfim (BA), e Dom Eugênio Barbosa Martins, de São João da Boa Vista (SP), o provincial padre Marcelo Carlos da Silva e membros do conselho provincial.
Reunidos para agradecer
No início da celebração, o pároco e reitor do santuário, padre José Laudares de Ávila, acolheu os presentes recordando o marco histórico da instituição da adoração perpétua no Rio de Janeiro. “Há um ano, neste mesmo dia 3 de maio, tivemos a celebração de abertura do centenário da criação da Obra da Adoração Perpétua e do início da primeira comunidade da Congregação do Santíssimo Sacramento no Brasil, precisamente aqui nesta igreja dedicada à Senhora Sant’Ana”, afirmou.
O sacerdote destacou que, desde 1926, o templo se tornou referência de espiritualidade eucarística contínua. “A partir daquela data, a igreja de Sant’Ana se tornou o santuário da adoração, e hoje estamos aqui reunidos para agradecer estes cem anos de ministério e de trabalho”, disse, convidando os fiéis a contemplarem a história construída ao longo das décadas.
Ao recordar a trajetória da obra, padre José Laudares ressaltou a dedicação de inúmeros sacerdotes e leigos que mantiveram viva a adoração ao Santíssimo Sacramento. “Podemos imaginar quantos sacerdotes passaram por aqui, tanto da congregação como do clero da Arquidiocese do Rio de Janeiro, quantos homens e mulheres adoradores durante este centenário que estamos celebrando”, destacou, evidenciando a dimensão comunitária e perseverante da missão, dando continuidade a uma tradição que, há um século, sustenta a fé e a missão da Igreja no coração da cidade.
Padre José Laudares também expressou gratidão pela presença de representantes da Congregação do Santíssimo Sacramento vindos de diversas regiões do país. “Estamos muito felizes com a presença de tantos bispos e sacerdotes que vieram de vários lugares da nossa congregação”, afirmou, saudando de modo especial o arcebispo do Rio de Janeiro, os bispos sacramentinos presentes, e o bispo emérito de Iguatu (CE), Dom Edson de Castro Homem.
Gratidão ao reitor
Ainda no início da celebração, Dom Orani saudou todos os presentes, de maneira especial, o pároco e reitor do santuário, padre José Laudares, destacando sua missão à frente da comunidade. “Muito obrigado, padre Laudares, terceiro reitor do santuário, sucessor dos padres Jerônimo Billioum e João Piasentin. Bendizemos a Deus pelo seu trabalho e pela sua missão”, afirmou, recordando também os desafios enfrentados durante a pandemia. “Passamos juntos pela pandemia, tivemos que nos refazer e sermos criativos durante esse tempo na adoração perpétua”, acrescentou.
Inspiração de Dom Sebastião Leme
O arcebispo ressaltou o significado do centenário como ocasião de louvor e reconhecimento pela ação de Deus ao longo da história. “Louvamos e bendizemos a Deus por esse centenário. Vivemos um dia histórico”, disse, ao lembrar a iniciativa de Dom Sebastião Leme, na época, arcebispo coadjutor do Rio de Janeiro. “Agradecemos a Deus também pela inspiração de Dom Sebastião, que teve, entre as várias iniciativas, a criação deste pulmão de oração na cidade, o Santuário de Adoração Perpétua como fonte de vida espiritual para a Arquidiocese do Rio de Janeiro”, destacou.
Dom Orani lembrou que, à época da fundação da Obra da Adoração Perpétua, a Igreja no Brasil vivia um contexto diferente, anterior à criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e que o Rio de Janeiro era a capital federal, o que reforça a dimensão pioneira da iniciativa. “Naquele tempo ainda não existia a CNBB, e ele chamava este lugar de Santuário Nacional da Adoração Perpétua, o primeiro a ser instalado no Brasil”, afirmou, ressaltando a continuidade dessa missão ao longo de um século.
Jesus Cristo, centro da vida cristã
Na homilia, Dom Orani destacou a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e a responsabilidade missionária que brota da adoração. Ele ressaltou que a adoração ao Santíssimo Sacramento permanece como elemento essencial da identidade e da missão da Igreja. “Aquilo que foi a inspiração de Dom Sebastião Leme continua tendo seu centro aqui na Igreja de Sant’Ana”, disse, lembrando que, ao longo dos anos, essa prática se expandiu também para as paróquias, fortalecendo a espiritualidade e a vida comunitária dos fiéis.
Inspirado pela liturgia do 5º Domingo da Páscoa, Dom Orani enfatizou que Jesus Cristo é o centro da vida cristã. “O centro é Jesus Cristo”, afirmou, recordando que Ele é “a pedra angular” (1Pd 2,4-9), “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,1-12), fundamento sobre o qual se constrói a fé e a missão da Igreja. Ele destacou ainda que a Eucaristia é fonte de sustento espiritual e de transformação da vida cristã. “Jesus Cristo é nosso alimento. Seu corpo é comida, seu sangue é bebida, mas também nós o adoramos presente na Eucaristia”, afirmou.
O arcebispo também destacou a dimensão concreta da fé, que se expressa no serviço ao próximo. Ao comentar a leitura dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-7), recordou a organização da Igreja primitiva para atender às necessidades dos mais pobres. “A consequência da nossa vida de adoração é também a preocupação com o outro”, afirmou, evidenciando que a espiritualidade eucarística conduz necessariamente ao compromisso com a caridade.
Partilha e solidariedade
Dom Orani ressaltou que a adoração não afasta os fiéis das realidades do mundo, mas os impulsiona a uma vivência mais autêntica do Evangelho. “A adoração não é alguma coisa que nos aliena das realidades”, disse, destacando que, ao contrário, ela fortalece a missão cristã diante dos desafios sociais, das desigualdades e das dificuldades presentes na cidade.
Ao recordar os cem anos da obra, o arcebispo destacou os frutos gerados ao longo das décadas e a necessidade de continuidade. “Um centenário para ser celebrado, para ser rememorado e para marcar a nossa história”, afirmou, convidando os fiéis a reconhecerem os dons recebidos e a renovarem o compromisso com a missão.
Por fim, Dom Orani exortou a comunidade a manter viva a tradição da adoração e a traduzir essa experiência em gestos concretos de partilha e solidariedade. “Somos chamados a partilhar o pão da Palavra e o pão do alimento de cada dia”, afirmou, destacando que a Eucaristia impulsiona os cristãos a cuidar dos mais necessitados e a promover a transformação social.
Momento de adoração
Após a celebração eucarística, Dom Orani conduziu um momento de adoração com a exposição do Santíssimo Sacramento, em oração silenciosa e contemplativa. Diante de Jesus Eucarístico, o clero e os fiéis renovaram a fé e a gratidão pelos cem anos da Obra da Adoração Perpétua e pela missão dos padres sacramentinos no Brasil. A celebração foi concluída com a bênção do Santíssimo Sacramento, em clima de recolhimento, devoção e esperança
Mensagem do superior geral
No final da celebração, foi lida a mensagem do superior geral da congregação, padre Felipe Benz Ruman, feita pelo conselheiro geral, padre Francisco Júnior. O texto destacou a gratidão pela trajetória da obra e o valor da adoração eucarística como centro da vida cristã.
Na mensagem, o superior geral saudou o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani, os bispos presentes, os sacerdotes sacramentinos, o clero diocesano e os leigos adoradores, reconhecendo o papel fundamental de todos na continuidade da missão. “Sem vocês, nenhuma das nossas comunidades teria verdadeiramente essa adoração”, afirmou, agradecendo o testemunho de fé e dedicação ao Santíssimo Sacramento.
O padre Felipe Ruman também ressaltou a importância histórica do santuário, destacando sua relevância para a Igreja no Brasil. “Este santuário é o altar do Brasil”, afirmou, reconhecendo a tradição e o significado espiritual do local como referência nacional da adoração eucarística.
Em tom de comunhão, o superior geral manifestou proximidade com a celebração jubilar. “Uno-me espiritualmente a esta solene celebração que está tendo lugar nesta igreja de Sant’Ana, sinal eloquente da presença viva de Cristo em meio ao seu povo”, declarou, evidenciando a dimensão universal da comemoração.
A mensagem enfatizou ainda a adoração perpétua como testemunho de fé diante das dificuldades do mundo atual. “A adoração perpétua apresenta-se como um luminoso testemunho de fé e de esperança”, afirmou, destacando que, mesmo em meio às inquietações e fragmentações da sociedade, Cristo permanece como centro e fonte de unidade.
Finalizando sua mensagem, o superior geral encorajou os fiéis a perseverarem na missão, confiando à intercessão de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento a vida da congregação e dos adoradores. “Que esta celebração seja um verdadeiro tempo de graça, fortalecendo a unidade e reacendendo o zelo pelo Reino”, concluiu.
“Formamos uma só assembleia orante”
Na mensagem do provincial da Congregação do Santíssimo Sacramento, padre Marcelo Carlos da Silva, ele destacou o papel do pastoreio e da comunhão eclesial na continuidade da missão adoradora no Brasil. Ele dirigiu palavras de gratidão ao arcebispo, Dom Orani, reconhecendo sua proximidade com a congregação. “Sou agradecido, em nome da nossa província, ao tipo de pastor que o senhor se fez para nós na retomada da adoração perpétua”, afirmou.
O sacerdote ressaltou que a permanência da adoração depende da união entre clero e leigos, evidenciando o compromisso da Arquidiocese do Rio de Janeiro com essa espiritualidade. “Ela só será perpétua contando com esse apoio de pastor e do povo de Deus”, disse, destacando o envolvimento de toda a comunidade na sustentação da obra.
Padre Marcelo Carlos também manifestou gratidão pela presença de peregrinos vindos de diversas regiões do Brasil e de outros países, que se uniram à celebração jubilar.
Entre os representantes brasileiros, destacou a participação de fiéis das dioceses de Paracatu (MG), Belo Horizonte (MG), Juiz de Fora (MG), Uberaba (MG), Caratinga (MG), Sete Lagoas (MG) e Fortaleza (CE), além dos adoradores do próprio Santuário de Adoração Perpétua do Rio de Janeiro.
“Formamos uma só assembleia orante, agradecida a Deus por estes cem anos”, afirmou, sublinhando também a presença da família sacramentina em países como Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Estados Unidos.
Em tom de reconhecimento, o provincial agradeceu aos responsáveis pela organização do ano jubilar, mencionando de modo especial o pároco e reitor do santuário, padre José Laudares de Ávila, e sua equipe, além do coordenador do jubileu. Ele também recordou a dedicação dos sacerdotes, religiosos e leigos que, ao longo dos anos, mantêm viva a missão da congregação.
Ao concluir, padre Marcelo Carlos dirigiu uma bênção aos presentes, desejando que o centenário seja fonte de renovação espiritual e missionária. “Que Deus abençoe a todos vocês”, afirmou, convidando os fiéis a retornarem às suas comunidades levando consigo o testemunho de fé vivido na celebração.
“Missão renovada para os próximos cem anos”
Representando os adoradores e adoradoras do Santuário de Adoração Perpétua do Rio de Janeiro, Maria das Graças manifestou, durante a celebração do centenário, uma mensagem marcada pela gratidão e pelo reconhecimento da missão vivida ao longo dos anos. Em sua mensagem, destacou o compromisso dos leigos que, diariamente, se dedicam à adoração ao Santíssimo Sacramento.
Ela resumiu o sentimento da comunidade em uma única palavra: “Gratidão”, afirmou, dirigindo o agradecimento a Deus, à Santíssima Trindade, à Sagrada Família, a São Pedro Julião Eymard e a todos que contribuíram para a consolidação da obra, incluindo Dom Sebastião Leme e o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta.
Maria das Graças ressaltou também a importância dos sacerdotes e da congregação sacramentina na condução da espiritualidade eucarística. “Uma especial gratidão a todos vocês, adoradores e adoradoras, que deixam seus afazeres e suas famílias para cumprir o compromisso assumido com Jesus”, disse, valorizando a fidelidade dos fiéis que mantêm a adoração contínua.
Ao recordar a trajetória da obra, destacou os desafios enfrentados ao longo do tempo, especialmente durante a pandemia. “Não foi fácil chegar até aqui, mas Deus não disse que seria fácil”, afirmou, reconhecendo o esforço coletivo e o apoio da arquidiocese para garantir a continuidade da adoração.
A representante dos adoradores também fez memória daqueles que participaram da missão e já partiram para a casa do Pai. “Alguns dos nossos irmãos adoradores foram chamados pelo Pai nessa jornada, mas com certeza estão aqui presentes”, declarou, em tom de fé e esperança.
Por fim, Maria das Graças destacou o sentido do centenário como renovação da missão. “Valeu a pena celebrar esses cem anos e ter a certeza de dever cumprido”, afirmou, acrescentando que a caminhada continua: “Saímos com a missão renovada para os próximos cem anos que começam hoje”.
Santuário: farol de fé, de silêncio e de esperança
O vigário episcopal do Vicariato Urbano, padre Wagner Toledo, destacou a importância histórica e espiritual do santuário para a vida da Arquidiocese do Rio de Janeiro, ressaltando a presença da Igreja como sinal de acolhimento, fé e proximidade com o povo.
Ao saudar o arcebispo, Dom Orani, o sacerdote recordou o contexto celebrativo vivido pela Igreja local e a trajetória de evangelização na cidade. “A Igreja sempre é próxima do nosso povo, uma Igreja em saída, acolhedora, que nos ajuda a viver uma felicidade sem fim”, afirmou, destacando o papel missionário da arquidiocese ao longo dos anos.
Padre Wagner ressaltou também a importância da presença dos religiosos sacramentinos, reconhecendo sua contribuição na condução da espiritualidade eucarística. “A presença dos sacramentinos ao longo destes cem anos é uma presença benéfica para a nossa arquidiocese”, disse, mencionando ainda a harmonia entre o clero diocesano e religioso como sinal de comunhão.
Ao recordar a história do santuário, o sacerdote destacou seu papel como espaço de fé e esperança no coração da cidade. “Esta igreja se tornou um grande farol de fé, de silêncio e de esperança para incontáveis fiéis”, afirmou, evidenciando a relevância do local para diferentes gerações de adoradores.
Um dos pontos centrais de sua mensagem foi a recordação do período da pandemia, quando a continuidade da adoração ao Santíssimo Sacramento foi fortemente incentivada pelo arcebispo. “Dom Orani queria, a todo custo, que o Santíssimo continuasse sendo adorado”, afirmou, destacando que, mesmo diante das restrições, a adoração não foi interrompida.
Nesse contexto, o vigário episcopal ressaltou a solução encontrada para manter viva a prática da adoração. “Já que o nosso povo não podia chegar presencialmente, as irmãs de vida contemplativa em seus carmelos e mosteiros estiveram fazendo a nossa parte de adoração durante todo o tempo de restrição”, explicou, evidenciando o papel das comunidades religiosas na sustentação espiritual da Igreja naquele período.
Por fim, padre Wagner manifestou gratidão a todos os fiéis que sustentam a obra ao longo dos anos. “É em vocês que está a razão de todo esse trabalho, de toda essa missão”, afirmou, reconhecendo nos leigos e adoradores a continuidade viva de uma tradição centenária de fé, oração e serviço.
Ser ponte entre o passado e o futuro
Antes da bênção final, Dom Orani destacou o significado histórico do santuário e a continuidade da missão ao longo de um século. Agradeceu o esforço conjunto da Congregação do Santíssimo Sacramento, da Arquidiocese do Rio de Janeiro e do Vicariato Urbano para manter viva a adoração durante os desafios enfrentados na pandemia. “Tivemos que encontrar caminhos e, agora, retomamos com novos adoradores”, disse.
Ao olhar para o futuro, Dom Orani exortou os fiéis a assumirem a responsabilidade de dar continuidade à obra. “Sejamos ponte entre o passado e o futuro, cumprindo bem a nossa missão hoje”, afirmou, incentivando a renovação do compromisso evangelizador.
Por fim, destacou o papel da adoração como fonte de força espiritual para o povo, especialmente diante dos desafios da cidade. “É na adoração à Santíssima Eucaristia que o povo encontra força e alento”, concluiu, convidando todos a permanecerem firmes na fé e na missão.
Carlos Moioli