Pastores com ‘cheiro de ovelhas’ para cuidar do rebanho do Senhor

“Louvamos a Deus pelo pastoreio que nos concede em ordenar novos pastores para o Seu povo. Louvamos também a Deus pela vida e vocação de cada um dos ordinandos, e pedimos que Ele conserve e ilumine a todos na missão de pastorear o rebanho com bons exemplos e vida de santidade”, disse o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, que conferiu o segundo grau do Sacramento da Ordem a 15 novos sacerdotes.

Realizada na Catedral de São Sebastião, no Centro, no dia 7 de maio, a celebração contou com a presença dos bispos auxiliares, vigários episcopais, membros do Cabido Metropolitano, religiosos e religiosas, consagrados seminaristas e fiéis leigos. Também a presença do arcebispo emérito de Niterói (RJ), Dom Frei Alano Maria Pena, que orientou o retiro espiritual dos candidatos em preparação ao sacerdócio, realizado no Centro de Estudos e Formação do Sumaré, no Rio Comprido, de 2 a 6 de maio.

 

Novos sacerdotes

A turma de sacerdotes, que adotou como lema da ordenação: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo” (Jo 21,17), foi formada pelo Seminário Arquidiocesano de São José, no Rio Comprido. Os candidatos, conforme o rito, foram apresentados pelo reitor, cônego Leandro Câmara, e, como resposta, em nome da Igreja, o arcebispo aceitou e confirmou a ordenação.

São eles:  Addae Vinicius Santos da Silva, Alexandre Carvalho Lima Pinheiro, André Luiz Oliveira dos Santos, Bruno Marinho dos Santos Loura, Felipe Cinelli Barbosa, Felipe de Souza Pertence, Frederico Rodrigues Farias, Isaac Freire de Deus, Luan Gomes Argento, Paulo Diego Braga da Silva, Ramon Guilherme Pitilo da Silva Ramos, Raphael de Lima Talarico, Rodrigo Brum Moreira Junior, Stannly Cunha dos Santos e Walker de Souza Viana.

 

Pastores com ‘cheiro das ovelhas’

Na homilia, ao lembrar que a ordenação estava sendo realizada num tempo bonito da liturgia, às vésperas do 4º Domingo da Páscoa, o domingo do Bom Pastor, do 59º Dia Mundial de Oração pelas Vocações e ainda do Dia das Mães, Dom Orani observou que cada ordinando tem uma história bonita com experiências do Senhor na própria vida e, no decorrer dos últimos anos, foram amadurecendo a vocação, e mesmo passando por diversas situações, configuraram a vida a Jesus Cristo e, agora, são apresentados para a Igreja confirmá-los na vocação e no chamado.

“Conheço cada um dos que estou ordenando. Eles não são números, mas têm nomes, cada um com a sua história. Como é bonito ver a ação de Deus na história, de ver sinais palpáveis de sua presença no meio de nós. Diante de um mundo tão necessitado de sinais, podemos contemplar jovens chamados por Deus, que respondem ‘sim’ e entregam a vida para cuidar do povo por Ele confiado”, disse.

Dom Orani lembrou que a Igreja leva adiante a missão que recebeu do próprio Jesus, quando disse aos seus discípulos: ‘Ide pelo mundo inteiro e pregai o Evangelho a toda criatura’. A missão é realizada pelos batizados e entre eles, o Senhor escolhe alguns, e, através da ordenação presbiteral, se tornam aqueles que irão cuidar, em nome do Senhor e com o Senhor, o rebanho que lhes foi confiado.

“Em nossa arquidiocese nossos pastores trabalham nas paróquias, na área da educação e em diversas frentes pastorais, mas todos com o espírito aberto e a preocupação de cuidar do povo de Deus. Conforme disse o Papa Francisco, eles estão no meio do povo e da comunidade com o ‘cheiro das ovelhas’. Dou testemunho de ver sacerdotes presentes em toda a nossa arquidiocese na variedade de situações e de realidades que vivem e experimentam as dores e sofrimentos do povo, mas que cuidam com carinho do rebanho do Senhor”, disse.

Ao destacar o lema que os ordinandos escolheram, o arcebispo lembrou que a centralidade da vocação, do chamado e da missão está na pergunta que Jesus fez a Pedro: “Tu me amas?” E o “sim” ao chamado é uma forma concreta de manifestar o amor a Jesus Cristo, de servi-Lo na pessoa dos irmãos e irmãs presentes nas comunidades para onde forem enviados.

“Virão pessoas de fora e até de dentro da Igreja que irão falar diferente, que irão nos dividir, como se tivessem a verdadeira razão. Isso sempre teve na Igreja, tem e terá, mas cabe a nós viver a fidelidade, a comunhão, a unidade e o amor a Jesus Cristo, que nos faz viver com entusiasmo a vida cristã e, consequentemente, a vida presbiteral”, disse Dom Orani.

“Com o Apóstolo Paulo ensinou: ‘cuidem vós mesmos do rebanho’. Nas várias situações em que estiverem, cuidem do rebanho do Senhor como bons pastores, com o ‘cheiro das ovelhas’, contagiando as pessoas a viverem e a experimentarem o amor de Deus. Ele enviou seu Filho, que por amor deu a vida por todos, e também enviou o Espírito Santo que o amor de Deus está presente em nossa vida”, disse.

O arcebispo concluiu a homilia dizendo: “Hoje é um dia de festa, de alegria, mas de missão e responsabilidade. Não deixem que as palavras do Evangelho da qual escolheram como lema de ordenação saiam dos seus corações de sacerdotes. Que elas possam marcar a vida e a missão, na certeza que o Senhor, assim como fez com Maria, irá fazer maravilhas na vida de cada um”.

 

Frutos do jubileu episcopal

Após o rito de ordenação e ao convidar os ordinandos para ocupar o presbitério junto com os demais sacerdotes, e de pedir orações pelos ordinandos, Dom Orani agradeceu a Deus pelos sacerdotes que ele ordenou durante os 25 anos de episcopado, marco que ele celebrou no último dia 25 de abril.

“Desde o começo, mesmo antes da ordenação sacerdotal, sempre trabalhei com a Pastoral Vocacional. Aqui no Rio, junto com visitas e celebrações, sempre acompanhei a caminhada dos seminários. Tive a alegria de acompanhar cinco ou seis turmas de seminaristas desde o início, passando por todas as fases, como a entrega do hábito talar, os ministérios, a admissão às ordens sacras até a ordenação sacerdotal, porque isso é muito importante na vida e missão de um bispo”, disse.

“Nos meus 13 anos à frente da Igreja no Rio de Janeiro, junto com essa turma, já ordenei 178 padres, dos quais 145 são da própria arquidiocese. No total foram 250 ordenações, incluindo os padres da Diocese de São José do Rio Preto (SP) e da Arquidiocese de Belém do Pará. Louvo ao Senhor por ter-me concedido a graça de ordenar esse número de sacerdotes para a Sua Igreja.

 

Alegria e esperança

No final da celebração, o padre Ramon, recém ordenado, fez agradecimentos em nome de todos os ordinandos.

O reitor do Seminário São José, cônego Leandro Câmara, na sua mensagem, deu graças a Deus pela ordenação, que “encheu os corações de alegria e esperança”.

“Ao nosso redor podemos identificar muitas carências, faltam muitas coisas, mas o que não falta à nossa cidade e à arquidiocese são belas e numerosas vocações sacerdotais e, por isso, nós louvamos e bendizemos a Deus”, disse.

O reitor também pediu aos jovens, que foram tocados em seus corações pelo chamado do Senhor, que ficassem de pé, e pediu que o povo de Deus reunido rezasse pela vocação de cada um, concluindo com uma oração vocacional, ensinada pelo antigo reitor, Dom Assis Lopes: “Ó Deus, Vós não tem necessidade de mim para nada e já que tão poucos se dedicam a vossa causa, tomai para o vosso serviço e não transfirais para outro a graça da minha vocação. Amém!”.

 

Carlos Moioli

 

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