Seminário São José: entre os ex-alunos, um cardeal

No último dia 29 de maio, o Santo Padre anunciou que irá criar 21 novos cardeais para a Igreja Romana, em consistório a ser realizado no dia 29 de agosto deste ano. Pedindo orações pelos novos purpurados, o Papa Francisco recorda que esse é um serviço que confirma a adesão do escolhido a Cristo, ajudando o bispo de Roma em seu ministério e promovendo “o bem de todo o fiel Povo Santo de Deus”. Toda a Igreja se alegra com a eleição desses novos membros do Sacro Colégio dos Cardeais, mas de modo especial o Brasil, pois dentre os 21 nomeados estão dois brasileiros: o catarinense D. Leonardo Ulrich Steiner, OFM, arcebispo metropolitano de Manaus, e o fluminense D. Paulo Cezar Costa, arcebispo metropolitano de Brasília.

Nossa arquidiocese de modo ainda mais especial se alegra com a criação de D. Paulo Cezar como cardeal, pois aqui, durante cinco anos, exerceu ele o seu episcopado como bispo auxiliar. E nessa alegria se une também o nosso Seminário Arquidiocesano São José, onde D. Paulo fez a sua formação teológica, sendo, portanto, o primeiro cardeal a ter estudado nesta que é a primeira casa de formação sacerdotal diocesana do Brasil, com quase três séculos de história.

Oriundo da diocese de Valença, D. Paulo Cezar fez seus estudos filosóficos no Seminário N. Sra. do Divino Amor, na diocese de Petrópolis. Entre 1989 e 1992, cursou teologia no Seminário São José do Rio de Janeiro, período em que recebeu os ministérios de Leitor e Acólito (1990) e a ordenação diaconal (1991), apresentando ao fim do curso teológico a monografia intitulada “A ‘Kenosis’ na Revelação do Amor de Deus”. Ordenado sacerdote em 5 de dezembro de 1992 na Catedral de Valença pelo bispo diocesano Dom Frei Elias James Manning, O.F.M. Conv., exerceu intensa atividade pastoral como vigário e pároco. Seguindo depois para Roma, doutorou-se em teologia dogmática pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Os laços com a Arquidiocese do Rio de Janeiro, iniciados em nosso seminário, se estreitam ainda mais quando D. Paulo se torna professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, exercendo inclusive o cargo de diretor do Departamento de Teologia.

Em novembro de 2010, o Papa Bento XVI o nomeava bispo titular de Oescus e auxiliar de nossa arquidiocese, realizando-se a sagração, em fevereiro de 2011, em nossa Catedral por D. Orani, sendo cosagrantes o bispo de Valença, D. Fr. Elias, e o bispo emérito de Nova Friburgo, D. Rafael Llano Cifuentes. D. Paulo escolheu como lema “Omnia sustineo propter electos” – ‘Tudo suporto pelos eleitos’ (2 Tm 2, 10).

Quando em 1739 D. Antônio de Guadalupe fundou o primeiro seminário do Brasil, deixou ele claro em sua bula de criação que o Seminário São José deve ser o lugar onde os que se destinam ao estado sacerdotal sejam “criados e instruídos nas letras e virtudes com que dignamente possam subir a tão alto ministério e fazerem-se capazes para bem servirem as Igrejas”. Hoje, 282 anos depois, a história de nosso seminário comprova a fidelidade mantida a esse imperativo de seu fundador, cioso em formar fiéis ministros de Deus não só para a Igreja particular do Rio, mas para toda a Igreja Universal, como afirma o atual reitor, cônego Leandro Câmara, ao falar da criação de D. Paulo Cezar como cardeal: “O nosso seminário, que já viu tantos filhos que nele foram formados serem chamados ao episcopado, entra neste domingo da Ascensão do Senhor para a esteira dos que já formaram homens que em determinado momento de sua caminhada missionária foram chamados à diaconia do cardinalato. Bendizemos a Deus pelo dom do serviço à Igreja Universal que é o cardinalato, para o qual Deus dá a graça aos que chama de terem um coração dilatado. Que este filho dileto de São José, Dom Paulo Cezar Cardeal Costa (ex-aluno de nosso seminário arquidiocesano), seja cada vez mais cumulado de bênçãos para fazer o bem a todos aos quais é enviado em missão. E que o nosso seminário continue a árdua e nobre missão de formar bons pastores segundo o coração de Cristo para sua Igreja”.

No Seminário São José, grandes teólogos, como monsenhor Maurílio Teixeira-Leite Penido e D. Estêvão Bettencourt, OSB, já lecionaram; bispos como D. Carlos Alberto Navarro e D. Assis Lopes já estudaram e trabalharam na formação; figuras de relevo da sociedade brasileira como o jornalista e acadêmico Carlos Heitor Cony por ali passaram; sinais de santidade, como o Servo de Deus D. Othon Motta e o Servo de Deus Guido Schäffer, ali viveram. São dons que o Senhor nos concede para percebermos como Ele, formador primeiro das almas e das vocações, que em todos os momentos da história acompanha a sua Igreja e a faz crescer com tantos testemunhos, nos mais variados carismas e serviços, para o bem de seu povo e a propagação de seu reino. Alegrando-nos com o dom do cardinalato de D. Paulo Cezar Costa, confiamos ao Senhor essa sua nova missão, garantindo-lhe nossas orações, e buscando sempre mais responder com sinceridade e fidelidade ao chamado do Senhor, alegrando-nos com os dons e dádivas que Ele nos concede a cada dia para nossa santificação e edificação no meio de sua Igreja.

 

Pascom do Seminário São José

Foto: Seminário São José

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