São Pio de Pietrelcina

Nasceu em 25 de maio de 1887 um dos mais conhecidos e amados santos dos últimos séculos. Com nome de Francisco, tal como aquele a quem ele santamente buscou seguir, Francisco de Assis, o filho de Grazio Forgione e Maria Giuseppa de Nunzio, desde muito jovem, tinha na Cruz do Senhor sua fortaleza, sabedoria e glória, e com tamanha humildade de discípulo quis generosamente seguir a Cristo. Segundo sua mãe, “nunca cometeu alguma falta, não tinha caprichos, sempre obedeceu” e, além disso, “a cada manhã e a cada tarde ia à Igreja visitar a Jesus e a Virgem”. Segundo padre Agostinho, um dos diretores espirituais de São Pio, com apenas cinco anos, o santo começou a viver suas primeiras experiências místicas espirituais, e os êxtases e aparições eram constantes, o que parecia absolutamente normal para o jovem Francisco.

Recebeu a primeira eucaristia e foi crismado aos 12 anos, e já aos 16, Francisco Forgione ingressou no noviciado da Ordem dos Frades Franciscanos, em Morcone, onde passou a chamar-se Frei Pio. Em 1910, São Pio foi ordenado sacerdote e por questões de saúde permaneceu em diversos conventos da província de Benevento até 1916, quando seria enviado para o convento que o acolheria até o fim da vida: San Giovanni Rotondo.

São Pio recebeu tamanhas graças durante a sua vida e fez grande esforço de manifestá-la em seu ministério para santificar a cada um de seus numerosos filhos espirituais. Costumava despertar à noite, muito antes da aurora, se dedicava à oração e com grande fervor aproveitava para visitar Jesus sacramentado durante longas horas, de onde tirava forças para atender até 14 horas de confissões diariamente e celebrar a Santa Missa. O testemunho daqueles que tinham a graça de participar do Santo Sacrifício em sua presença era de um abrasado amor a Deus e profunda piedade. Claramente, este era o ápice da espiritualidade deste simples e zeloso sacerdote que dizia: “Se fosse por mim, não desceria nunca do altar”.

O dom da ciência foi extraordinariamente manifesto em São Pio, o que o fazia enxergar claramente o arrependimento nas pessoas e levava, em algumas ocasiões, a despedi-las sem absolvição. Por vezes, revelava ele os pecados do pecador, em vista de provocar verdadeira conversão no penitente e rejeição radical ao pecado. Uma senhora testemunhou que em 1945 sua mãe a levou a San Giovanni Rotondo para que conhecesse Padre Pio pessoalmente e se confessasse com ele. Enquanto esperava a sua vez, pois tinha muita gente, pensava em tudo o que tinha que dizer ao padre. Porém, quando estava na sua presença, ficou paralisada. Padre Pio em seguida se deu conta da sua timidez e, com um sorriso, lhe disse: “Você quer que eu fale por ti?”. Ela consentiu por meio de um sinal e, depois de algum instante, ficou perplexa: “Não pude acreditar!”. Ele disse, palavra por palavra, tudo o que ela havia querido dizer-lhe. Ao se despedir dele com uma imensa alegria no coração, enquanto regressava de trem, sentiu um intenso perfume de flores do qual nunca esqueceu. Era um odor de santidade, certamente a presença de Padre Pio, e isso a encheu de felicidade.

Um dos maiores acontecimentos da sua vida aconteceu na manhã do dia 20 de setembro de 1918, enquanto rezava diante do Crucifixo do coro da velha e pequena igreja do convento. Ele recebeu os estigmas, as feridas de Jesus Crucificado, as quais eram visíveis e ficaram abertas, frescas e sangrentas por meio século. Este fenômeno extraordinário tornou a chamar, sobre o Padre Pio, a atenção de diversos médicos, estudiosos, jornalistas, e toda a gente comum que, por muitas décadas, foram a San Giovanni Rotondo para encontrar o santo frade. Numa carta ao padre Benedetto, datada de 22 de outubro de 1918, o Padre Pio narra a sua “crucifixão”:

“Meu Deus! Que confusão e que humilhação eu tenho o dever de manifestar o que Tu tendes feito nessa mesquinha criatura! […] Foi na manhã do 20 do mês passado (setembro) no coro, depois da celebração da Santa Missa, quando fui surpreendido pelo descanso do espírito, pareceu um doce sonho. Todos os sentidos interiores e exteriores, além das mesmas faculdades da alma, se encontraram numa quietude indescritível. Em tudo isso houve um silêncio em torno de mim e dentro de mim; senti em seguida uma grande paz e um abandono na completa privação de tudo e uma disposição na mesma rotina. Tudo aconteceu num instante. E em quanto isso se passava, eu vi na minha frente um misterioso personagem parecido com aquele que tinha visto na tarde de 5 de agosto. Este era diferente do primeiro, porque tinha as mãos, os pés e o peito emanando sangue. A visão me aterrorizava, o que senti naquele instante em mim não sabia dizê-lo. Senti-me desfalecer e morreria, se Deus não tivesse intervindo sustentar o meu coração, o qual sentia saltar-me do peito. A visão do personagem desapareceu e dei-me conta de que minhas mãos, pés e peito foram feridos e jorravam sangue”.

São Pio se considerava inútil, indigno dos dons de Deus, cheio de misérias, e repetia: “Quero ser apenas um pobre frade que reza”. O grande santo de Pietrelcina faleceu no dia 23 de setembro de 1968, após pedir para vestir o hábito religioso, confessar-se e renovar seus votos franciscanos. A fama de santidade e de milagres fez-se bastante presente durante toda sua vida e foi crescendo cada vez mais. Peçamos por sua intercessão a graça de tomarmos nossos sofrimentos como caminho de santificação, sendo obedientes a Deus e vigilantes na oração para alcançarmos a santidade desejada pelo Senhor:

“Fica Senhor comigo, pois é só a Ti que procuro o Teu amor, a Tua graça, a Tua vontade, o Teu coração, o Teu Espírito, porque te amo, e a única recompensa que te peço é poder amar-te sempre mais. Como este amor resoluto, desejo amar-te de todo o coração enquanto estiver na terra, para continuar a te amar perfeitamente por toda a eternidade. Assim seja”.

 

São Padre Pio, rogai por nós!

 

 

 

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