O centro histórico do Rio de Janeiro será palco de uma celebração marcada por memória, espiritualidade e reflexão sobre a história do país. No próximo dia 17 de maio de 2026, às 9h, será realizada a tradicional Festa Magna da Abolição, reunindo fiéis, pesquisadores e membros da sociedade civil em uma missa solene em ação de graças, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos.
A iniciativa é promovida pela Venerável e Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, em parceria com o Círculo Monárquico do Rio de Janeiro “Dom Luis, o Príncipe Perfeito” e o Instituto Cultural D. Isabel I, “a Redentora”, título que recebeu pela assinatura da Lei Áurea.
A celebração marca dois momentos significativos: os 138 anos da abolição da escravatura no Brasil, formalizada pela assinatura da Lei Áurea em 1888, e os 25 anos de fundação do Instituto D. Isabel I, dedicado à preservação da memória histórica do período imperial e de suas figuras centrais, como a Princesa Isabel.
O local escolhido para a cerimônia reforça o simbolismo do evento: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos. Situada no coração da cidade, é um dos mais importantes marcos da presença negra na história religiosa e social do Brasil, tendo sido construída e frequentada por irmandades formadas por homens pretos durante o período colonial.
Além de seu caráter religioso, a celebração também se apresenta como um momento de reflexão sobre o legado da abolição e os desafios contemporâneos relacionados à desigualdade social e racial no país.
História
A Venerável e Imperial Irmandade de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, fundada por volta de 1640, reunia negros e pardos da cidade do Rio de Janeiro. Inicialmente, suas atividades ocorriam na Igreja de São Sebastião, situada no Morro do Castelo. Com a criação do bispado, em 1684, e a elevação da igreja à condição de catedral, intensificaram-se os conflitos entre o Cabido e a Irmandade, composta pelos estratos mais discriminados da sociedade.
Por volta de 1700, a irmandade foi obrigada a deixar o local, mas, graças à doação de terreno feita pela devota Francisca Pontes, no ano seguinte, iniciou a construção de um novo templo na então Rua da Vala (atual Rua Uruguaiana), área que delimitava a cidade à época.
As obras se estenderam até 1737, período em que a irmandade também enfrentou tentativas de controle por parte de cônegos que consideravam o templo vultoso para uma irmandade de pretos e pretendiam torná-la uma paróquia. Ainda no século XVIII, a capela-mor foi reconstruída, por volta de 1772.
Com a chegada da Família Real ao Brasil, a catedral foi novamente transferida, alterando a organização religiosa da cidade. Já no século XX, em 1967, um incêndio destruiu o interior da igreja. O templo foi reconstruído e reaberto ao público em 1969, com projeto de Lúcio Costa e Sérgio Porto. A nova edificação perdeu seus elementos decorativos originais, preservando apenas partes externas históricas.
A secular Irmandade preserva suas tradições e mantém viva a devoção mariana a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e também a São Benedito, um dos santos franciscanos mais populares da tradição católica, símbolo de fé, humildade e resistência diante das provações.
Neste Ano Especial Franciscano, venerar Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e São Benedito é também reverenciar o legado espiritual de São Francisco de Assis, que tanto contribuiu para a Igreja e para o mundo.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito está localizada na Rua Uruguaiana, 77, Centro, no Rio de Janeiro. A participação é aberta ao público.
Cláudio Santos – Coordenador das Pastorais Sociais dos Vicariatos Norte e Tijuca