Oratório da Providência será reinaugurado após restauração de patrimônio histórico no Morro da Providência

Um dos mais antigos marcos religiosos do Morro da Providência, na região portuária do Rio de Janeiro, será devolvido à comunidade após um amplo processo de restauração. O Oratório da Providência será reinaugurado no dia 14 de setembro de 2026, às 12h. Para chegar ao local, haverá concentração às 11h30, na Igreja de Nossa Senhora do Livramento, situada na Ladeira do Barroso, 113, de onde os participantes seguirão até o Oratório, localizado na Ladeira do Barroso, s/nº, na cota máxima do Morro da Providência.

Pertencente à Paróquia Sagrada Família, no bairro da Saúde, o Oratório do Morro da Providência, também conhecido como “Capela das Almas”, é um patrimônio tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), por meio do Decreto nº 6.057, de 23 de agosto de 1986.

A história do pequeno templo remonta à passagem do século XIX para o XX. Documentos reunidos durante o trabalho de preservação indicam que o monumento foi construído entre 1900 e 1901 e originalmente denominado Santuário do Cristo Redentor. Em seu frontispício havia a inscrição “A JESUS CHRISTO”, posteriormente perdida, assim como a cruz que existia na parte superior da construção.

Registros do semanário católico “O Apóstolo”, publicados em dezembro de 1900, ajudam a recuperar os primeiros capítulos dessa história. O periódico noticiou a construção de uma grande cruz no Morro da Providência como monumento destinado a celebrar a passagem do século e a devoção do povo a Jesus Cristo Redentor. A inauguração estava prevista para 1º de janeiro, às 17h, com a bênção do então arcebispo Dom Joaquim Arcoverde.

Fotografias históricas de Augusto Malta também registraram o Oratório no início do século XX, quando a construção se destacava praticamente isolada no alto do morro. Com as transformações urbanas ocorridas ao longo das décadas, o monumento passou a integrar a paisagem densamente ocupada do Morro da Providência, preservando seu valor religioso, histórico e afetivo para a comunidade.

A preservação do imóvel ganhou especial atenção da Comissão de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural da Arquidiocese do Rio de Janeiro e de seu Interesse. Em 1º de agosto de 2024, uma vistoria técnica, realizada pelos engenheiros civis Francisco Roberto Monteiro Silva Neto e Ailton Roberto dos Santos, constatou a necessidade urgente de intervenção.

Na área externa, uma árvore de grande porte havia se desenvolvido sobre a edificação, encobrindo quase toda a torre que servia de suporte ao antigo cruzeiro. Da base da cruz à cúpula, aos pináculos, às balaustradas e ao cornijamento das fachadas, foram identificados severos sinais de umidade, além de perdas de argamassa, descascamento da pintura à base de cal e avanço das raízes entre as camadas das paredes.

No interior, as infiltrações provocadas pelas chuvas atingiam a abóbada e avançavam pelas paredes. A umidade favoreceu o crescimento da vegetação, cujas raízes penetraram na alvenaria, comprometendo paredes e esquadrias. Em alguns pontos, chegaram a perfurar a estrutura e atingir acabamentos de portas e janelas em arco ogival, características da arquitetura neogótica do Oratório. As imagens dos levantamentos também revelaram infiltrações generalizadas e raízes avançando por trás das imagens existentes no altar.

A partir da vistoria, foi definido um amplo conjunto de intervenções, incluindo a regularização das obras junto ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a retirada da árvore e da vegetação invasora, a remoção e a recomposição das argamassas comprometidas, a recuperação dos elementos de madeira, a reposição dos vidros das janelas e a revisão das instalações elétricas e hidráulicas. Também foram previstos o tratamento do piso, a recuperação do sistema de escoamento das águas pluviais, a pintura interna e externa e serviços no entorno, como a recuperação do calçamento e das escadas.

Em março de 2025, um novo memorial descritivo consolidou tecnicamente as intervenções necessárias. O levantamento voltou a registrar danos nas paredes estruturais e nas esquadrias de madeira provocados pelas raízes, infiltrações na abóbada, infestação biológica, desprendimento de argamassas, rachaduras e oxidação das ferragens dos pináculos.

O trabalho de restauração contemplou o mapeamento dos danos estruturais, a retirada cuidadosa da vegetação invasora, a consolidação de pontos com desprendimentos, trincas e fissuras, a recomposição das partes afetadas e a impermeabilização da laje superior e das platibandas. Também foram previstos o tratamento das ferragens dos pináculos, a limpeza das superfícies internas e externas, a restauração das esquadrias e a pintura do edifício.

Um dos principais cuidados foi preservar as características históricas da construção. A pintura interna e externa deveria ser feita à base de cal, respeitando o material tradicionalmente utilizado no Oratório, enquanto as cores das esquadrias seriam definidas por meio de análise estratigráfica. A retirada da vegetação que havia se desenvolvido sobre o monumento também deveria ser acompanhada por profissional especializado.

A recuperação tornou-se possível por meio de recursos provenientes da Emenda Parlamentar nº 977437/2025, considerados fundamentais para preservar o patrimônio e contribuir para a valorização do turismo religioso e cultural e para o desenvolvimento da comunidade local. A restauração foi realizada pela Acqua Engenharia Ltda., sob os cuidados dos engenheiros Francisco Monteiro e Ailton Santos.

Carlos Moioli

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