Museu Arquidiocesano de Arte Sacra: 25 anos de preservação da memória religiosa do Rio de Janeiro

No dia 24 de abril de 2026, o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra do Rio de Janeiro completou 25 anos de abertura ao público. Situado no subsolo da Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, na Av. República do Chile, 245, no Centro.

O Museu teve a sua origem há cinquenta anos, quando o monsenhor Ivo Antonio Calliari começou a coletar peças sacras pertencentes a igrejas que iam sendo demolidas para a expansão da cidade do Rio de Janeiro, como aconteceu com a Igreja de São Pedro dos Clérigos, que ficava no Centro e hoje deu lugar à Av. Presidente Vargas; o Convento da Ajuda, que se situava próximo à Igreja de Santa Luzia e hoje deu lugar à Cinelândia; e o antigo Morro do Castelo, onde estava localizada a primeira Catedral do Rio de Janeiro.

Essas peças, o monsenhor Ivo Calliari coletava e guardava na Catedral como forma de segurança e, ao mesmo tempo, de preservação. Foram 40 anos coletando peças, mobiliários, livros e outros objetos para formar o Museu, tanto que, em 1979, segundo o relatório da professora Helena Pavão, a primeira museóloga e organizadora do Museu junto ao monsenhor Ivo, as peças coletadas foram introduzidas de maneira adequada no Museu situado na nova Catedral.

Desde a sua inauguração, já se pensava em fazer mostras e pequenas exposições para que o público e o clero pudessem admirar as peças sacras. O monsenhor Ivo e a museóloga Helena foram grandes entusiastas e pioneiros da conservação e da construção do Museu de Arte Sacra, trazendo não somente o desejo de salvaguardar, mas também o desejo de manter viva a tradição e a história de fé do povo carioca e, ao mesmo tempo, fazer com que outras coleções fossem introduzidas no acervo permanente do Museu.

No início do Museu, em seu acervo, as peças estavam catalogadas em um total de 3.747 obras. Ao decorrer das décadas seguintes, o número saltou para mais de oito mil peças, entre doações de coleções inteiras, algumas em comodato, e outras incorporadas de forma definitiva ao acervo.

No início do Museu, tivemos como diretores o monsenhor Ivo Calliari e o monsenhor Guilherme Schubert, desde 1976, ano da inauguração da Catedral e da festa do Tricentenário da Diocese do Rio. Depois, o padre Arnaldo da Silva Moreira passou a exercer a função de vice-diretor do Arquivo e do Museu.

Com o andamento do Museu, tivemos como diretores administrativos e artísticos o monsenhor Aroldo Ribeiro, o monsenhor José Roberto Devellard (in memoriam), o padre Joel Portella Amado, atual bispo diocesano de Petrópolis, que foi substituído pelo cônego Cláudio dos Santos, atualmente nosso diretor administrativo, e o padre Vanderson de Oliveira como diretor artístico, substituindo o monsenhor Devellard, e atualmente eu, padre Fernandes Elias Júnior.

A equipe do Museu teve como grande entusiasta a professora Helena Pavão, que trabalhava no Museu Histórico Nacional e que, a convite do monsenhor Ivo Calliari, ajudou o Museu a crescer. Depois, tivemos as museólogas Marli Assis Martins e Maria Fátima Carazza de Farias, que trabalham na catalogação e preservação do acervo, entre outras atividades, juntamente com Marcos Teixeira, que trabalha na conservação e atualmente faz a catalogação da nova Biblioteca do Museu Arquidiocesano, além de Leandro Oliveira, recepcionista que muito ajuda na acolhida dos visitantes.

O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra conta com uma recepção que abriga o anjo da antiga Igreja de Sant’Ana, duas peças de água benta, um quadro de Nossa Senhora com o Menino e o balcão de atendimento. A entrada possui um espaço para exposição temporária e uma vitrine, na qual são montadas exposições que permanecem de dois a seis meses, dependendo da temática ou da importância histórica.

Depois, temos a exposição do nosso acervo permanente, possuindo uma vitrine dedicada somente às peças marianas, com imagens de Nossa Senhora e seus títulos marianos. Em seguida, há o espaço dedicado aos oratórios de diversas formas e formatos, outra vitrine dedicada aos santos e outra às relíquias, como a relíquia do Lenho da Santa Cruz e o anel do Papa São João Paulo II. Compondo as vitrines, temos uma dedicada aos objetos litúrgicos e à prataria, ourivesaria de prata, ouro e prata dourada e, ao final, uma dedicada somente aos objetos litúrgicos, contendo a pia batismal da Família Imperial.

Temos, no meio do Museu, algumas peças importantes, como santos de diversos lugares e de vários artistas da época colonial, como Mestre Valentim e o pintor Leandro Joaquim. Em uma vitrine, ao virar para a Galeria de Quadros Helena Pavão, encontram-se objetos da Família Imperial, como, por exemplo, a espadinha de Dom Pedro II e as Rosas de Ouro da Princesa Isabel, presente do Papa Leão XIII. Seguindo o corredor da Galeria de Quadros Helena Pavão, encontra-se o Museu Bíblico, com peças que narram a Sagrada Escritura em forma de imagens e cenários, ideia do monsenhor Devellard, e a última sala, dedicada a ele, abriga a exposição de alfaias, paramentos e roupas litúrgicas, sacras e religiosas, além do quadro de Dom Joaquim Arcoverde, arcebispo do Rio de Janeiro e primeiro cardeal da América Latina.

O Museu ainda conta com a Biblioteca, em atividade para catalogação e sistematização de livros de pesquisa de arte, o Laboratório de Conservação e Restauro Ivo Calliari, inaugurado no ano passado, e ainda possui quatro reservas técnicas para abrigar o acervo não exposto no Museu.

Apesar da sua brevidade, em seus 25 anos de existência, o Museu Arquidiocesano de Arte Sacra possui um belo acervo, importante tanto para a história de fé do povo carioca quanto para a pesquisa viva da cidade que, nestes 450 anos de evangelização, traz por meio da arte uma grande demonstração do amor de Deus. De fato, o Museu, além de guardar aquilo que é belo e importante, ao mesmo tempo evangeliza e atualiza o nosso conhecimento e a nossa fé.

 

Padre Fernandes Elias Junior

Diretor Artístico do Museu Arquidiocesano de Arte Sacra

Categorias
Categorias