O mês de julho é marcado pelas celebrações do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, comemorado em 25 de julho, data que convida a sociedade e a Igreja a reconhecer a contribuição histórica das mulheres negras e a reafirmar o compromisso com o enfrentamento ao racismo, ao sexismo, ao feminicídio e às diversas formas de violência e discriminação.
Mais do que uma celebração, a data representa um chamado à promoção da igualdade racial, da justiça social e da dignidade humana, valorizando o protagonismo das mulheres negras na construção da sociedade, das comunidades eclesiais e das lutas por direitos.
Em sintonia com esse compromisso, a Pastoral Afro-Brasileira da Arquidiocese do Rio de Janeiro realizou, neste mês, seu encontro arquidiocesano na Capela São José Operário, na Comunidade Shangri-lá, na Taquara, em Jacarepaguá. Com o tema “Feminicídio e Racismo: Defender a vida das mulheres negras é um direito cristão”, a atividade abriu oficialmente a programação arquidiocesana em preparação para o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho.
O encontro reuniu agentes de pastorais, lideranças comunitárias, representantes da Igreja e convidados para um momento de formação, espiritualidade e compromisso com a defesa da vida das mulheres negras e dos direitos humanos.
Participaram da atividade o padre Wilson Cosmo de Souza Júnior, assessor eclesiástico da Pastoral Afro-Brasileira da Arquidiocese do Rio de Janeiro; o padre Jefferson Oliveira, pároco da Paróquia Sagrada Família e articulador das Pastorais Sociais do Vicariato Jacarepaguá; e o padre Jurandyr Azevedo Araújo, SDB, ex-assessor da Pastoral Afro Nacional e da Pastoral Afro da América Latina e do Caribe.
A programação também contou com importantes contribuições de Anazir Oliveira (Zica), integrante da Pastoral das Favelas e da Pastoral Afro-Brasileira da Arquidiocese do Rio de Janeiro; Alcinéia Amâncio, historiadora, pesquisadora das questões afro-brasileiras e professora aposentada das redes públicas de ensino; e Bruna Telles, coordenadora de Gestão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz – Campus Mata Atlântica).
Ao longo das reflexões, foi reafirmado que defender a vida das mulheres negras é um compromisso evangélico e social. Os participantes destacaram que a história dessas mulheres é marcada pela resistência diante da escravidão, do racismo e das múltiplas formas de violência, e que a missão da Pastoral Afro-Brasileira é anunciar o Evangelho da vida, denunciando toda forma de discriminação e promovendo justiça, igualdade e paz.
O encontro reafirmou o compromisso da Pastoral Afro-Brasileira com uma Igreja cada vez mais comprometida com a promoção da igualdade racial, a valorização da cultura afro-brasileira e a superação do racismo estrutural, fortalecendo a presença evangelizadora junto às comunidades historicamente marginalizadas.
Conheça a data
O Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha foi instituído em memória do 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana. Na ocasião, mulheres de diversos países criaram a Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora, fortalecendo a articulação internacional contra o racismo, o sexismo e as desigualdades sociais.
No Brasil, o 25 de julho também é celebrado como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, instituído pela Lei nº 12.987/2014. A data homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII que comandou o Quilombo de Quariterê, símbolo de resistência, liderança feminina, liberdade e justiça.
Pastoral Afro-Brasileira
Criada em 1988 e vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Pastoral Afro-Brasileira tem como missão evangelizar a partir da realidade do povo negro, valorizando a cultura afro-brasileira, combatendo o racismo estrutural e fortalecendo o protagonismo dos afrodescendentes na vivência da fé e da cidadania.
Inspirada pelos frutos da Campanha da Fraternidade de 1988, a Pastoral desenvolve ações de formação, espiritualidade, incidência social e articulação com outras pastorais e organismos eclesiais, contribuindo para a construção de uma Igreja comprometida com a justiça, a fraternidade, a igualdade racial e a defesa da dignidade humana.
Cláudio Santos
Coordenador das Pastorais Sociais dos Vicariatos Norte e Tijuca