No encerramento do Mês Mariano, em 31 de maio, a Basílica Santuário Arquidiocesano Mariano de Nossa Senhora da Penha reuniu fiéis de diversas regiões da cidade para celebrar três importantes marcos de sua história e a reinauguração dos históricos portões do pórtico do Santuário, restaurados após mais de cinco décadas.
Em 2026, celebram-se os 60 anos do reconhecimento da Penha como Santuário Arquidiocesano, concedido pelo Cardeal Jaime de Barros Câmara. Também são comemorados os 45 anos da elevação à categoria de Santuário Mariano Arquidiocesano, realizada pelo Cardeal Eugenio de Araújo Sales, em 31 de maio de 1981, atendendo ao desejo manifestado por São João Paulo II durante sua visita ao Rio de Janeiro, em 1980. Soma-se, ainda, o décimo aniversário da concessão do título de Basílica, ocorrido durante o governo pastoral do Cardeal Orani João Tempesta.
Oração, procissão e a reabertura do pórtico
A programação teve início na vizinha Paróquia Bom Jesus da Penha, localizada ao pé da subida para o Santuário. O encontro começou com um momento de oração voltado para as mulheres, conduzido pelo reitor da Penha, padre Thiago Sardinha, e pelo diácono Melquisedeque.
Em seguida, Dom Orani rezou o Santo Terço com os fiéis, preparando a tradicional procissão rumo ao alto da colina.
Durante a caminhada, aconteceu a reinauguração dos históricos portões do pórtico da Penha. De inspiração francesa e marcados pela estética da Belle Époque, os portões permaneceram guardados desde a década de 1970 e foram recuperados graças à contribuição dos benfeitores do Santuário.
“Os devotos de Nossa Senhora da Penha contribuíram para que pudéssemos resgatar esses portões, que estavam guardados desde a década de 1970. Hoje, eles retornam ao seu lugar, recuperando uma tradição importante do principal Santuário Mariano do Rio de Janeiro”, explicou padre Thiago Sardinha.
O conjunto restaurado possui elementos que remetem à história da devoção a Nossa Senhora da Penha, incluindo referências ao Brasil, à Santa Sé e à Espanha, onde nasceu a devoção posteriormente difundida pelos portugueses. Também estão presentes símbolos ligados às virtudes teologais da fé, esperança e caridade.
Missa campal e coroação
No alto do Santuário, a celebração prosseguiu com a Santa Missa presidida por Dom Orani na Concha Acústica, espaço a céu aberto que acolhe eventos religiosos e culturais e amplia a missão evangelizadora da Penha.
A celebração contou com a imagem de Santo Antônio, conduzida pelos frades franciscanos, como parte dos festejos do padroeiro do Convento Santo Antônio, no Largo da Carioca.
Na homilia, o arcebispo recordou a importância espiritual da Penha para a cidade: “A Igreja da Penha é, para a Arquidiocese do Rio de Janeiro, um lugar com mais de 300 anos de peregrinação, que chama as pessoas à conversão, a buscar a Deus e a pedir, pela intercessão de Maria, paz e fraternidade”, afirmou.
Ao recordar os desafios enfrentados pela população da região, acrescentou: “No Rio de Janeiro, temos muitas regiões com problemas sérios de violência, e essa região da Penha também é uma delas. Nós pedimos justamente a intercessão de Nossa Senhora pela paz.”
O momento culminante da programação foi a tradicional coroação de Nossa Senhora da Penha, padroeira mariana da cidade do Rio de Janeiro.
Com a imagem de Maria coroada no alto do Santuário e a cidade aos seus pés, os fiéis concluíram mais uma peregrinação marcada pela oração, pela memória e pela renovação da fé.
Ana Carla Machado